Seleção precursora de campeões


Garrincha
Tcheco, inglês ou espanhol. Não importava a nacionalidade do marcador. Para Garrincha (1933-1983), todos eram apenas "joãos". Essa postura não indicava, em absoluto, um traço de arrogância no caráter de um dos maiores jogadores da história do futebol mundial: ele encarava com a mesma postura todos os seus rivais, fossem eles estrelas de suas seleções ou apenas anônimos "beques" de times de várzea de Pau Grande.

Se Pelé personificava a eficiência máxima num jogador de futebol, levando-se em conta o talento e preparo físico, Garrincha é o maior representante do "futebol moleque", em que um drible humilhante provocava entre os torcedores uma euforia até maior do que um gol. Enquanto Pelé é o 1º representante e símbolo do profissionalismo no futebol brasileiro, Garrincha é o retrato da "época romântica".

Ironicamente, a Seleção Brasileira nunca foi derrotada em partidas em que 2 atuaram juntos. Apesar das pernas tortas (a direita para fora e a esquerda para dentro, 6 centímetros maior do que a outra), em sua melhor fase não havia zagueiro capaz de marcá-lo. Nem mesmo Nilton Santos, conhecido como a "Enciclopédia do Futebol" – o homem que abriu as portas do Botafogo para o ponta-direita – conseguiu detê-lo.

Depois de ter sido dispensado nas peneiras de Fluminense, Vasco e São Cristóvão, já que era considerado "torto" pelos treinadores, Mané fez um teste no alvinegro, em 1953. Na 1ª jogada, meteu a bola entre as pernas de Nílton, que saiu de campo e pediu a contratação imediata do atacante. "Melhor jogar com ele do que contra ele", afirmou Nilton Santos na época.

No Botafogo e na Seleção, Garrincha viveu seus melhores momentos entre 1958 e 1962. Era a época em que o alvinegro carioca dividia com o Santos de Pelé a maioria das vagas na Seleção. Convocado para a Copa de 1958, Garrincha começou a competição na reserva do flamenguista Joel. Na 3ª partida, os próprios atletas pediram sua escalação: eles sabiam o estrago que Mané poderia provocar numa defesa cheia de "joãos" europeus.

Titular nos treinos durante toda a preparação, ele foi sacado contra a Áustria porque temia-se o meio-campo de 4 jogadores do rival. 1 disciplinado e aplicado Joel foi escalado para compor o meio com Dino, Didi e Zagalo.

No 2º jogo, novamente Garrincha estava fora. Desta vez por outro motivo. A notícia que o lateral-esquerdo inglês Slater era desleal e tinha lesionado já 2 rivais na temporada fez o técnico Vicente Feola tirá-lo de novo da equipe. Garrincha, porém, não entendeu a situação e chegou a pedir para ser dispensado. Mazzola confirma seu jeito de ser: "Garrincha era o mais direto de todos no grupo. Falava o que pensava e não se importava."
Tudo mudou de figura com a partida contra a URSS. Para enfrentar o chamado "futebol científico" dos soviéticos, de muito preparo físico e do ouro olímpico em 1956, entrariam Pelé e Garrincha.


Com fama de ter um "futebol de laboratório", os soviéticos diziam saber como parar o Brasil. Já que nos 3 primeiros minutos de jogo Garrincha já havia humilhado várias vezes a defesa adversária, mandado uma bola na trave e criando a jogada para o 1º gol de Vavá.

O botafoguense foi logo mostrando seus dribles acrobáticos: com 25 segundos de jogo já tinha aplicado alguns deles nos marcadores Kuznetzov, Krijveski e Voinov, e mandado uma bola na trave. O Brasil ganhou por 2 a 0, com 18 chances de gol e Garrincha como o melhor em campo. "Eu estava com fome de bola", resumiu o ponta. No dia seguinte, os jornais de todo mundo se perguntavam como aquele jogador não tinha disputado os 2 primeiros jogos, com títulos como "O melhor reserva do mundo".Para as quartas-de-final, diante do País de Gales, o pai de Garrincha foi convidado para acompanhar o jogo no gabinete do presidente Juscelino Kubitschek.

Frente a França, pelas semifinais, Garrincha driblou 3 para fazer o 1º gol brasileiro na vitória por 5 x 2. Nesse jogo, sua vítima foi o defensor Lerond. Na decisão, a anfitriã Suécia abriu o placar, mas, graças a 2 cruzamentos de Garrincha para Vavá, o Brasil virou e acabou vencedor com 5 a 2.

Mas a verdadeira Copa de Garrincha foi a de 1962, no Chile. A Seleção tinha perdido Pelé na 2ª partida e precisava vencer os favoritos espanhóis para continuar na briga. Garrincha, que tantos chamavam de irresponsável, assumiu o comando do time. Graças a ele, Amarildo marcou os gols da vitória contra a Espanha, que colocaram o Brasil nas quartas-de-final. Depois, só deu Mané.

Nas quartas-de-final, contra os ingleses, e na semifinal, contra os chilenos, ele fez de tudo: jogou pelo meio, marcou gols de cabeça, gol de falta e até de perna esquerda. Foi expulso, inclusive: aplicou um cômico chute no traseiro do lateral chileno Rojas, que o marcava a pontapés e agarrões. Após uma manobra dos dirigentes brasileiros, o ponta-direita foi liberado para jogar a finalíssima contra a Checoslováquia, com 39 graus de febre.

Mas sua presença foi o bastante para manter a defesa checa acuada e garantir a conquista do bi. Ao voltar da Copa, Garrincha ainda brilhou na campanha que deu ao Botafogo o título de bicampeão carioca, em 1962. Na final, contra o Flamengo, ele marcou 2 gols e deu 1, de bandeja, a Quarentinha, transformando-se no principal articulador do sonoro 3 x 0. Esse foi, inclusive, o último grande jogo de Garrincha.

Depois dessa partida, infelizmente, transformou-se apenas numa caricatura do craque de outrora. Em 1963, a carreira de Mané entrou em declínio. Problemas nos joelhos começaram a prejudicar os dribles geniais. Para manter o atleta em campo e embolsar gordas cotas de amistosos, os médicos do Botafogo aplicavam sucessivas infiltrações nos joelhos do ponta-direita.

Quando a equipe carioca já havia "sugado" tudo o que podia de Garrincha, negociou o atleta com o Corinthians, no início de 1966. Porém, ele fez poucos jogos pela equipe paulista.

Em 1966, despediu-se da Seleção Brasileira na fracassada campanha da Copa do Mundo na Inglaterra. Mesmo sem condições físicas ideais, foi imposto no time por João Havelange, então presidente da CBD (Confederação Brasileira de Desportos). Mas deixou sua marca com um belo gol de falta na partida de estréia, contra a Bulgária, em que o Brasil mesclou 2 gerações: a Seleção contava com Garrincha e com o futuro furacão da Copa de 70, Jairzinho.

Em 1968, foi dispensado pelo Atlético Junior, da Colômbia, depois de 1 única partida e contratado pelo Flamengo, onde não permaneceu 3 meses. Encerrou a carreira em 1972, depois de uns poucos jogos pelo Olaria. Além das contusões, um mal maior já tinha consumido o craque: o alcoolismo. Foi ele o responsável, 1983, pela morte prematura do craque que enlouqueceu estádios e entrou para a história como o maior ponta de todos os tempos do futebol mundial. E um de seus maiores fenômenos.

Pelé
Com 12 gols, 3 títulos e atuações memoráveis em 4 Copas seguidas, Pelé alcançou um patamar inatingível para seus compatriotas como o melhor jogador da história da seleção brasileira. O "reinado" do jogador de Três Corações começou em 1958, quando o garoto Édson Arantes do Nascimento tinha apenas 17 anos.

No Mundial da Suécia, a revelação do Santos assombrou o mundo com golaços e técnica incrível. 4 anos depois, Pelé ganhou sua 2ª Copa, no Chile, mas viu tudo de fora dos campos, pois saiu lesionado do time brasileiro ainda na 1ª fase.

Em 1966, na pior participação da seleção pós-58 (eliminada na 1ª fase), Pelé foi caçado por marcadores portugueses e novamente acabou a Copa lesionado.

Mas a redenção viria em 1970, quando Pelé liderou o que para muitos especialistas foi o melhor time da história do futebol. No Mundial do México, o ídolo voltou a protagonizar lances de rara beleza plástica e ganhou de forma brilhante o tricampeonato. Os estádios Jalisco e Azteca viram o "Rei" no auge da forma.

Entre os lances da Copa de 1970 que entraram para o folclore do futebol, destaca-se a jogada em que Pelé venceu o goleiro uruguaio Mazurkiewicz com um "drible da vaca", a cabeçada potente para a defesa incrível do inglês Gordon Banks e a tentativa de gol do meio do campo contra a Techoslováquia.

Maior artilheiro da história da seleção, com 95 gols em 115 jogos, Pelé tem currículo vencedor no futebol que transcende sua passagem pelo Brasil. No Santos, clube que defendeu por quase 20 anos, o jogador brilhou em uma época em que a televisão não registrava todos os passos de um ídolo, como hoje em dia.

O mundo não viu, por exemplo, o gol que o próprio Pelé considera como o mais belo de sua carreira. Numa vitória do Santos sobre o Juventus pelo Campeonato Paulista de 1959, o "Rei" se livrou de vários marcadores com toques por cima das cabeça e, sem deixar a bola cair, empurrou para as redes.

Pelo Santos, Pelé conquistou o Campeonato Paulista 10 vezes. O jogador também liderou a equipe em 5 títulos da Taça Brasil, 4 do Rio-São Paulo, 2 Libertadores e 2 Mundiais Interclubes.

Depois do reinado no Santos, Pelé ainda desbravou o futebol na 1ª incursão de profissionalismo do esporte mais popular do mundo nos Estados Unidos. O brasileiro vestiu a camisa do NY Cosmos, onde conquistou o último título de sua carreira, em 1977.

1 ano depois da brilhante conquista na Copa do México, Pelé deixou oficialmente a seleção em 1971, num empate contra a ex-Iugoslávia no Maracanã, diante de 138.575 torcedores. Na "volta olímpica" para se despedir de seus súditos, o maior jogador do país chorou ao escutar o coro popular: "fica, fica".

Pelé foi eleito recentemente pela Fifa o maior jogador do século 20, ao lado do ex-desafeto argentino Diego Maradona. A paz com o antigo rival foi selada no ano passado, quando a estrela brasileira concedeu entrevista no programa "La Noche del 10", apresentada pelo ídolo do Boca Juniors.

O ex-jogador da seleção brasileira também desempenhou o cargo de ministro dos Esportes, na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso. Hoje fora da vida pública, Pelé segue presente nos principais eventos do futebol mundial, como no sorteio da Copa, em que foi uma das principais atrações.

Zagallo
Ele não parava em campo, e por causa dessa mobilidade Zagallo sempre foi comparado a uma formiguinha. Ponta-esquerda habilidoso, destacava-se pela presença no meio-campo, onde jogando para o time, e nem sempre para a torcida, escreveu seu nome na história do futebol brasileiro.


Foi no Flamengo tricampeão carioca de 1953, 1954 e 1955 que Zagallo começou a desenvolver seu estilo: o ponta-esquerda tático, recuando para ajudar na marcação. Pudera: em um time que tinha Dequinha, Moacir e Dida, ataque não era problema. Cuidando da marcação, o ponta garantia a subida dos craques e, de quebra, um lugar importante no time. Os técnicos o adoravam. Na Copa de 1958, seu futebol disciplinado foi titular, enquanto Pepe, o "Canhão da Vila", teve de assistir ao Mundial no banco de reservas.

Isso porque Pepe se contundiu pouco antes do início da competição. Mas se a escalação de Zagallo foi uma decepção para os fãs do ponta santista, ela assegurou liberdade a Pelé e Didi no ataque.

No Mundial do Chile, lá estava ele de novo, criando e destruindo jogadas e marcando um gol. Quando a Copa terminou, os jornais estampavam as fotos de Zagalo chorando. Foi só coração em todas as partidas. Três anos depois, aos 34 anos, abandonou os gramados.

O nome de Zagallo já estava para sempre registrado na história do futebol brasileiro. Mas ele deixou os gramados para atuar como técnico, e a sua estrela continuou brilhando. Comandou o escrete tricampeão no México, em 1970, e teve participação importante na conquista do tetra, como auxiliar de Carlos Alberto Parreira.

Nilton Santos
Era atacante. Caprichava nos chutes, driblava, fazia gols. Foi parar na defesa por acaso porque, em 1948, quando chegou ao Botafogo-RJ, Zezé Moreira descobriu que ele também sabia marcar. Jogou - e bem - em várias posições da zaga e ajudou o alvinegro a sagrar-se campeão carioca de 1948, quebrando uma longa hegemonia do Vasco. Na Seleção Brasileira que conquistou o Campeonato Sul-Americano de 1949, virou lateral-esquerdo.

Mas Nílton gostava de atacar. E se isso hoje chega a ser uma exigência para um lateral vencer na vida, naquele tempo era considerado, no mínimo, um ato de irresponsabilidade. Não foram poucas as vezes em que ele topou com as desconfianças de um treinador por não se comportar como um mero marcador de pontas.

Por esse pecado, ficou na reserva da Seleção de Flávio Costa, que perdeu a Copa do Mundo no Maracanã, em 1950. Assistiu à tragédia brasileira do banco. Em 1954, porém, Nílton foi para a Suíça como titular. Nunca mais perdeu a posição, pelo menos em Mundiais. Esteve presente em todas as partidas das Copas da Suécia e do Chile, na campanha do bi.

É verdade que, em 1958, Vicente Feola ainda faria uma tentativa de substituí-lo por Oreco, um lateral mais pegador. Mas a classe e a visão de jogo do craque acabaram prevalecendo. Mesmo com os sustos que ele dava no técnico. Na estréia do Brasil contra a Áustria, a Seleção vencia por 1 x 0 quando Nílton Santos apanhou uma bola na esquerda, subiu ao ataque e, depois de tabelar com um atônito Mazzola, disparou para marcar o segundo gol do Brasil.

No Botafogo-RJ -único clube que defendeu-, jogando como quarto-zagueiro, formou ao lado de Didi, Garrincha, Amarildo e Zagallo a equipe bicampeã carioca de 1961 e 1962 e do Torneio Rio São Paulo de 1962 e 1964, uma das melhores do Brasil em todos os tempos. Considerado por muitos o melhor lateral que o mundo viu jogar, recebeu o apelido de Enciclopédia do Futebol. Abandonou a carreira em 1964, aos 39 anos, sem deixar dúvidas de que, de fato, conhecia todos os segredos da bola. De A a Z.

Gilmar
No início de 1951, o Corinthians anunciou com alarde a compra de um centro-médio do Jabaquara de Santos: Ciciá. De quebra, só para complementar o negócio, veio também um goleiro, Gilmar dos Santos Neves. Ciciá, como centenas de outros jogadores, passou. Gilmar, não.


Com a camisa do Corinthians, da seleção brasileira e depois do Santos, ele se transformaria em um dos melhores goleiros - para muitos, o melhor - que o país já teve. Consagrado como o dono absoluto da camisa 1 alvinegra, ele chegou a titular da seleção brasileira que, em 1958, conquistou o seu primeiro título mundial na Suécia. Titular absoluto nas duas primeiras conquistas mundias do Brasil, em 1958 e 1962, ele era símbolo de segurança lá atrás, enquanto gênios como Pelé, Garrincha e Vavá garantiam os gols lá na frente.

Djalma Santos
Queria mesmo era ser piloto de avião. Já o pai, soldado da antiga Força Pública paulista, preferia que ele seguisse a carreira militar. Até que um dia, vendo o filho jogar no Internacional (um clube de várzea do bairro paulistano da Parada Inglesa), convenceu-se de que o destino dele era outro. Djalma Santos havia nascido para ser jogador de futebol.

Djalma chegou a fazer testes no Ypiranga e no Corinthians. Mas os horários dos treinos eram incompatíveis com o de seu trabalho como sapateiro. Só ficou na Portuguesa porque o patrão concordou que ele trabalhasse à noite, para compensar as horas perdidas no clube.

Uma de suas jogadas características era a cobrança dos arremessos laterais com força, para dentro da área, onde havia sempre um companheiro em boa posição para o arremate.

Foi titular em apenas uma partida - a final, contra os donos da casa, vencida pelo Brasil por 5 x 2 -, substituindo De Sordi, que passara mal. O suficiente para ser considerado o melhor jogador da posição naquele Mundial. Na Copa seguinte, no Chile, em 1962 (quando já era jogador do Palmeiras), Djalma Santos se sagraria bicampeão mundial. Jogaria mais uma Copa, a da Inglaterra, em 1966, e disputaria 100 jogos.

Orlando
Aos 23 anos, Orlando apresentou na Suécia um estilo que mesclava firmeza e elegância – características que vinham desde as categorias de base. Orlando foi titular da seleção brasileira nos seis jogos da Copa de 1958 e disputou um total de 34 jogos. Sofreu apenas uma derrota com a camisa canarinho e nunca marcou um gol.


Em clubes, Orlando acumulou títulos por onde passou. Começou no Vasco em 1955 e, aos 20 anos, logo assumiu a posição de titular. Seu futebol é lembrado pelo vigor físico, que impunha respeito sem o uso de violência. Tinha uma ótima antecipação e uma marcação precisa.

Bellini (Capitão)
Naquele ano de 1958, não poderia haver honra maior para um brasileiro. Bellini foi o primeiro a segurar a taça Jules Rimet. A cena ficou eternizada na mente dos torcedores e marcou o início da dominação do futebol do Brasil no cenário mundial.


Bellini não tinha muita técnica. Era um típico zagueiro: raçudo, viril. Impunha-se mais pela presença e pelo jogo sério do que pela categoria, mas nunca precisou de violência para barrar atacantes. Por isso a torcida confiava nele. Com Bellini na área, não havia susto.

No 0 x 0 contra a Inglaterra, a partida mais difícil do Brasil naquela Copa, o atacante Mazzola perdeu um gol feito, entrou em pânico e começou a chorar. Bellini não teve dúvida: saiu lá de trás e, com um tabefe regenerador, repôs o companheiro no jogo.


Grande zagueiro e grande capitão, Bellini, no entanto, sempre foi mais lembrado pelo gesto que inventou ao receber a Jules Rimet. Com as duas mãos, ele ergueu o troféu acima da cabeça. Desde então, tem sido imitado pelos capitães de todas as seleções campeãs do mundo.

Didi
Didi (1929-2001) pode ser definido pelos dois apelidos que ganhou do escritor Nelson Rodrigues. Era o "Príncipe Etíope", pela rara elegância, beleza e frieza de seu jogo, e a "Mãe dos Pernas-de-Pau", porque com seus passes longos, precisos e geniais transformava atacantes comuns em goleadores implacáveis. Já para a imprensa internacional, Didi, jogador cerebral, cérebro das equipes, era "Mr. Football".

Foi durante as eliminatórias da Copa de Mundo de 1958, que o meia virou ídolo nacional. Faltavam 9 minutos para acabar o jogo contra o Peru, no Maracanã. Persistindo o 0 x 0, a vaga iria para sorteio. Didi cobrou uma falta para o Brasil. Quando o goleiro já via a bola ir passando por cima do travessão, ela caiu de repente, dentro do gol.

Era a "folha-seca", um chute cheio de efeito com a marca registrada de Didi. Depois, veio a consagração internacional. Titular absoluto e líder incontestável da seleção brasileira que venceu o mundial da Suécia, em meio a feras como Pelé, Garrincha e Zito, Didi foi apontado por muitos como o melhor jogador da Copa.

Foi o maestro da conquista do bi carioca em 1961 e 1962 e, mais uma vez, brilhou aos olhos do mundo na seleção nacional que voltou com o caneco do Chile, em 1962.

Zito
Na seleção brasileira, Zito estreou em 1956, pelas mãos do técnico Oswaldo Brandão. Seria bicampeão mundial, em 1958 e 1962, e também participaria da Copa do Mundo de 1966.


Em 1958, na Copa da Suécia, Zito foi convocado por para ser reserva do volante Dino Sani. Com a contusão de Dino, Zito assumiu a vaga de titular. A partir do jogo contra a URSS, o santista entrou no time e não saiu mais.

Seu único gol pela seleção foi na Copa de 1962, contra a antiga Tchecoslováquia. Depois de receber um cruzamento de Amarildo, Zito cabeceou direto para o gol. A partida foi vencida pelo Brasil por 3 a 1.

Zito se notabilizou por sua capacidade de organização e pelo exercício de comando dentro de campo. Quando preciso, dava duras broncas até em Pelé, mesmo quando o Rei do Futebol já era famoso.

Nunca foi um grande lançador, nem tinha um chute forte. Embora tenha entrado para a história como um extraordinário desarmador, Zito foi um craque completo, que também sabia criar jogadas.

Vavá
Vavá (1934-2002) ficou conhecido como um atacante raçudo que trombava com os zagueiros por pura fome de gol, mas, na verdade, ele veio do Sport Recife para o Vasco, em 1952, como um meia-armador de boa técnica. Foi Gentil Cardoso, então treinador da equipe carioca, que o transformou em centroavante.


Convocado para a Copa da Suécia, começou a competição na reserva de Mazzola. Por exigência dos titulares, entrou no 2º jogo e, apesar de só ter atuado em 4 das 6 partidas que o Brasil disputou, terminou o mundial com 5 gols. Fez mais: mostrou tanta fibra diante da violência dos zagueiros adversários que saiu consagrado como símbolo da bravura do Brasil campeão.

Em 1962, na campanha do bicampeonato no Chile, foi titular absoluto e teve, novamente, participação decisiva nas vitórias da seleção. Foi um dos artilheiros da competição, com 4 gols.

Seleção de 1958: deu muito o que falar.

"Crioulo burro! A cabeça é para um lado, a bola pro outro”
de Zito para Pelé que, inicialmente, também era enganado pelo drible do companheiro.

"Garrincha é um verdadeiro assombro. É um jogador como jamais vi igual."
Gavril Katchalin, técnico da União Soviética, após a derrota para o Brasil por 2 a 0

"Vamos lá, acabou a moleza, vamos encher esses gringos de gols”
Didi, após o Brasil sofrer o primeiro gol, na final.

"Chegou a sua vez, negão"
Dos companheiros Bellini e Didi para Djalma Santos, que substituiu De Sordi na decisão contra os suecos.

"A seleção brasileira era tão boa que eu temia começar a torcer por ela"
George Raynor, técnico da Suécia, adversária do Brasil na final.

"Campeonatinho mixuruco, nem tem 2º turno!”
Garrincha durante a comemoração da conquista da Copa do Mundo em 58.

"Eu fazia um lançamento e tinha vontade de rir. O Mané ia passando e deixando os homens de bunda no chão. Em fila, disciplinadamente".
Didi, sobre as atuações de Garrincha.

"Após o 5º gol, eu queria era aplaudi-lo"
Sigge Parling, zagueiro sueco que marcou Pelé no jogo final.

"Eles eram infernais. Ninguém os conteria. Se você marcasse o Pelé, Garrincha escapava e vice-versa. Se você marcasse os dois, o Vavá entraria e faria o gol. Eles eram endemoniados".
Just Fontaine, francês artilheiro da Copa, sobre a seleção.

"O Gilmar é o maior goleiro do mundo"
Lev Iashin, da União Soviética, considerado por muitos o melhor goleiro de todos os tempos.

"Vem aqui, king, falta mais um!"
Mário Trigo, dentista da seleção, em bom português, antes de abraçar o rei Gustavo Adolfo da Suécia após a final.

Relembrando a Copa de 1958

Modelitos de festa

Começou a temporada de festas no mundo publicitário capixaba. Ontem fui a mais uma. Comida da boa, muita bebida, bandinha mais ou menos e 4 tipos de convidados: os simplinhos, os bem arrumados, os mal arrumados e os completamente equivocados.

A rainha dos foras

Essa sou eu, muito prazer. É impressionante a quantidade de furos que eu já dei. Mas não se tratam de "furinhos", não. Em algumas ocasiões foram verdadeiros Grand Canyons. Por várias vezes eu desejei que o chão se abrisse e me engolisse inteira. Infelizmente isso nunca aconteceu e eu continuo por aí, uma Serial Mancada.

***


Reunião de família na casa de um tio. Conversa vai, conversa vem, começa a sessão de piadas. Claro que eu desfiei as minhas, todas de humor negro. O povo rindo muito, se divertindo com as mazelas alheias. Aí resolvi contar uma do aleijadinho: o aleijadinho que não tinha nem os braços, nem as pernas; resolve ir à praia com os amigos. Lá pelas tantas, depois de beberem todas, os amigos colocam ele numa poça d'água e vão jogar futebol. Só que a maré vai subindo... subindo... subindo... o aleijadinho, coitado, desesperado, começa a gritar, gritar, gritar e nada dos amigos ouvirem. Quando a água já cobria a ponta do nariz, ele avistou um homem que andava por ali. Pensou: "agora eu me salvo!" E desandou a balançar a cabeça pra lá e pra cá. O homem, muito bêbado, viu ele se sacudindo na água. Pegou ele com todo o cuidado e o jogou ainda mais para o fundo:
- Vai tartaruguinha, vai...

Quando acabei de contar, já às gargalhadas, reparei que só eu estava rindo. Na hora em que parei, ouvi até grilos, de tanto silêncio. Olhei pra vovó e ela balançou negativamente a cabeça pra mim. Logo ao seu lado estava minha tia, que perdeu a perna há um século, segurando a bengala e tentando levantar da poltrona. Foi horrível.

***

Sa, irmã de um amigo, passou num concurso federal e foi trabalhar numa cidadezinha do interior, Aracruz. Eu já conhecia o pedaço e falei super bem de lá. Tanto que ela me chamou para ficar na casa dela durante a festa da cidade. Lá fui eu, junto com outros amigos, fazer um programa rural. A noite prometia. Ia ter um "baile" dos bons e estávamos todos animadíssimos. A dona da casa dizia a todo o momento que ia se acabar de dançar, beber e beijar na boca; porque ainda não era conhecida nas redondezas. Afinal, a promotora de uma cidade tão pequena não pode se dar a esses desfrutes. E lá foi Sa, toda faceira, de salto alto, rebolativa. Dançou horrores e tomou todas. No outro dia, acordamos na maior ressaca, inclusive ela. Enquanto tomava café da manhã, às 12h, Sa passou por mim andando com dificuldade no passo: tá fundo, tá raso, tá fundo, tá raso. Eu, engraçadinha:
- É, Sa! Se acabou mesmo, heim? Nem tá andando direito! – e dei uma gargalhada.
Grilos.
- Anna, é que a Sa tem um problema sério na perna – respondeu Marcela.
- ...
Grilos.
- Gente, eu nem vou tentar consertar. Foi mal, Sa – falei num fio de voz.
Claro que vim embora logo depois do café.

***

9h. Estava indo pra agência, que ficava no 5ª andar, com o Fabiano. Na porta do elevador, tinha uma Sirigaita parada.
- Oi, geeeentem.
- Oooooooooi – falou Fabiano, que não pode ver uma mulher.
- Que bom que chegaram. É que eu tenho medo de entrar no elevador sozinha.
Ô dó. Eu medi a Zinha da cabeça aos pés. Salto alto, saia jeans – modelo abajur de piriquita – cinto e blusa de alcinha com estampa de onça (que nem estava na moda). Além de baranga, era cafonérrima.
Olhei para o Fabiano e ele só faltava pular no decote da mulher. Eu ri. Ela saiu no 3º andar e subimos gargalhando do medo da moçoila. Os colegas da agência estavam sentadinhos pelo corredor porque alguém tinha esquecido a chave. Um deles me deu o lugar no sofá e eu sentei ao lado da nova estagiária, contando da Zinha.
Eu: Gente, a essa hora da manhã! Aquilo não era uma blusa, era um sutiã disfarçado! E de onça! Quem, a essa hora da manhã, vai usar uma estampa de onça??? Onça a essa hora??? Quem??? Nem tá na moda! Tem que ser muito cafona mesmo, viu?
Fabiano: Anna, pára! – e apontou para a estagiária.
Quando eu olhei, a menina estava... com uma saia de onça! Praticamente uma Juma Marruá.
Eu: ...
Grilos.
Eu: Ahhhhhhhhhhh... tô arrasada! – e soltei uma gargalhada.
O povo riu muito, muito com a situação, inclusive eu. Ela ficou sem graça, coitada.

Madonna no Brasil em 2008. Será?

Tour Sticky & Sweet. Será que depois de 15 anos, a Madonna realmente vai voltar ao Brasil? Espero que sim. Lembro como se fosse hoje: eu e minha amiga Lucrécia, enfiadas num ônibus de excursão, loucas de expectativa para conferir ao vivo, o espetáculo que essa mulher é no palco. Eu adoro dançar ao som da Madonna. É isso que ela é: dançante e contagiante.

Confesso que já fui muito mais fã dela, mas se ela vier realmente, tenho certeza de que aquela empolgação toda do primeiro show voltará. Pena que as notícias estejam tão desencontradas, o que me deixa desconfiada de que não passa de pegadinha para nos iludir. Ainda bem que tive o prazer de conferir a primeira apresentação. E na primeira fila.

A passagem de Madonna pelo Brasil, 1993

Ela estava rodando o mundo com seu THE GIRLIE SHOW e eu não poderia perder a apresentação no Brasil. Arrumei uma excursão e viajei, escondida da minha família, para o Rio. Fui uma das primeiras a entrar no Maraca e logo ouvi a voz dela. Não acreditei no que vi: a Material Girl estava no palco ensaiando! Muito branca, de short jeans e bota preta, ela passava em cima dos bailarinos deitados a poucos metros de mim. Feliz da vida, vi o restinho do ensaio que está nesse vídeo. Nossa, foi demais ver aquelas pessoas gritando e saber que eu era uma delas. Eu tava muito perto, gente!

Logo depois um cara pulou de pára-quedas dentro do estádio. Isso mesmo. Passou um aviãozinho e só vimos um paraquedista se aproximando. Veio, veio, veio e pimba, no gramado (não lembro se o campo estava coberto). A galera aplaudiu e gritou muito. Não era ninguém fazendo propaganda e lembro que tiraram o cara rapidinho. Vai ver ele não gosta de enfrentar filas e furou em grande estilo. O mais engraçado foi um casal que estava do meu lado. Um calor do cão e os dois vestidos de freiras. O detalhe é que eles apareceram várias vezes na televisão. Ainda bem que eu não dei as caras, afinal de contas, o povo lá de casa nem imaginava que eu estava na muvuca. A Madonna tinha acabando de lançar Na Cama com Madonna e aquele livro escandaloso. O comentário geral era que teria até sexo grupal no palco (ai, ai). Então fiz isso: disse que ia ali e fui lá. Esse povo atrasado atrasa é a vida da gente.

O show foi demais. Com dezenas de bailarinos, modelitos lindos e palco gigante, o espetáculo possui ares teatral, com performances bem coreografadas e a presença marcante da Madonna em todos os momentos. Nunca tinha ido ao Maracanã e foi lindo vê-lo lotado, musical e muito lindo. Totalmente inesquecível.

Saber e não fazer, ainda não é saber.

"Diz a sabedoria indígena que quando não cumprimos o que prometemos, o fio da nossa acção que deveria estar concluído e amarrado em algum lugar fica solto ao nosso lado. Com o passar do tempo, os fios soltos enrolam-se em nossos pés e impedem que caminhemos livremente, ficamos amarrados às nossas próprias palavras. Por isso os nativos têm o costume de "pôr as palavras a andar" que significa agir de acordo com o que se fala; isso conduz à integridade entre o pensar, o sentir e o agir no mundo e nos conduz ao caminho onde há harmonia e prosperidade."

in pequenarussa.blogspot.com

E esses fios soltos também se embolam nas pernas de quem caminha por perto. Achei isso tão perfeito.

Novo visitante



Depois dos macacos, da caranguejeira, da cobra e dos milhões de calangos que circulam diariamente pelo jardim da agência, semana passada apareceu outro bicho por aqui. Batizamos ele de briefing porque vivemos perguntando pro atendimento:
- Cadê o briefing?

Atendendo a pedidos: Maria Paula ficou com Ferraço

Quem viu Duas Caras sabe do que estou falando. Quem não viu, eu explico: no começo da novela, Adalberto se fez passar por bonzinho para dar um golpe na pequena órfã. Na mesma noite em que enterrou os pais, Maria Songa Monga perdeu sua virgindade, e todo o seu bom senso, para um cara que tinha acabado de conhecer. Fugiu, casou e passou o recibo de otária quando fez dele o seu procurador. Logo depois, o espertalhão vendeu todos os bens da Maria Burra, deixando apenas um herdeiro manipulador no bucho, que ele não sabia existir, ou era capaz de esperar o moleque nascer para comercializar também.

Corta. Passagem do tempo. 10 anos depois, Maria Vingadora chega ao Brasil e encontra Adalberto, que mudou a cara e o nome para Ferraço. Ela faz um escândalo, Ferraço manda matá-la, mas os capangas não conseguem. Ao descobrir que tem um filho, resolve envolver a criança de tal modo que tornasse impossível a Maria Desorientada denunciá-lo. Passa dezenas de capítulos falando que o guri é insuportável, o que está cheio de razão. Essa foi, basicamente, a história principal.

Que desfecho esperar de uma trama assim? No mínimo que a Maria Tonta ficasse mais esperta depois de tanto perrengue. Mas não. Ela terminou o folhetim nos braços do Ferraço, numa praia paradisíaca. Porém, o mais chocante pra mim foi descobrir que a novela só teve esse final porque milhões de pessoas pediram. E olha que Aguinaldo Silva não deixou dúvidas quanto ao caráter do personagem. Nem precisava abrir sindicância, CPI, contratar detetives, recorrer a testemunhas, ou a mães de santo. Tava tudo preto no branco. Ele era o vilão da vez. E mesmo assim, depois de tudo isso, as pessoas torciam pelo casal! Alguém, por favor, pode me explicar esse fenômeno? Melhor: desenhar? Porque palavra alguma vai me convencer de que isso faz sentido. Por que ele é bonitinho? Por que é rico? Por que é carismático? Por que ele colocou o nome dela na boca do sapo?

Sei que estou sendo repetitiva, mas é para ver se consigo digerir esse absurdo pois não se trata apenas de uma novela. Trata-se da capacidade preocupante de discernimento que esses brasileiros possuem: a de uma ameba.

Para a reconciliação não ficar muito constrangedora, o autor foi obrigado a dar uma melhorada na imagem do Ferraço. Ele começou a gostar do filho, demonstrou amor pela Maria Enganada a ponto de tomar um tiro no lugar dela.

Agora ficou mais fácil de entender porque tantos políticos corruptos voltam ao poder mesmo quando são envolvidos em escândalos de impitchaman, prisões, falcatruas, desvios, superfaturamentos, envolvimentos com tráfico e por aí vai. Em sua grande maioria, os brasileiros assistem a tudo de camarote, batem palmas e torcem para que esses vilões da vida real transformem-se em mocinhos. Acham que vale a pena reeleger aqueles que roubam, mas fazem; como se fosse um ato de boa vontade. Ou nos políticos bonitões, com caras de bons moços. Existem também os que vivem fazendo churrascos para a classe trabalhadora, da qual, evidentemente, ele nunca vai fazer parte. Outros confessam suas safadezas, se dizem arrependidos e se lançam com ícones da verdade. Mas não adianta. Brasileiro não se emenda. Basta o sujeito ter carisma e uma boa conversa, que vai haver sempre mais uma chance, mais uma esperança.

Voltando à novela, sabe o final que eu gostaria de ter visto? O Ferraço ferrando de novo a Maria Esperançosa. Queria que ele fizesse o pentelhinho do Renato detestar a mãe, que por sua vez ficaria gorda, varizenta, com o cabelo pichaim e casada com o chato do deputado paquito. Só para o povo largar de ser besta e aprender a nunca mais torcer para uma criatura comprovadamente mal caráter. Pelo menos na ficção.

5 anos em 5 horas

Uma mulher de 34 anos gasta um rim no salão para ter os cabelos parecidos com uma modelo que viu na revista. Depois de quase 5 horas parecendo um fio desencapado com tanto papel alumínio na cabeça, existe coisa pior do que se achar mais feia com o resultado? Existe. Se achar mais velha. Voltei correndo 4 dias depois e desfiz tudo, ou melhor, quase tudo. Ufa.

Paulista por 7 dias

Nunca tinha chegado tão cedo, às 19h. Sabia que ia pegar um congestionamento monstro, mas não imaginava que ele começaria antes mesmo de sair da calçada de Congonhas. Centenas de pessoas aguardavam lá fora, em duas filas quilométricas, a entrada e saída dos táxis. Não estou exagerando. Cada fila tinha, no mínimo, 100 pessoas. Já no final da que considerava ser menor, comecei a mandar torpedos para meus amigos: Thiago tentava falar com uma taxista conhecida; Hugo estava em reunião e só recebeu a mensagem bem depois. Torci para que os motoristas encarnassem o Airton Senna e diminuíssem o meu tempo de impaciência. Pouco depois percebi uma movimentação do outro lado da rua. Eram os passageiros inteligentes que programaram com antecedência sua entrada na cidade. O táxi chegava, o motorista gritava o nome e a pessoa entrava, suspirando de alívio por não ser uma idiota inocente. Fui observando o movimento e me aproximei de um carro parado:
- Você está livre?
- Não. Espero por Fulana.
- Ahhh...
Cabisbaixa, voltei para linha de trás, querendo me açoitar por não ter pensando nesse transtorno antes. Minutos depois, uma voz chama:
- Renata! Renata!
O táxi andava devagar.
- Renata! Renata!
Outros nomes foram gritados, mas só um ecoava em meus ouvidos: Renata, Renata. Olhei para um lado, olhei para o outro e nada da Renata. Foi mais forte do que eu. Quando dei por mim estava correndo com o braço levantado, arrastando a malinha, berrando feliz e sem qualquer vestígio de escrúpulo:
- Sou eu! Sou eu!
Depois de jantar fui para A Lôca, um inferninho underground super conhecido em SP. O lugar me lembra uma caverna, com uns objetos de tortura e um banheiro unisex. Mas eu adoro a energia das pessoas. Todo mundo descolado e simpático, aberto a conversas e interessado em conhecer gente nova. O melhor dia é quinta-feira, em que há uma grande mistura musical e maior leque de opções sexuais. O mais engraçado é ouvir “você é lésbica ou hetero?” ao invés de “qual o seu nome?”. É que além de mim, do Thiago e do Hugo, sempre tem muito S lindo dando pinta por lá. A noite só acabou quando o sol estava alto. Mais, eu não conto.

Sexta-feira

Como andava meio enferrujada, passei a sexta-feira a beira da morte de tão cansada. Só saí para jantar e mais tarde conheci um pub pertinho de casa, o Barnaldo Lucrécia, onde comemoramos o aniversário da Vilma. A Vilma, aliás, foi uma grande companheira nesta viagem. Valeu!
O lugar é acolhedor, com 2 andares, mesas juntinhas, música de primeira qualidade e muita gente interessante que se deleitava com a presença uma das outras. Mais, eu não conto.

Sábado








Fui ao Ibirapuera ver a exposição do Star Wars. A mostra não é grande, mas quem disse que tamanho é documento? Logo na entrada, ouvimos o tema musical magistralmente composto para a saga e fomos transportados para o mundo que George Lucas concebeu. O mais legal foi saber que as roupas, as maquetes e, principalmente, o sabre de luz, foram usados realmente nos filmes. Tirei muitas fotos, para o desespero do Thiago, que ficou preocupado da bateria acabar sem que o Darth Vader fosse devidamente registrado. Me deu a maior vontade de ver os filmes novamente.

Antes de cair na balada paulista, eu saboreei um jantarzinho delicioso feito pelos Mestres Cucas: Aguinaldo e Hugo. Enquanto eles cozinhavam, eu me divertia com o papo e com o vinho aberto para o molho. Ainda bem que o molho não levava muito da bebida de Baco.

Quase rolando depois da comilança, lá fomos nós para a Smoove, onde o repertório era recheado dos anos 80. Mesmo não gostando da cara do povo, eu dancei muito com nossa turma, até porque foi a primeira vez que o Gui conseguiu sair junto e quando conheci a Karla, uma amiga show dos meninos. O resto? Nem te conto.

Domingo

Acordamos tardão e fomos almoçar numa cantina italiana. Mesa grande, amigos famintos e uma boa comida regada a ótima conversa, sorrisos fartos, risadas, causos apimentados e carinho. Assim passei boa parte da tarde no domingo: me sentindo em família.

À noite fui ao teatro ver Miss Saigon. Mesmo sendo uma história meio batida com encontros e desencontros, o musical é um escândalo de lindo e consegue ser surpreendente. Eu fiquei fascinada com os bailarinos, as vozes, as músicas, os efeitos, os figurinos, as mudanças no palco. É imperdível.

Depois de comermos pizza, me recusei a ir para casa dormir. Afinal, no outro dia meu destino seria Santos e não queria perder meu resto de domingo. Resultado? Fui sozinha para A Lôca e dancei a noite inteirinha. São Paulo me assim: independente. Mais, eu não conto.

Segunda-feira

Enfim conheci o neném da minha irmã de coração, a Lucrécia. O nome dele é Tiago, nasceu dia 30 de abril com 4 quilos. O moleque é muito fofo, dorme bem e come melhor ainda. É muito especial ver um casal tão querido como a Luka e o Osmar realizar o sonho de ter um filho. Foi um dia maravilhoso. Conversamos muito, vimos fotos, relembramos nosso passado e pensamos no futuro. Pena que tive que vir embora logo no outro dia, com o coração na mão, mas a certeza de que ela e Osmarito serão ótimos pais.

Terça-feira


Vim de Santos depois do almoço com a intenção de ir direto para casa. Mas mudei de idéia no metrô ao lembrar que ainda tinha uma exposição para conferir: “Direito à memória e à verdade – A Ditadura no Brasil”. Fui direto para a Estação Pinacoteca e gostei muito do que vi.




Alguns painéis enormes contavam a época mais barra pesada do Brasil. Olhando para trás, é difícil visualizar nosso povo sendo caçado, exilado, humilhado, torturado e morto para segurar a soberania de um governo absurdamente equivocado, corrupto e truculento.


Gostei muito da segunda parte, onde as celas serviram de cenário para fotos, letras de música e poesia. Só acho que os cubículos deveriam ser mais reais, com marcas de sangue, unhas, buracos e todo o horror que as pessoas que passaram por aqueles lugares deixaram gravadas na história.





Comemoramos novamente o aniversário da Vilma. Agora com direito a bolo maravilhosamente feito pelo Gui, bola de soprar, parabéns e muita gargalhada. A festança aconteceu na cozinha, ampla e convidativa, e teve a participação de amigos dos amigos. Depois se estendeu para o resto da casa, mais precisamente para o quarto do Alê, que está mais para boate e pronto para receber todas as ramificações da grande família Paraíso.

Mas como a noite é uma criança e eu adoro uma boa diversão, fui com o Aguinaldo, a Karla e o Maurício para minha despedida em grande estilo: D.Edge. A boate é bacanérrima! Tem luz piscando por tudo quanto é lugar, um bom canto de poltronas em U. Mesmo não curtindo música eletrônica a noite inteira, eu gostei de lá. A D.Edge é estilosa. Foi uma boa pedida para terminar a noite. Pena que os outros amigos não puderam ir.

Declaração de amor aos que me apresentam SP até hoje

Depois que escrevi minha declaração de amor a São Paulo, relembrei alguns momentos especiais que passei por lá. Eles só foram possíveis graças aos meus amigos: Thiago, Aguinaldo, Hugo e Alexandre. São eles que cuidam para que meus dias sejam elétricos, culturais, alegres e muito felizes. E o grande responsável por isso é o Thiago, meu irmão lindo, que abriu as portas da Avenida Paulista para mim e que, agora, me leva ao Paraíso, junto com os outros meninos. Gui, o cara mais alto astral que conheço. Como eu gosto de você! Hugo, meu guia por caminhos antes nunca trilhados. Alê, o caçula da casa. O grande responsável pela minha alimentação nas viagens anteriores. Obrigada por tudo, queridos.

Declaração de amor a São Paulo

“Você tem um namorado em SP?”
“SP? De novo? Aposto que arrumou uma paixão por lá.”

Sempre ouço isso quando vou a São Paulo. A verdade verdadeira é que eu me apaixonei instantaneamente desde a primeira vez que botei meus pezinhos 34 na Terra do Nunca. Culto. Estiloso. Musical. Cosmopolita. Gastronômico. Surpreendente. Agitado. Charmoso. Interessante. E que sempre me deixa extasiada. Como não ser arrebatada por um lugar assim? Eu amo São Paulo. São Paulo me excita. Me faz sentir mais viva. Mais livre. Mais leve. São Paulo me arrebata com sua diversidade cultural. Me esquenta com sua vida noturna. Me empolga com o desfile de suas várias tribos. E nessa passarela todo mundo faz parte do espetáculo, inclusive os turistas, que são convidados ao palco, interagem, quase nunca em monólogos. São Paulo acolhe. Inclui. Instiga. São Paulo é um horizonte tão colossal que abre outros. Os meus nunca mais foram os mesmos depois do primeiro contato. E nunca tornarão a ser.

Férias em SP – Preciso de dicas.

Estarei de férias a partir de segunda-feira e vou quinta-feira, literalmente, para o Paraíso. É nesse bairro de São Paulo que moram meus amigos lindos e responsáveis pelos dias incríveis que eu passo na Terra da Garoa.

Como das outras vezes, estou procurando o que fazer nesta viagem, mas agora não fiz grandes achados. Alguém pode me ajudar? Agradeço também aos que indicarem Casas Noturnas freqüentadas por gente que, ao menos, já tenha saído da faculdade. Não quero correr o risco de ser chamada de Tia na balada.

Dia 15 – 5ª feira (à noite): A Lôca.
Dia 16 – 6ª feira (dia): Exposição sobre a Ditadura Militar na Estação Pinacoteca e Museu da Língua Portuguesa - (noite): Festa não sei aonde.
Dia 17 – Sábado: Exposição sobre Star Wars, no Ibirapuera. (noite): não sei.
Dia 18 – Domingo (dia): Não sei o que fazer. (noite): Miss Saigon, no teatro. (+ à noite): não sei.
Dia 19 – 2ª feira a 3ª feira: vou a Santos
Dia 20 – 3ª feira (noite): não sei.
Dia 21 – 4ª feira: Viagem de volta.

De Casas Noturnas, conheço: Laterna, Bubu, The Hall, Clube Glória, Bar Barô, Geni e All Black.

Ajuda, gente!

Para não perder negócio

O pai de uma amiga é dono de um bordel. Logo no começo do empreendimento, um conhecido dele perguntou:
- E se não der certo?
- Eu como o estoque.

Viciada nele

Ele é como uma droga. Agora ela tem certeza. Só agora reconhece o vício. Ela achava que podia parar quando bem entendesse. Que era mais pele. Que depois de tanto tempo, os beijos famintos não alimentariam os antigos sentimentos. Seria somente daquela vez e pronto. Mas não há meio termo para viciados. O torpor era forte, e antigo. Anos se passaram. Ela esquecera sua intensidade. Infelizmente, como sob efeito de drogas, ela nunca consegue ser totalmente ela perto dele. As gargalhadas que os sacodem pela Internet ou pelo telefone ficam mais fracas pessoalmente. É estranho. Ele também sente a diferença, ela sabe. É frustrante. Eles têm muito em comum, várias coincidências os intrigam. Discordam, igualmente, em dezenas de opiniões. É normal. Se o encontro fosse constante, ela não seria arrebatada facilmente. Ele seria real, não inventado. Não imaginado. Não ansiosamente aguardado. Ela só pula quando sente firmeza em suas asas. Com ele, esqueceu até do pára-quedas. Devia ter desconfiado. Ela ainda deseja que ele vire uma droga de farmácia, daquelas que curam. Resultado dos alucinógenos. Mas agora ela consegue enxergar o vício. Agora ela o leva a sério. Porque jamais quis ter uma overdose. Nem agora, nem nunca.

Pé Picolé


Meeeeeeengooooooooooooooo!
Mengooooooooooooooooooooooooooo!!!
Meeeeeeeeeeeeeengoooooooooooooooooooooo!!!
Uma vez Flamengo, sempre Flamengo!!!

Fiquei muito feliz com o resultado do jogo de domingo. A alegria só não foi completa porque não pude ver o jogo todo. Por quê? Porque sou pé frio. Na verdade, pé gelado. Quando o jogo começou, eu fiquei irritada com o gol que não saía. E, quando saiu, me deixou histérica, já que foi contra o meu time do coração.

- Mãe. Quer ver? Eu vou sair da sala e o Flamengo vai empatar.
- Então vai.
3 minutos depois:
GOLLLLLLLLLLLLLL DO FLAMEEEENGOOOOOOOO!!!
- Você está proibida de voltar à sala.

Só me restou ir para o quarto ler e torcer para que mais gols viessem. Graças a Deus vieram. E a cada um, eu corria aos gritos pra sala ver como tinha sido.

***

Resolvi conferir o desempenho da nossa capixabinha no SOLETRANDO do Caldeirão do Hulk. Nunca tinha visto a pequena em ação. E a bichinha é boa mesmo, mas ela não contava com a minha torcida. O que aconteceu? Ela soletrou eremitário com H!!!

Andréia Schwartz - ela quer ser prefeita.

“Quero trabalhar para acabar com a exploração infantil e a violência contra a mulher. Também quero trazer o turismo para o ES, que está sendo conhecido internacionalmente agora, por minha causa”. Essas palavras foram da tal capixaba envolvida no escândalo que ajudou a derrubar o ex-governador de NY. Os americanos dizem que ela era cafetina. Ela jura que a boa grana foi através de amizades importantes. Uhum, seeei. Lá em casa isso tem outro nome. Alguém avise a essa senhora que não queremos grigos interessados em turismo sexual.

Andréia parece ter tomado gosto pelos cargos públicos. Segundo a reportagem de A Tribuna, ela está em negociação com um partido e pode até ser candidata a prefeita de um município do estado. Poderia escrever páginas e mais páginas sobre o absurdo que Andréia pretende fazer: levantar a bandeira da violência contra a mulher, logo ela, que ganhou muito dinheiro vendendo o corpo de várias. Como nos EUA o buraco é mais embaixo, o pé de meia que ela fez, furou. Mas do jeito que nossa política é uma putaria, é bem capaz dela ganhar a eleição.