Atendendo a pedidos: Maria Paula ficou com Ferraço

Quem viu Duas Caras sabe do que estou falando. Quem não viu, eu explico: no começo da novela, Adalberto se fez passar por bonzinho para dar um golpe na pequena órfã. Na mesma noite em que enterrou os pais, Maria Songa Monga perdeu sua virgindade, e todo o seu bom senso, para um cara que tinha acabado de conhecer. Fugiu, casou e passou o recibo de otária quando fez dele o seu procurador. Logo depois, o espertalhão vendeu todos os bens da Maria Burra, deixando apenas um herdeiro manipulador no bucho, que ele não sabia existir, ou era capaz de esperar o moleque nascer para comercializar também.

Corta. Passagem do tempo. 10 anos depois, Maria Vingadora chega ao Brasil e encontra Adalberto, que mudou a cara e o nome para Ferraço. Ela faz um escândalo, Ferraço manda matá-la, mas os capangas não conseguem. Ao descobrir que tem um filho, resolve envolver a criança de tal modo que tornasse impossível a Maria Desorientada denunciá-lo. Passa dezenas de capítulos falando que o guri é insuportável, o que está cheio de razão. Essa foi, basicamente, a história principal.

Que desfecho esperar de uma trama assim? No mínimo que a Maria Tonta ficasse mais esperta depois de tanto perrengue. Mas não. Ela terminou o folhetim nos braços do Ferraço, numa praia paradisíaca. Porém, o mais chocante pra mim foi descobrir que a novela só teve esse final porque milhões de pessoas pediram. E olha que Aguinaldo Silva não deixou dúvidas quanto ao caráter do personagem. Nem precisava abrir sindicância, CPI, contratar detetives, recorrer a testemunhas, ou a mães de santo. Tava tudo preto no branco. Ele era o vilão da vez. E mesmo assim, depois de tudo isso, as pessoas torciam pelo casal! Alguém, por favor, pode me explicar esse fenômeno? Melhor: desenhar? Porque palavra alguma vai me convencer de que isso faz sentido. Por que ele é bonitinho? Por que é rico? Por que é carismático? Por que ele colocou o nome dela na boca do sapo?

Sei que estou sendo repetitiva, mas é para ver se consigo digerir esse absurdo pois não se trata apenas de uma novela. Trata-se da capacidade preocupante de discernimento que esses brasileiros possuem: a de uma ameba.

Para a reconciliação não ficar muito constrangedora, o autor foi obrigado a dar uma melhorada na imagem do Ferraço. Ele começou a gostar do filho, demonstrou amor pela Maria Enganada a ponto de tomar um tiro no lugar dela.

Agora ficou mais fácil de entender porque tantos políticos corruptos voltam ao poder mesmo quando são envolvidos em escândalos de impitchaman, prisões, falcatruas, desvios, superfaturamentos, envolvimentos com tráfico e por aí vai. Em sua grande maioria, os brasileiros assistem a tudo de camarote, batem palmas e torcem para que esses vilões da vida real transformem-se em mocinhos. Acham que vale a pena reeleger aqueles que roubam, mas fazem; como se fosse um ato de boa vontade. Ou nos políticos bonitões, com caras de bons moços. Existem também os que vivem fazendo churrascos para a classe trabalhadora, da qual, evidentemente, ele nunca vai fazer parte. Outros confessam suas safadezas, se dizem arrependidos e se lançam com ícones da verdade. Mas não adianta. Brasileiro não se emenda. Basta o sujeito ter carisma e uma boa conversa, que vai haver sempre mais uma chance, mais uma esperança.

Voltando à novela, sabe o final que eu gostaria de ter visto? O Ferraço ferrando de novo a Maria Esperançosa. Queria que ele fizesse o pentelhinho do Renato detestar a mãe, que por sua vez ficaria gorda, varizenta, com o cabelo pichaim e casada com o chato do deputado paquito. Só para o povo largar de ser besta e aprender a nunca mais torcer para uma criatura comprovadamente mal caráter. Pelo menos na ficção.

5 anos em 5 horas

Uma mulher de 34 anos gasta um rim no salão para ter os cabelos parecidos com uma modelo que viu na revista. Depois de quase 5 horas parecendo um fio desencapado com tanto papel alumínio na cabeça, existe coisa pior do que se achar mais feia com o resultado? Existe. Se achar mais velha. Voltei correndo 4 dias depois e desfiz tudo, ou melhor, quase tudo. Ufa.

Paulista por 7 dias

Nunca tinha chegado tão cedo, às 19h. Sabia que ia pegar um congestionamento monstro, mas não imaginava que ele começaria antes mesmo de sair da calçada de Congonhas. Centenas de pessoas aguardavam lá fora, em duas filas quilométricas, a entrada e saída dos táxis. Não estou exagerando. Cada fila tinha, no mínimo, 100 pessoas. Já no final da que considerava ser menor, comecei a mandar torpedos para meus amigos: Thiago tentava falar com uma taxista conhecida; Hugo estava em reunião e só recebeu a mensagem bem depois. Torci para que os motoristas encarnassem o Airton Senna e diminuíssem o meu tempo de impaciência. Pouco depois percebi uma movimentação do outro lado da rua. Eram os passageiros inteligentes que programaram com antecedência sua entrada na cidade. O táxi chegava, o motorista gritava o nome e a pessoa entrava, suspirando de alívio por não ser uma idiota inocente. Fui observando o movimento e me aproximei de um carro parado:
- Você está livre?
- Não. Espero por Fulana.
- Ahhh...
Cabisbaixa, voltei para linha de trás, querendo me açoitar por não ter pensando nesse transtorno antes. Minutos depois, uma voz chama:
- Renata! Renata!
O táxi andava devagar.
- Renata! Renata!
Outros nomes foram gritados, mas só um ecoava em meus ouvidos: Renata, Renata. Olhei para um lado, olhei para o outro e nada da Renata. Foi mais forte do que eu. Quando dei por mim estava correndo com o braço levantado, arrastando a malinha, berrando feliz e sem qualquer vestígio de escrúpulo:
- Sou eu! Sou eu!
Depois de jantar fui para A Lôca, um inferninho underground super conhecido em SP. O lugar me lembra uma caverna, com uns objetos de tortura e um banheiro unisex. Mas eu adoro a energia das pessoas. Todo mundo descolado e simpático, aberto a conversas e interessado em conhecer gente nova. O melhor dia é quinta-feira, em que há uma grande mistura musical e maior leque de opções sexuais. O mais engraçado é ouvir “você é lésbica ou hetero?” ao invés de “qual o seu nome?”. É que além de mim, do Thiago e do Hugo, sempre tem muito S lindo dando pinta por lá. A noite só acabou quando o sol estava alto. Mais, eu não conto.

Sexta-feira

Como andava meio enferrujada, passei a sexta-feira a beira da morte de tão cansada. Só saí para jantar e mais tarde conheci um pub pertinho de casa, o Barnaldo Lucrécia, onde comemoramos o aniversário da Vilma. A Vilma, aliás, foi uma grande companheira nesta viagem. Valeu!
O lugar é acolhedor, com 2 andares, mesas juntinhas, música de primeira qualidade e muita gente interessante que se deleitava com a presença uma das outras. Mais, eu não conto.

Sábado








Fui ao Ibirapuera ver a exposição do Star Wars. A mostra não é grande, mas quem disse que tamanho é documento? Logo na entrada, ouvimos o tema musical magistralmente composto para a saga e fomos transportados para o mundo que George Lucas concebeu. O mais legal foi saber que as roupas, as maquetes e, principalmente, o sabre de luz, foram usados realmente nos filmes. Tirei muitas fotos, para o desespero do Thiago, que ficou preocupado da bateria acabar sem que o Darth Vader fosse devidamente registrado. Me deu a maior vontade de ver os filmes novamente.

Antes de cair na balada paulista, eu saboreei um jantarzinho delicioso feito pelos Mestres Cucas: Aguinaldo e Hugo. Enquanto eles cozinhavam, eu me divertia com o papo e com o vinho aberto para o molho. Ainda bem que o molho não levava muito da bebida de Baco.

Quase rolando depois da comilança, lá fomos nós para a Smoove, onde o repertório era recheado dos anos 80. Mesmo não gostando da cara do povo, eu dancei muito com nossa turma, até porque foi a primeira vez que o Gui conseguiu sair junto e quando conheci a Karla, uma amiga show dos meninos. O resto? Nem te conto.

Domingo

Acordamos tardão e fomos almoçar numa cantina italiana. Mesa grande, amigos famintos e uma boa comida regada a ótima conversa, sorrisos fartos, risadas, causos apimentados e carinho. Assim passei boa parte da tarde no domingo: me sentindo em família.

À noite fui ao teatro ver Miss Saigon. Mesmo sendo uma história meio batida com encontros e desencontros, o musical é um escândalo de lindo e consegue ser surpreendente. Eu fiquei fascinada com os bailarinos, as vozes, as músicas, os efeitos, os figurinos, as mudanças no palco. É imperdível.

Depois de comermos pizza, me recusei a ir para casa dormir. Afinal, no outro dia meu destino seria Santos e não queria perder meu resto de domingo. Resultado? Fui sozinha para A Lôca e dancei a noite inteirinha. São Paulo me assim: independente. Mais, eu não conto.

Segunda-feira

Enfim conheci o neném da minha irmã de coração, a Lucrécia. O nome dele é Tiago, nasceu dia 30 de abril com 4 quilos. O moleque é muito fofo, dorme bem e come melhor ainda. É muito especial ver um casal tão querido como a Luka e o Osmar realizar o sonho de ter um filho. Foi um dia maravilhoso. Conversamos muito, vimos fotos, relembramos nosso passado e pensamos no futuro. Pena que tive que vir embora logo no outro dia, com o coração na mão, mas a certeza de que ela e Osmarito serão ótimos pais.

Terça-feira


Vim de Santos depois do almoço com a intenção de ir direto para casa. Mas mudei de idéia no metrô ao lembrar que ainda tinha uma exposição para conferir: “Direito à memória e à verdade – A Ditadura no Brasil”. Fui direto para a Estação Pinacoteca e gostei muito do que vi.




Alguns painéis enormes contavam a época mais barra pesada do Brasil. Olhando para trás, é difícil visualizar nosso povo sendo caçado, exilado, humilhado, torturado e morto para segurar a soberania de um governo absurdamente equivocado, corrupto e truculento.


Gostei muito da segunda parte, onde as celas serviram de cenário para fotos, letras de música e poesia. Só acho que os cubículos deveriam ser mais reais, com marcas de sangue, unhas, buracos e todo o horror que as pessoas que passaram por aqueles lugares deixaram gravadas na história.





Comemoramos novamente o aniversário da Vilma. Agora com direito a bolo maravilhosamente feito pelo Gui, bola de soprar, parabéns e muita gargalhada. A festança aconteceu na cozinha, ampla e convidativa, e teve a participação de amigos dos amigos. Depois se estendeu para o resto da casa, mais precisamente para o quarto do Alê, que está mais para boate e pronto para receber todas as ramificações da grande família Paraíso.

Mas como a noite é uma criança e eu adoro uma boa diversão, fui com o Aguinaldo, a Karla e o Maurício para minha despedida em grande estilo: D.Edge. A boate é bacanérrima! Tem luz piscando por tudo quanto é lugar, um bom canto de poltronas em U. Mesmo não curtindo música eletrônica a noite inteira, eu gostei de lá. A D.Edge é estilosa. Foi uma boa pedida para terminar a noite. Pena que os outros amigos não puderam ir.

Declaração de amor aos que me apresentam SP até hoje

Depois que escrevi minha declaração de amor a São Paulo, relembrei alguns momentos especiais que passei por lá. Eles só foram possíveis graças aos meus amigos: Thiago, Aguinaldo, Hugo e Alexandre. São eles que cuidam para que meus dias sejam elétricos, culturais, alegres e muito felizes. E o grande responsável por isso é o Thiago, meu irmão lindo, que abriu as portas da Avenida Paulista para mim e que, agora, me leva ao Paraíso, junto com os outros meninos. Gui, o cara mais alto astral que conheço. Como eu gosto de você! Hugo, meu guia por caminhos antes nunca trilhados. Alê, o caçula da casa. O grande responsável pela minha alimentação nas viagens anteriores. Obrigada por tudo, queridos.

Declaração de amor a São Paulo

“Você tem um namorado em SP?”
“SP? De novo? Aposto que arrumou uma paixão por lá.”

Sempre ouço isso quando vou a São Paulo. A verdade verdadeira é que eu me apaixonei instantaneamente desde a primeira vez que botei meus pezinhos 34 na Terra do Nunca. Culto. Estiloso. Musical. Cosmopolita. Gastronômico. Surpreendente. Agitado. Charmoso. Interessante. E que sempre me deixa extasiada. Como não ser arrebatada por um lugar assim? Eu amo São Paulo. São Paulo me excita. Me faz sentir mais viva. Mais livre. Mais leve. São Paulo me arrebata com sua diversidade cultural. Me esquenta com sua vida noturna. Me empolga com o desfile de suas várias tribos. E nessa passarela todo mundo faz parte do espetáculo, inclusive os turistas, que são convidados ao palco, interagem, quase nunca em monólogos. São Paulo acolhe. Inclui. Instiga. São Paulo é um horizonte tão colossal que abre outros. Os meus nunca mais foram os mesmos depois do primeiro contato. E nunca tornarão a ser.

Férias em SP – Preciso de dicas.

Estarei de férias a partir de segunda-feira e vou quinta-feira, literalmente, para o Paraíso. É nesse bairro de São Paulo que moram meus amigos lindos e responsáveis pelos dias incríveis que eu passo na Terra da Garoa.

Como das outras vezes, estou procurando o que fazer nesta viagem, mas agora não fiz grandes achados. Alguém pode me ajudar? Agradeço também aos que indicarem Casas Noturnas freqüentadas por gente que, ao menos, já tenha saído da faculdade. Não quero correr o risco de ser chamada de Tia na balada.

Dia 15 – 5ª feira (à noite): A Lôca.
Dia 16 – 6ª feira (dia): Exposição sobre a Ditadura Militar na Estação Pinacoteca e Museu da Língua Portuguesa - (noite): Festa não sei aonde.
Dia 17 – Sábado: Exposição sobre Star Wars, no Ibirapuera. (noite): não sei.
Dia 18 – Domingo (dia): Não sei o que fazer. (noite): Miss Saigon, no teatro. (+ à noite): não sei.
Dia 19 – 2ª feira a 3ª feira: vou a Santos
Dia 20 – 3ª feira (noite): não sei.
Dia 21 – 4ª feira: Viagem de volta.

De Casas Noturnas, conheço: Laterna, Bubu, The Hall, Clube Glória, Bar Barô, Geni e All Black.

Ajuda, gente!

Para não perder negócio

O pai de uma amiga é dono de um bordel. Logo no começo do empreendimento, um conhecido dele perguntou:
- E se não der certo?
- Eu como o estoque.

Viciada nele

Ele é como uma droga. Agora ela tem certeza. Só agora reconhece o vício. Ela achava que podia parar quando bem entendesse. Que era mais pele. Que depois de tanto tempo, os beijos famintos não alimentariam os antigos sentimentos. Seria somente daquela vez e pronto. Mas não há meio termo para viciados. O torpor era forte, e antigo. Anos se passaram. Ela esquecera sua intensidade. Infelizmente, como sob efeito de drogas, ela nunca consegue ser totalmente ela perto dele. As gargalhadas que os sacodem pela Internet ou pelo telefone ficam mais fracas pessoalmente. É estranho. Ele também sente a diferença, ela sabe. É frustrante. Eles têm muito em comum, várias coincidências os intrigam. Discordam, igualmente, em dezenas de opiniões. É normal. Se o encontro fosse constante, ela não seria arrebatada facilmente. Ele seria real, não inventado. Não imaginado. Não ansiosamente aguardado. Ela só pula quando sente firmeza em suas asas. Com ele, esqueceu até do pára-quedas. Devia ter desconfiado. Ela ainda deseja que ele vire uma droga de farmácia, daquelas que curam. Resultado dos alucinógenos. Mas agora ela consegue enxergar o vício. Agora ela o leva a sério. Porque jamais quis ter uma overdose. Nem agora, nem nunca.

Pé Picolé


Meeeeeeengooooooooooooooo!
Mengooooooooooooooooooooooooooo!!!
Meeeeeeeeeeeeeengoooooooooooooooooooooo!!!
Uma vez Flamengo, sempre Flamengo!!!

Fiquei muito feliz com o resultado do jogo de domingo. A alegria só não foi completa porque não pude ver o jogo todo. Por quê? Porque sou pé frio. Na verdade, pé gelado. Quando o jogo começou, eu fiquei irritada com o gol que não saía. E, quando saiu, me deixou histérica, já que foi contra o meu time do coração.

- Mãe. Quer ver? Eu vou sair da sala e o Flamengo vai empatar.
- Então vai.
3 minutos depois:
GOLLLLLLLLLLLLLL DO FLAMEEEENGOOOOOOOO!!!
- Você está proibida de voltar à sala.

Só me restou ir para o quarto ler e torcer para que mais gols viessem. Graças a Deus vieram. E a cada um, eu corria aos gritos pra sala ver como tinha sido.

***

Resolvi conferir o desempenho da nossa capixabinha no SOLETRANDO do Caldeirão do Hulk. Nunca tinha visto a pequena em ação. E a bichinha é boa mesmo, mas ela não contava com a minha torcida. O que aconteceu? Ela soletrou eremitário com H!!!

Andréia Schwartz - ela quer ser prefeita.

“Quero trabalhar para acabar com a exploração infantil e a violência contra a mulher. Também quero trazer o turismo para o ES, que está sendo conhecido internacionalmente agora, por minha causa”. Essas palavras foram da tal capixaba envolvida no escândalo que ajudou a derrubar o ex-governador de NY. Os americanos dizem que ela era cafetina. Ela jura que a boa grana foi através de amizades importantes. Uhum, seeei. Lá em casa isso tem outro nome. Alguém avise a essa senhora que não queremos grigos interessados em turismo sexual.

Andréia parece ter tomado gosto pelos cargos públicos. Segundo a reportagem de A Tribuna, ela está em negociação com um partido e pode até ser candidata a prefeita de um município do estado. Poderia escrever páginas e mais páginas sobre o absurdo que Andréia pretende fazer: levantar a bandeira da violência contra a mulher, logo ela, que ganhou muito dinheiro vendendo o corpo de várias. Como nos EUA o buraco é mais embaixo, o pé de meia que ela fez, furou. Mas do jeito que nossa política é uma putaria, é bem capaz dela ganhar a eleição.

Dodói, mimir, papar.

Pode me chamar de anti-romântica, mas quando um cara diz que está dodói, eu quase fico doente. E aquele homão que na hora do almoço fala afinando a voz: “vão papar?”. Ahhhhh, pelamorDeus! Eu só não perco o apetite porque tenho hipoglicemia e estou sempre faminta. Minha amiga Fernanda diz que tem vontade de gritar “Fala igual a homem, porra!”. Ela é muito sutil.
Tá certo que a gente fica meio bobo quando está ao lado de alguém querido, mas charminho tem limite. Algumas coisas deveriam ser deixadas lá atrás, na infância. Tudo bem que em alguns momentos... fofos... assim por dizer, falar como criancinha seja até... fofo. Cria aquela sensação de guti guti, com demonstrações abertas de carinho e amor pelos pais. Porque ninguém volta a ter 6 anos de idade perante um caso recente. Para que esse fenômeno seja desencadeado, os dois devem estar cercados por uma áurea de muita intimidade, por favor. O engraçado é que esses retornos ao passado deveriam acontecer quando o casal estivesse bem juntinho, aconchegado nos braços um do outro. Entretanto, o telefone é um curioso passaporte para maioria dos enamorados voltar no túnel do tempo. Eu confesso que acho bonitinho e também já dei minhas miadas via Telemar, Embratel, Oi, Claro... cof, cof, cof.
Enfim, tem que haver algumas regras básicas para essa peculiar maneira de comunicação. Por exemplo: esse denguinho só fica liberado depois de um certo tempo de compromisso ou com o seu animal de estimação. Mas nunca, em hipótese alguma, diga algo como “pesta atenção”, “vochê faizi ipoca pa gente”, "pega ága pa mim” ou ainda “pimeilo axim”. Como eu já disse antes, o normal é a gente ficar meio bobo e não meio burro. O lance gostosinho é o tom da voz, a melodia no ponto certo. E não os erros berrantes que os coitados dos pais tanto lutam para corrigir quando a gente é pequeno. E espanta essa encarnação do Cebolinha pra bem longe.
Nossa, eu tenho pesadelos só de imaginar o resto da minha vida ao lado de um homem que vai mimir ao invés de dormir.

Rasante da cegonha

Logo depois do carnaval, eu sonhei que a namorada de um amigo tinha engravidado dele. Ele me ligou desesperado porque não tinha sido planejado e não estava nada feliz. Depois de alguns dias, encontrei com ele no MSN e contei de sonho. Acho que ele ficou meio impressionado. O fato é que nas 3 semanas seguintes, 3 amigas me contaram que acabaram de descobrir que estão grávidas. Simone, que já namora há um tempão o grande amor da vida dela; Paola, que tinha mais um rolo do que um compromisso; e a Rose, que está separada do marido e teve uma recaída de uma noite. Todos os nenéns vão chegar perto do final do ano, mas existem também os que já vão nascer por esses dias. Um, na verdade, até já deu o ar da graça, o Gabriel, filho do meu amigo Marcos. Terça-feira, dia 22 de abril, nasce a Alice, filha do Rafael, amigo e colega de trabalho e no final do mês nasce o Tiago, filho da Lucrécia, minha irmãnzona há quase 20 anos. É muita novidade para um ano só. 2008 é mesmo o ano de renovação. Parabéns a vocês, meus amigos. Que esses pequenos venham cheios de saúde e proteção divina.

A próxima vez que eu tiver um sonho assim, cuidado você, que faz parte do meu círculo de amizade e ainda não está preparado para ter seu filho.

E para as mamães e papais acalmarem seus bebês quando estiverem chorando muito, vejam essa matéria que passou no Fantástico. Quase um milagre.

Dica: Dedinhos na Beleza


Você sabe como prevenir o famigerado Bigode Chinês? Não, infelizmente uma boa depilação não resolve o problema. Bigode Chinês é aquela linha de expressão que temos ao redor da boca e que vai ficando cada vez mais marcante com o passar do tempo. Minha dermatologista deu uma boa dica para tardar o aparecimento delas: dormir de barriga pra cima. Quando dormimos de lado, ou de bruços, além de imprensarmos/amassarmos uma banda do rosto no travesseiro, a outra sofre a ação da gravidade e fica arriada. Comece a prestar atenção nessa mutação noturna. Se a gente não cuidar, ao invés de chinês, o bigode pode virar uma mistura do Magnum com o Pai Mei.

Dívidas que custam um rim, literalmente.

“Nossa... essa blusa custa um rim!!!”
Eu sempre falo essa frase quando vejo alguma coisa carérrima. O problema é que muita gente endividada está levando isso a sério e resolveu negociar a venda de rim, pedaço de fígado, medula e pulmão pela Internet. Alguns pedem 100 mil reais. Pelo menos é o que diz a reportagem que acabei de ler na A Tribuna. É tão patético que li dando gargalhadas.

“Vendo rim, medula óssea, fígado e pulmão. Urgente. Sangue A+. solicito que respondam, exclusivamente, pessoas interessadas de fato e realmente sérias! Por favor! Sou uma pessoa madura, equilibrada e sensata (sensata??????). Lamento tratar desse assunto tão delicado como uma barganha, mas minhas complicações financeiras... enfim... Tenho muita urgência! Estou realmente decidida, então, reitero: contatar somente pessoas interessadas e objetivas...
Sou branca, 32 anos, não fumo, nunca fumei, não bebo absolutamente nada (seja cerveja, licor, champanhe... enfim: qualquer tipo de bebida alcoólica: Não bebo). Alimentação saudável (fibra/legumes/frutas).
Não como carne vermelha há pelo menos 8 anos. Não faço, nem nunca fiz uso de drogas ilícitas. Não tomo nenhuma medicação, nem anticoncepcional. Meu ciclo menstrual é regular. Tenho saúde plena. Sempre fui muito cuidadosa.
Havendo compatibilidade, aceito 60% no acerto e 40% antes da cirurgia. Certamente irei acompanhada para resguardar minha segurança.”

(
Gente, essa mulher não bebe, não fuma, não se droga, não come carne vermelha, não toma remédios, se bobear, nem sai à noite. Aonde raios ela gastou tanto dinheiro para ter que vender partes do corpo? Só pode ser jogando bingo).

A Tribuna: Vi um anúncio sobre venda de rim, é com a senhora?
Nilda: Estou muito interessada em vender. Minha filha de 28 anos e meu filho de 13 anos também querem vender, mas você tem que falar com minha filha, pois é ela quem vai falar os valores.
A Tribuna: Seu filho não é muito novo para vender um rim?
Nilda: Ele quer, mas o preço dele é mais caro, R$ 200 mil. O rim dele é mais forte.

(Se a família tiver um cão, é capaz do pobrezinho também entrar na dança, ou melhor, na faca. Eu não canso de me surpreender com a raça humana).

Mulher simula o próprio seqüestro e ganha recompensa


Que recompensa você daria a uma universitária de 18 anos que tramou e forjou o próprio seqüestro, deixando a família desesperada?

O pai achou essa atitude tão louvável que presenteou a bandidinha com uma grande festa de boas-vindas à liberdade. Disse ainda que Michele se arrependeu e pediu desculpas à sociedade, num ato de humildade. Ela também vai começar um tratamento psicológico porque ainda não se recuperou do trauma que sofreu de passar 5 dias na cadeia, coitadinha.

Já eu, acho que ela deveria passar os próximos 10 anos de detenção previstos na lei em Tucum, mais um bom gelo por parte dos familiares. Afinal, ela não assaltou a carteira do “velho”. Michele pensou, planejou e executou toda a trama com mais 3 amigos aprendizes de marginal. Ela usou a arma mais certeira que possui para conseguir R$ 10.000: o amor da própria família.

Fico imaginando que tipo de educação teve essa tal de Michele. Nem o céu devia ser o limite. Será que ela foi o tipo de criança que se jogava no chão da loja quando queria uma boneca cara? E os pais, ao invés de pegá-la pelo braço e colocá-la de castigo, eles compravam a tal boneca? Quando eram chamados na escola por causa do mau comportamento da filha, eles ficavam contra ou a favor das reclamações dos professores? Se ela chegasse em casa com um brinquedo estranho, procuravam saber da onde tinha vindo? Deixavam que ficasse na TV até tardão porque não tinham saco para colocá-la na cama? Quando passava do horário combinado na volta da boate, eles barravam a próxima saída? Riam e entendiam como inteligência quando ela trapaceava nas contas da mesada para conseguir mais dinheiro no final do mês? “Ahh, minha filha é tão esperta!”

Infelizmente hoje em dia, muitos pais não podem passar o tempo que gostariam com seus herdeiros porque trabalham demais, viajam bastante, fazem diversos cursos, estudam outras línguas e ainda têm o futebol e o salão de beleza. Então aliviam a consciência pesada com presentes, doces e muita vista grossa para atitudes que mereciam algum tipo de punição. Eu não tenho filhos e imagino que deve ser complicado mostrar severidade nesses momentos família, mas isso não é desculpa. Principalmente do jeito que andam os mais jovens ultimamente, achando que podem tudo sem arcar com as conseqüências. O resultado é esse que vemos todos os dias nos jornais: pessoas sem limites, sem caráter, sem respeito e sem medo da justiça.

É toma lá, dá cá.


Aventura numa boate GLS


Quem nunca foi a uma boate GLS não sabe o que está perdendo. É sempre diversão garantida. O alto astral impera e as músicas são de ótima qualidade. Aqui em Vix é meio fraco, prefiro as de SP porque além do divertimento, ainda dá pra conhecer gatos, aparentemente, heteros.
A falecida Next foi a 2ª boate que conheci. Era o show do Edson Cordeiro e os ingressos já estavam esgotados. Eu tinha acordado meio doente, mas não podia perder. Então, me arrumei toda e lá fui eu com meu amigo gay maravilhoso.
Era um galpão enorme, com um balcão comprido, meio sinuoso, onde garçons bem apessoados atendiam com toda simpatia do mundo a multidão que se acotovelava em busca de algo que refrescasse o calor. Estava muito quente mesmo. Aí comecei a analisar as pessoas: tinha muito homem bonito! Mas todos os gatos heteros estavam acompanhados das suas respectivas. Eu olhava e perguntava:
- Esse é?
- É.
- E aquele?
- Também é.
- Mas com você tem certeza?
- Ele está numa boate gay sem camisa.
- Ahhh...


Até que eu avisei “ele”. Lindo e maravilhoso de mãos dadas com uma moça.
- Ele bem podia largar a baranga e ficar comigo.

Meu amigo riu. Neste momento, soou uma sirene. O barulho era alto e estridente. Fiquei sem entender nada. Meu amigo apontou o bar e eu me virei. Fiquei passada. Eram 4 gogo boys de sungão e coturno dançando em cima do balcão. Maravilhosos. Não eram rebolativos, mas dançavam super bem, um colírio para os olhos. A galera foi ao delírio. Muitos tiravam fotos, gritavam, passavam a mão nas pernas dos rapazes. Eu, de longe, me matava de rir. Depois de quase uma hora, o show começou e durou um tempão. Além de uma voz fantástica, Edson Cordeiro é muito simpático. Conversou com as pessoas, agradeceu a presença de todos, falou de Vitória e fez 2 bis. No decorrer da apresentação, notei o tal gato que tinha passado com a suposta namorada na minha frente, sozinho. E ele começou a olhar na minha direção. Trocamos olhares durante um bom tempo e ele veio falar comigo.
- Oi. Tá “goxtando” do show?
- Tô amando – mal acreditando na minha sorte.
- Você é daqui de Vitória?
- Sou. E você é do Rio – pensei: ai meu Deus. E ainda é carioca.
Ele sorriu.
- Meu nome é Marcelo. Qual o seu nome? (notei que ele não tinha voz, como posso dizer, do tipo escorregadia).
- Anna.
- Você está sozinha ou com aquele cara ali (mostrando meu amigo que estava do meu lado).
- Ele é meu amigo.
- Nossa, ele é um gato.
- ...
Fiquei um segundo passada com a revelação e logo depois me deu uma tremenda vontade de cair na gargalhada com a situação. Então, só me restou perguntar:
- Você quer que eu te apresente?
- Não... agora, não.
E saiu. Meu amigo me puxou pra perguntar o que estava acontecendo, eu contei, ele morreu de rir. Ó vida, viu?

***

Toda mulher sabe como é chato encarar uma fila de banheiro em boate. Na Next a fila servia para azaração. Já que estavam todas indo para o mesmo lugar e tinham o gosto em comum, as mocinhas aproveitavam para se conhecer. Estão certas, né? Não pode perder viagem. Mas fiquei meio tensa porque umazinha que estava acompanhada resolveu me paquerar. Me olhava, jogava os cabelos, esses procedimentos básicos que fazemos quando alguém nos interessa. Ela ficou nessa graça até a namorada perceber. Ao invés de brigar com a sirigaita dela, a caminhoneira ficou me encarando com cara feia. Eu só admirava meus esmaltes das unhas dos pés. Meda.

Quando consegui entrar, um mocinho bem delicado se aproximou:
- Nossa, adorei o seu batom.
- Obrigada. Você quer um pouco?
- Ahhh não, querida. Eu fico péééssimo com esse tom.

***

Quando o show acabou, meu amigo viu o tal carioca e foi falar com ele. Os dois foram andando, passaram do outro lado da pilastra e depois os perdi de vista. Achei estranho e imaginei que eles tinham parado. Comecei a me curvar pro lado pra tentar vê-los e flagrei o primeiro beijo gay do meu amigo. Neste exato momento, os dois se viraram pra mim. E eu lá, parecendo que estava tendo uma crise de escoliose, segurando uma garrafinha de água mineral e com sorriso amarelo de tanta vergonha da minha indiscrição.


***

Estava sozinha na área de grande concentração lésbica. Mas como meu amigo disse que “ia ali e já voltava”, achei melhor ficar aonde estava pra não me perder. Além do mais, o lugar tinha uma vista privilegiada dos gogo boys, que voltaram depois do show. Tava distraída vendo a performance quando a mocinha chegou cheia de atitude.
- Oi.
- Oi.
- Você vem sempre aqui?
- Não. Só vim pro show do Edson Cordeiro.
Continuei na minha, como faria se um barangão viesse me cantar no Wall Street, por exemplo.
- Ahhh... você mora aonde?
- Vila Velha – sem tirar os olhos do morenão em cima do balcão.
- Você gosta deles?
- Deles? – apontando pros dançarinos.
- Sim, deles.
- Gosto. E gosto muito. Olha aqueles braços!
Aí ela fechou a cara e saiu. Eu continuei a apreciar os caras. Era bem melhor do que encarar o próprio pé.