Infelizmente acabei passando outra noite dentro de outro camarote. Mas este dia foi bem mais legal. Tive que ir novamente à tal Feira negociar outros abadás e a escolha foi... acertada, digamos assim. Como íamos tarde pra casa, a Gabriela – veterana em Salvador – se ligou que tínhamos que escolher um camarote que ficasse no final do percurso, claro! Chegamos bem a tempo de ver o Chiclete passar, arrastando um bando de foliões animadíssimos no Nana Banana. Depois que acabou, subimos pro tal Othon, o famoso hotel, que me deixou de boca aberta! Era enorme e lindo demais! Logo na entrada ganhei um escapulário com Nossa Senhora de um lado e o Sagrado Coração de Jesus do outro. Foi o melhor presente do carnaval. Estou com ele até hoje. Depois comecei a perceber a riqueza do lugar, com uma grande praça de alimentação na entrada e um palco, onde os sambistas alegraram a galera. Mais adiante, tinha um monte de poltrona, pufes e telões onde passavam imagens dos blocos que estavam em frente ao camarote. Vendo o Asa passar, pensei: "Que droga. Queria estar lá." Mas fui em frente, sem tromba. Lá também tinha acesso à Internet, salão de jogos, boate, cinema, customização de abadás, cabeleireiros e nem sei mais o que. A "varanda", era muito extensa, mas o povo se amontoou e não deu pra ver bloco algum, só ouvia... uffffffffff... bem, capricharam também nessa decoração de fora. Forraram o teto com um tecido lindo, pintado com aquele tipo de tinta que "acende" em contato com certas luzes. Isso sem contar a passarela que ligava o Hotel ao outro lado da rua, onde a impressa trabalhava vorazmente. Muita gente bonita completava o visual. O Othon arrasou mesmo. Tinha tudo do bom e do melhor. Eu me diverti muito com a Gabi, a Marcela, o Jônio e o Murilo. Mas mal conseguia esperar pelo Camaleão no domingo.

Sexta: Camarote Oceania






O dia foi bem puxado. Depois de uma longa viagem, ainda tivemos que ficar horas embaixo de um sol arretado tentando vender e comprar abadás. E pra piorar, não conseguíamos escolher qual o camarote da noite. Compramos o Oceania, uma péssima opção pelo adiantar da hora porque ele fica no começo do percurso, em frente ao Farol da Barra. Ou seja, como já era tarde e ainda fomos em casa, pegamos um trânsito horrível e tivemos que andar um bocado pra chegar ao local, só chegamos depois das 21h e perdermos os blocos que mais gostamos. Ô raiva! O camarote é lindo, nem dá pra reclamar. Logo na entrada tinha uma escadaria com um belo tapete vermelho, um grande salão com muita comida e bebida. Colocaram uma mini-arquibancada na varanda, que era em L porque o prédio é de esquina, e dava pra ver direitinho os blocos. Em outro local, com ar-condicionado, tava rolando o show do Marcelo D2, a boate e o acesso à Internet. Ganhei alguns mimos de patrocinadores e tive muita mordomia. Mas nada disso me comprou. Só de imaginar que estava em Salvador, no carnaval do encontro dos Trios Elétricos, e presa lá em cima, naquele ambiente de festa, ao invés de sentir a vibração das caixas do caminhão... putzzzzzzzz... fiquei deprê. Avisei aos meus amigos que no outro dia ia sair num bloco. Que não ia a outro camarote nem que a vaca desse a volta no trio.

Tentando definir o que é o carnaval de Salvador

Eu não sei por onde começo. Se falo como expectadora ou como participante. Vou iniciar por um sentimento que o Jônio traduziu em palavras: “como eu nunca vim passar um carnaval aqui antes?!”. E um click que eu tive ao saber de uma notícia ruim transmitida pelo Jornal Nacional através de uma amiga: “gente... há vida real fora daqui”. Isso é Salvador. Gabriela, Marcela Buaiz, Simone e outras amigas tinham me alertado sobre o efeito que Salvador causa nas pessoas. É como se o tempo pareasse e só existisse aquele momento de diversão. Nada do que acontece fora dali tem importância. Apesar de ser apaixonada por Trio Elétrico e ser tiete do Chiclete, eu, no fundo, achava um certo exagero em tudo o que elas diziam. Bem feito. O susto foi pouco pra mim. Vou tentar fazer um resumão e depois entro em mais detalhes com outros textos.


O carnaval é grande. Enorme. Gigante. Estrondoso. Há um investimento tão mega na cidade, que chega a ser palpável o dinheiro que circula. E nem precisa chegar lá pra sentir. Senti o arrepio desde o aeroporto daqui de Vitória, onde um cara embarcou com uma bolsa e camisa do Camaleão. Na conexão em BH a mesma coisa: os foliões com suvenir de outros carnavais, literalmente. Quando entrei no avião da TAM ganhei das mãos do piloto um folhetinho do Novo Ford Ka e, durante o vôo, um Kit do Camarote do Nana foi sorteado. Imagine a minha cara, como publicitária? Por pouco não tive um orgasmo.

É tudo muito bem pensado, muito bem planejado. Eles constroem uma estrutura tão fantástica que é difícil de acreditar. Eu conheci 2 camarotes: Oceania e Othon. Acho que nunca tirei tanta foto na vida. Tudo lindo. Tudo perfeito. Um parque de diversões para clientes e patrocinadores. Eu ganhei um monte de mimos e guardei tudo. O porta-Trident virou porta-dinheiro quando fui pra avenida. Eu pendurava a cordinha no pescoço e enfiava a caixinha dentro do top. Pena que não conheci 3 camarotes que queria: Nana Banana (nem preciso explicar); do Reino (Asa de Águia), que tem uma pista onde o cantor sai do Trio, entra no camarote e passa pertinho da galera; e da Central, que tem CINCO MIL m2. O mais legal desse é que fica numa esquina e tem um mirante looooooooongoooooooooo, onde dá pra acompanhar um pouco o trio. A Marcela e o Jônio, casal que foi conosco, foram na segunda e adoraram.


Camarote é legal, mas o que me levou a Salvador foi o Trio Elétrico. Mais precisamente, o Camaleão, comandando pelo Chiclete com Banana. Acho que este ano foram uns 35 blocos. Imagine isso: 35 caminhões com seus carros de apoio, rodando com dezenas de cordeiros, mais a Patrulha e mais outras funções, porque tinha um monte de gente lá com camisas de diferentes cores. Esse pessoal consegue tirar uma graninha. Não tanto quanto as bandas tiram da gente, claro, porque os abadás não são baratinhos e eu tive que preparar o bolso desde julho. Cada folião do Camaleão paga em torno de R$ 700 por dia. São mais ou menos 4 mil foliões/dia. São 3 dias do bloco, que é o mais caro, o maior de todos e o mais procurado. Façam as contas. Entre a galera dos Trios não tem tempo ruim. Além do Axé, tinha o eletrônico, com o Tiesto e o Fat Boy, e até rock! Lá do Oceania eu juro que vi o Double You agitando a galera!!! Fiquei passada! Junto com o Asa também tinha uma dupla sertaneja. Algumas pessoas acham isso ruim. Eu não acho. Acho que lá tem espaço pra todos os ritmos porque não é como um show, por exemplo. O espaço é gigante e as pessoas escolhem em qual bloco vão construir sua alegria.
Junto com o carnaval, teve a tradicional festa de Iemanjá. Não deu pra ir, mas isso atrapalhou um pouco o trânsito, que logicamente fica comprometido. Na sexta, foi um parto conseguir chegar no camarote e o motorista nos cobrou os olhos da cara. Mas tudo bem, o cara colocou 5 no táxi e demorou 1 hora escutando aquele tipo de história que só tem graça quando você conhece o protagonista. Nos outros dias o trânsito estava bacana e não fomos mais extorquidos.

Quem não conseguir comprar o abadá ou decidir que não vai mais, não se desespere. Tem uma feira lá que é o bicho. Tem tudo quanto é tipo de bloco e camarote. O problema é negociar. Eita gente esperta. Se você pede 200 reais, eles oferecem R$ 100. Junte isso a horas de viagem, mais as malas no carro, mais a uma multidão que grita sem parar, mais um tempão debaixo de um sol arretado. No final, o Jônio estava segurando um papel escrito VENDO TAL CAMAROTE; eu, com um abadá pra cima, fingindo que tampava o sol. Se demorasse mais um pouco tinha trocado por 1 picolé de água da torneira. Acha que tô exagerando? Dê uma boa olhada nas fotos.
Além das ótimas lembranças, trouxe um bocado de roxos pra casa. Se você é fresco ou mole e não agüenta safanões, fique bem longe dos blocos. Pra encarar uma avenida em Salvador, tem que ter garra, equilíbrio e controlar a vontade de fazer xixi. No domingo, caí na besteira de tomar cerveja depois que meu whisky acabou e tive que ir ao banheiro. Perdi uns 20 minutos nessa brincadeira e ainda me aborreci com uma estúpida que encasquetou que eu tinha furado fila. Pobre braço de Gabriela, que segurou meu lugar à força. Algumas mocinhas são mais... livres, vamos dizer, e usam biquínis por baixo de shorts de tactel e fazem ali, em pé, ou agachadas no meio de rodinhas de amigos. Aí, é só acertar a calcinha e jogar uma aguinha no melhor estilo “lavou, tá nova”. Eu ainda não consegui tal proeza e acabei ficando sem ir banheiro das 13h às 21h, pelo menos.

Os nativos são tão ou mais calorosos do que o clima. São generosos (menos os comerciantes da Feira de abadás), prestativos e muito, muito simpáticos. O Murilo, por exemplo. Foi nosso anjo da guarda. Valeu, cara. Já disse antes e repito agora. Você é TUDO!!! :o)

Espero ter conseguido fazer um apanhado do carnaval. Depois dou mais detalhes e coloco + fotos dos camarotes, dos trios e de tudo o que consegui perceber. Vou falar mais como participante.

Tira o pé do chão, meu rei.

Tirei tanto os pés do chão em Salvador que estou com minha cabeça nas nuvens até agora. Tá difícil voltar à vida normal. No final de semana eu tento contar um pouco o que é o carnaval na capital baiana. Mas uma coisa eu já adianto: não havia outro lugar no mundo onde eu gostaria de ter passado tantos dias felizes.

Chiclete com Banana - Voa Voa

Minha cabeça já está em Salvador. Só falta o corpo subir no avião e vestir o abadá.

Doce e melancólica

Adoro este filme. Adoro esta música. Revi na sexta-feira e prestei mais atenção na letra traduzida. Fiquei melancólica. Mas tudo bem, porque a melancolia é um jeito romântico de ficar triste, como diria Mário Quintana. Triste sim, mas sem perder a poesia do momento, sem se arrepender do que foi bom, sem medo de querer mais enquanto a vontade existir.

Tradução: http://letras.terra.com.br/roxette/71062/

Ps. Não é "love". Mas não me pergunte qual outra palavra substitui.

Papo de família

Conversa do meu tio e a esposa quando estavam perto de vários outros parentes. Ele tem uns 67 anos e ela uns 62.

Ela: É... já tem tempo que você não me procura mais.
Ele: Também, você não se esconde.

A sala foi abaixo com tantas gargalhadas.

NASA informa: Fim do mundo está próximo

"Os astrônomos a apelidaram de "Nuvem do Caos" porque ela dissolve tudo o que encontra em seu caminho incluindo cometas, asteróides, planetas e estrelas inteiras. Sua direção é a Terra. A notícia foi publicada no site do tablóide norte-americano "Weekly World News" com a seguinte manchete: O mundo tem o direito de saber! O buraco negro do qual a nuvem foi expelida se encontra a 28 mil anos luz da Terra. Descoberta pelo laboratório de raios X Chandra da NASA, estação espacial norte-americana, a nuvem de poeira cósmica tem a largura de 10 milhões de milhas e foi comparada a uma nebulosa ácida que se move em nossa direção perto da velocidade da luz. A data estimada para sua chegada é: 1º de junho de 2014 às 9h15min. A boa notícia é que esta descoberta confirma muitas idéias da física teórica. A má notícia é que a aniquilação total de nosso sistema solar é iminente, anunciou Albert Sherwinski, astrofísico da Universidade de Cambridge. Os peritos acreditam que a "Nuvem do Caos" é formada por partículas que se criaram muito próximas a um buraco negro e que teriam sofrido distorção e mutilação devido a tal proximidade. No ano passado o eminente físico Stephen Hawking revisou sua teoria sobre os buracos negros reafirmando que nada pode escapar ao seu poderoso campo gravitacional. Imagine nossa Galáxia como uma bela carta escrita à mão. Agora imagine que um copo de água foi derramado sobre esse papel. As letras se dissolvem na mancha que se espalha. É exatamente isso que a "Nuvem do Caos" faz com tudo o que encontra pela frente, exemplifica Sherwinski. Gigante destruído Segundo o tablóide norte-americano "Weekly World News", para evitar o pânico, a NASA declinou de tornar a descoberta pública, mas Sherwinski pôde ver imagens impressionantes da nuvem destruindo um asteróide gigantesco. É como assistir a um gigante sendo destruído por um jato de ácido?, argumentou o cientista. Ele explica que esse fenômeno é produzido quando um par de elétrons e prótons está no horizonte do evento de um buraco negro. A intensa curvatura do espaço-tempo desse buraco negro pode causar a queda dos prótons dentro dele enquanto os elétrons escapam. Essas partículas se transformam na "Nuvem do Caos" que mutila tudo o que toca. Se continuar sua trajetória ela, eventualmente, reduzirá nossa galáxia ao estado de caos absoluto, o mesmo que existiu antes do nascimento do universo, adverte o astrofísico. Alguns cientistas dizem que a única esperança para a salvação da humanidade seria a construção de uma "Arca Espacial" dentro da galáxia de Andrômeda, a 2.1 milhões de anos luz de distância da Terra. Nós não estamos aptos a salvar toda a população, mas talvez, os melhores e mais brilhantes, observou o cientista de foguetes britânico David Hall quando questionado sobre a aplicabilidade de tal projeto. Grandes dimensões Segundo ele, mesmo que tal nave pudesse ser construída a tempo, evacuar a Terra seria uma tentativa infrutífera se a teoria sobre a origem da "Nuvem do Caos" estiver correta. De acordo com Sherwinski, o buraco negro no centro de Andrômeda é aproximadamente 15 vezes o tamanho deste em nossa própria galáxia. Essa tentativa seria o mesmo que sair da frigideira e saltar direto no fogo, analisa Sherwinski . Um oficial sênior da Casa Branca que pediu para ficar no anonimato, disse que os conselheiros do sistema super secreto da presidência estão buscando alternativas rápidas."

FONTE:http://www.nasa.gov/


A pergunta: tinha que ser justamente num domingo???

Carnaval Salvador! (faltam 08 dias)

Acho que vou ter um troço quando ouvir essa música no meio do Trio Elétrico.
Gabi, Marcela e Jônio: faltam 08 dias ;o)

We Are The World of Carnaval
Ah, que bom você chegou
Bem-vindo a Salvador
Coração do Brasil
Vem, você vai conhecer
A cidade de luz e prazer
Correndo atrás do trio
Vai compreender que a baiano é
Um povo a mais de mil
Ele tem Deus no seu coração
E o Diabo no quadril
We are Carnaval
We are, we are folia
We are, we are the world of Carnaval
We are Bahia

Apê Salvador!

Eu já estava me preparando pra chegar mais cedo à praia mais próxima ao circuito pra reservar os 2 coqueiros mais frondosos e pendurar minha rede. Porque a essa altura do campeonato, achar um apê legal, bem localizado, que não custasse um fígado (ANTES do carnaval até que vale uma boa grana) e que agradasse a mim, Gabriela, Marcela e Jônio... ia ser difícil. Mas eis que surgiu o Murilo, nosso amigo baiano TUDO de ótimo, que tem um amigo baiano dono de um apê que é o nosso número. Depois de muito procurarmos, esse cantinho caiu como um abadá do Camaleão em nossos corpichos loucos para saculejarem atrás do T. Rex. Conseguimos fechar ontem por um preço honesto e simpatia que só os criados na Bahia têm. Vamos ficar na Pituba por R$ 1.500,00, 3 quartos com 1 suíte, roupa de cama e banho e microondas na cozinha. Agora só falta a gente chegar!!! Tira o pé do chão, meu Rei!!!!!!!!!

Ps. Murilo, quero agradecer publicamente as 2874 visitas que fez, os 4783 telefonemas que deu, as 58475 fotos que tirou e por servir de intermediador no aluguel com o Valério. Valeu mesmo!

Fones + microfone: eu tenho os meus.

Alguém já viu um publicitário que não tivesse fone de ouvido? Que não ligasse o som no último volume para se desligar do resto do mundo enquanto cria o layout 89454° pro mesmo job daquele cliente indeciso? Ou matar o brienfing mais rápido do que o The Flash? Pois é, até segunda-feira, eu não tinha. Vivia ouvindo músicas, entrevistas, vídeos e tudo mais do que a internet dispõe com os fones do Tony. E ele sempre emprestou, na maior boa vontade... até que semana passada, sem saber que ele ia jogar Counter Strike, eu passei a mão no fone pra ouvir 2 músicas do Chiclete com Banana. Quase saímos no braço. Brigamos, chamei o coitado de egoísta e, apesar dele ter 1.86 de altura, disse que não ia devolver e pronto. O que aconteceu? Ele é tão TUDO que comprou um fone pra mim. Claro que isso o livrou de perder muitos pontos no jogo e o principal: de ter que ouvir Madonna, George Michael e músicas como It’s raining men quando estou atacada.

Raio X

Palavras como um Raio X
Onde tudo se vê
Tudo se mostra
Tudo preto no branco
Esfumaçado em volta
Que não se sabe onde
Começa o desejo
Onde termina o sentimento
Onde os dois se embolam
Ou se repelem

O certo é apagar a luzinha
Dependurar o negativo
Esquecer dos termos que assustam
E lembrar da nuca florida
Ganhando tantos beijos, mordidas e lambidas
Que ao invés de desbotar
Acenderam ainda mais as cores dali

Se for pra mostrar o peito desnudo
Que seja com o meu encostado no seu
Ambos modificados
Ávidos por novidades
Sob mãos curiosas e afoitas
Que preferem ler em braille

Seria melhor a radiografia
Se saliva e suor corressem da chapa
Contando a história das curvas percorridas
Dos caminhos reencontrados
Sem mapas ou bússolas de ouro
Gemidos e sussurros como únicos guias

Mais fácil ver o exame
Com olhos fechados
Com pernas entrelaçadas, confusas e certeiras
Com beijos longos, ritmados
Descompassando os corações
Com abraços sufocantes
Que revigoraram nossos corpos
Com faces vermelhas de sangue
Da mesma fonte
Que pulsava em nossos sexos

Cada marca impressa analisada
As pintas da pele, do vestido de onça
Meu ronronar no banco dianteiro
Que virou caça no espaço traseiro
Abatida a disparos do desejo
Entregando os pontos
Materializando o sonho
E delirando com a realidade

Radiografia danada
Tentou mostrar tudo preto no branco
Sem esfumaçados
Sem dissimulados
Mas fui em busca de combinar nossas cores
Que de tão cintilantes
Me tiraram os pés do chão
E os estenderam ao lado dos seus
Sem noção do racional ou sentimental
Sem receio de me mostrar
Como estas palavras
Como um Raio X

Momentos felizes

Quem não muda um pouco quando está em uma viagem? Eu fico mais leve, mais independente. Às vezes faço coisas que nunca faria, como me jogar numa Tirolesa em São Francisco Xavier, quando estive em SP no ano passado para comemorar meu aniversário com meus amigos lindos: Thiago, Aguinaldo, Hugo, Alexandre e a Vilma. E é muito bom mudar mesmo. Quando estou em SP eu me jogo de cabeça em quase tudo. E isso é bom demais!!! Lá eu ganhei até festinha surpresa com direito a coroa, flores, poemas e lágrimas. Foi a maior emoção! Obrigada, meninos. Vocês são TUDO!!!

Brasília



Semana passada, a esta hora exata, estava em Brasília. Passei o finde por lá. Fui na sexta à noite (04/01) e voltei na segunda (07/01), cedinho. Da janelinha do avião pude ter noção do corpo aéreo desenhado na cidade. Foi interessante ver as luzes espalhadas, dando asas a uma terra tão plana, tão diferente de todas as outras que já conheci. Não que conheça muitos lugares, mas Brasília me passa uma sensação de impessoalidade. Talvez por tudo ser tão espalhado e distante, mas não é uma distância como SP, por exemplo. Deve ser pelo fato de que, às vezes, a gente ande por lugares vazios, ou pelos prédios serem tão parecidos, por ser tudo tão planejado que às vezes perde um pouco de originalidade. Não, originalidade não é a palavra, nem criatividade. Talvez a surpresa. É claro que não estou falando da Catedral ou dos outros monumentos fantásticos. Estou falando como um todo. Me passa a sensação de algo produzido em série, sem um toque de ousadia, apesar de ser um planejamento ousado. Odeio quando me faltam palavras pra descrever algo que sinto. Os setores são tão iguais, que eu sempre pensava: nós já passamos por aqui. Mas não tínhamos passado. Foi a minha segunda viagem à Brasília e a sensação foi a mesma. Não é uma sensação ruim. Mas é perturbadora, sei lá.
Gostei muito da infinidade de barzinhos e lugares agradáveis que tive o prazer de conhecer. As pessoas também são bonitas e os poucos que conheci foram simpáticos. Essa minha nova viagem foi bem diferente da anterior, em 2003. Diferente em todos os sentidos. Não fiz muito turismo, mas mesmo assim fui a lugares interessantes. Só sei que agora, neste exato momento, gostaria de entrar num túnel do tempo e estar lá novamente. Queria que AGORA fosse o começo da madrugada do sábado passado. Estaria voltando da Creperia... devagar... sem o cinto de segurança e serpenteando pelas tesourinhas daquela cidade sem esquinas, mas que tem um imã poderoso.

Olá. Xau.

Mal desarrumei a bolsa de Arraial e já abri uma mala bem maiorzinha pra Brasília. Nunca emendei tão rapidamente um passeio no outro, apesar de quase ter desistido de partir pra Capital por conta da gripe que peguei na Bahia. Mas como era uma viagem muito especial, resolvi colocar meu coração acima dos espirros, tomei uma injeção, me entupi de remédios e acendi uma vela. Não é que eu melhorei e à noite já estava arrumando meus paninhos de bunda? Difícil foi não contar as horas. O Planalto Central, com todo aquele espaço, ficou pequeno para tanta ansiedade... e saudade.

Queijo baiano

Arrumar as malas, relembrar histórias e implorar ao estômago uma trégua para enfrentar as crateras que tornaram as 7 horas de viagem mais longas do que realmente eram. Por que nenhum FDP dá um jeito de arrumar a BR que liga o sul da Bahia ao resto do país?

Arraial M’Ajuda


Que champanhe que nada. A bebida do meu reveillon foi como eu me senti no Parracho: colorida, alegre, descontraída e doce. Muito doce. Alguns lugares têm esse poder de transformação. É como se batesse num liquidificador vários sentimentos que nos fazem vibrar, acrescentasse gelo para dar aquele friozinho na espinha e derramasse tudo de uma vez num copo, fazendo uma espuminha que fica por alguns segundos sobre o lábio superior e é tirada com um passar sensual e despreocupado de língua. O que me fez tão bem? Talvez as tendas brancas que refletiam as luzes coloridas dos coqueiros. Ou a areia que me colocava em contato direto com a natureza. Tinha também a visão desconcertante dos vizinhox cariocax. Quem sabe a mistura do axé, rock e eletrônico? Os belos corpos bronzeados, com certeza, contribuíram um bocado. Assim como os shows da Ivete e do Asa. Mas o ponto alto da viagem foi a turma incrível que me acolheu de última hora: Gabriela, Elane, Rúbia, Patrícia, Renato e Marden. Depois de driblar o engarrafamento de kombis, chegamos no Parracho faltando apenas 5 minutos pra contagem. Depois de chorar por uma eternidade pendurada no pescoço da Gabi, dei graças a Deus por tudo de bom que aconteceu na minha vida e me senti pronta para receber os primeiros minutos que engatinhavam na minha direção com muita alegria e esperança. E com a promessa de aprender inglês logo depois do carnaval.

Reveillon

Escrevi, reescrevi e decidi que não quero filosofar em cima dessa época. Na verdade recebi um torpedo da minha amiga Gabriela que já está em Arraial D’Ajuda e não consegui pensar em mais nada pra colocar aqui. Foi uma mensagem longa e significativa. Tô até pensando em ir antes do dia.
Se eu não voltar a escrever até domingo, já deixo aqui o meu Feliz Ano Novo a vocês. Que tudo se realize... no ano que vai nascer... muito dinheiro no bolso... saúde pra dar e vender! :o)

Festas de Fim de Ano

O Natal tem que ser perto da família. E o reveillon, o mais longe dela.

Natal

Estou atrasadíssima para falar do Natal, mas como ainda não troquei o calendário que fica aqui em cima do meu computador, ainda dá tempo de falar umas coisitas. Eu gosto muito da festa, apesar de ficar um tanto melancólica. Sempre lembro da época em que ia todo mundo lá pra casa, fazíamos o Amigo X e meu avô sempre me tirava. Minhas primas ficavam loucas quando viam o presente enorme que ele segurava. Sempre achavam que podia ser uma delas. Mas a gente fazia a maior trapaça. Sem dó, nem piedade. E eu tinha a cara de pau de fazer um ar de surpresa. Todos gritavam: “marmelada!!!”
Meu avô não gostava de sair de casa, mas amava reunir a família. Sempre pedia a vovó para comprar mimos para todos. Armávamos uma grande árvore e era uma farra procurar nossos nomes nos embrulhos. Eu acreditei em Papai Noel de verdade até os 7 anos. E por conveniência até os 10. Depois não funcionou mais. Mas o clima de fantasia era muito bom e hoje em dia acho o máximo ver o brilho nos pequeninos esperando a chegada do Bom Velhinho. Amo ver a cidade toda iluminada. Quer dizer, as cidades que vejo pela TV, porque a decoração da minha não inspira ninguém. Um dia ainda passo as festas de final de ano em NY. Tenho certeza de que aquele monte de luzes coloridas vai acender o meu lado garota e vou pendurar uma meia na lareira. Quem sabe, né?
(na verdade tinha um monte de outras coisas pra escrever, mas ando sem tempo).

Conversa no ônibus

Infelizmente tenho andando muito de ônibus de uns tempos pra cá. Mas esta semana ouvi uma conversa entre o companheiro motorista e uma senhora de uns 70 anos, que me distraiu durante todo o percurso e nem vi os pontos passarem.

Senhora: Aonde já se viu? Um apartamento de 5 milhões.
Motô: É um triplex. São 3 andares, tudo com muita segurança, mas é muito dinheiro.
Senhora: Eu nem sei quantos zeros tem isso.
Motô: Nem se eu tivesse esse dinheirão todo, eu gastava assim. É um absurdo.
Senhora: E você pensa que esse povo é feliz? Duvido.
Motô: Também acho. Aposto que vivem infelizes. Não podem andar sem segurança. É tudo fechado.
Senhora: Também acho que Silvio Santos não é feliz.
Motô: O Gugu também não deve ser feliz ganhando tanto. Nem pode sair pra rua.
Senhora: Aposto que nós somos muito mais felizes do que eles. Eles nem devem conhecer os vizinhos.
Motô: Pois é. Minha mulher vive trocando receitas com as vizinhas. Emprestam açúcar quando necessário.
Senhora: Eu também vivo pegando coisas com a Dona Fulana do andar de cima. E ela nunca me negou.
Motô: E os ricos vivem seqüestrados também.
Senhora: É mesmo, né? É um tal de seqüestrar gente rica.
Motô: Eu acho que ser rico só tem desvantagem.

Aí chegou meu ponto e eu desci. Eu gosto de gente otimista, que só vê o lado bom das coisas.

Vídeo de estudante vira comercial

Nick Haley criou um comercial caseiro para o iPod Touch, da Apple usando a música “Music is My Hot, Hot Sex, da banda brasileira Cansei de ser Sexy. Nick disse que se inspirou em um verso que diz “my musics is where i’d you to touch”. O vídeo foi colocado no youtube e teve milhares de acesso e comentários entusiasmados. Da internet para a TV foi um click e Nick foi convidado a trabalhar no projeto junto com os criativos da TBWA/Chiat/Day e o novo filminho estreou nos EUA, Europa e Japão. Nick foi pago como um profissional de publicidade, mas ninguém revelou o valor. A Apple também vai financiar seus estudos na universidade de Leeds, na Inglaterra.

Versão "profissional"

Vamos quebrar tudo!

Personagens de ficção são bem interessantes. Quando ficam nervosos, eles destroem tudo o que encontram pela frente. Derrubam luminárias, arremessam jarras, rasgam roupas, quebram copos, depenam travesseiros, é uma coisa. Eu sempre achei esses ataques engraçadíssimos. Até a ala pobre acaba com tudo na hora da raiva. E olha que eles nem têm empregados para limpar e nem grana pra repor os pertences. São pessoas desapegadas, né? Imagine se na vida real a gente pudesse pirar o cabeção? Eu já tinha mandado pro saco um monte de bugigangas que minha avó insiste em exibir pela casa. Um briga com o namorado? As 3 mesinhas de vidro da sala iam virar zilhões de caquinhos. O cliente não aprovou nenhum dos 270 textos que fiz? As vaquinhas que povoam a cozinha iam ganhar asas e voar pela janela. Perdi a promoção de passagens aéreas? Os relógios de parede não iam ter mais um minuto de vida. Meu salário não chegou ao final do mês? Nem Hulk conseguiria rasgar tantos paninhos de crochê que “enfeitam” móveis. O Lula ganhou pra presidente? Transformaria os pratinhos da parede em alvos para os bibelôs de porcelana. Mamãe saiu no carro sem avisar? Ia botar os copos de requeijão na conta do Papa. Masssssss... como não posso nem chegar perto dos pratos duralex mais velhos do que o vento sul, só me resta continuar atirando no chão minhas canetas, quando param de escrever. É só o que me resta da liberdade de expressão.

Como ficar bêbada com poucos ml de álcool

Atenção: essa história é baseada em fatos reais.

Fui visitar uma amiga na casa de praia da família e ela me contou que no dia anterior, ao dar um mergulho, tinha entrado água em seu ouvido. Como tem o tímpano perfurado, acaba tendo dores de cabeça quando isso acontece. Aí, usou uma técnica milenar da família Baiocco, que eu acho estranhíssima. Ela colocou álcool na tampa da vasilha e jogou no ouvido. A mãe diz que a água evapora mais rápido. Depois de algum tempo, ela começou a se sentir mal. Ficou tonta, lerda, falando enrolado, como se estivesse de porre. O primeiro pensamento “a pressão despencou”. Chamaram o cunhado, que é médico. Depois de saber da história, ele deu o parecer:
- Sabrina, você está bêbada!
- Heinnn?
A explicação foi a seguinte: quando a gente bebe, o álcool vai pra corrente sanguínea e só depois chega, diluído, ao labirinto, que fica no ouvido. Como ela tem o tímpano perfurado, o álcool foi direto pra lá, sem escalas. E ela ficou muitcho loca.
Eu achei uma alternativa interessante para quem tem um rombo no tímpano, vontade de ficar alegrinho, mas está sem grana no bolso.

RE.VERB – O show

Quinta-feira passada foi o 3º show da banda dos meus amigos, Reverb. Foi no Teacher's Pub e conseguiu ser ainda melhor que o primeiro. Eu fiquei muito orgulhosa pelo desempenho de cada um. Bem, eu confesso que não entendo muito das partes técnicas: se alguém desafinou nesse ou naquele instrumento ou se entrou antes ou depois, essas coisas. Pra mim, o que vale é o carisma e o que uma apresentação desperta em mim. E posso dizer que me senti orgulhosa de falar pra todo mundo que aqueles eram meus amigos. Os caras com quem eu trabalho. Que eles são talentosos, esforçados e que, acima de tudo, estão começando de maneira digna e despretensiosa, com um repertório de personalidade e empolgante. Parabéns meninos. Vocês são TUDO!!!

Vocal: Alexandre
Guitarra: Tony e Patrick
Baixo: Sergio
Bateria: Tito
Convidado (vocal): Max

Fake Plastic Trees by {re.verb}

...e a verdade vos libertará.

Às vezes, saber que ele está “preso” em um relacionamento sério pode ser libertador para você. Não é o mais agradável, mas já é um caminho.

Burning Man

Burning Man



Quem nunca ouviu falar no Burning Man tem que ler a reportagem que coloco a seguir e ver os vídeos. Fiquei fascinada com a proposta do encontro de diversidade, bizarrices, fantasias, liberdade, arte, cultura, imaginação, delírio, loucura, comunicação e tudo o que mais existe nesse planeta. Deve ser uma experiência libertadora e inesquecível. Eu só teria que arrumar um jeito de comer bem, pra não tomar o rumo de um hospital 2 dias depois.

O quê: Evento indefinível (veja box anexo). Acontece anualmente, desde 1986, e dura uma semana, culminando na queima do "homem", uma estátua de madeira de 15 metros de altura.

Onde: Deserto de Black Rock, Nevada, Estados Unidos.

Quando: Entre fins de agosto e começo de setembro.

Porquê: As histórias divergem quanto ao motivo da queima do homem. Seu idealizador e coordenador se chama Larry Harvey.

Quanto: O ingresso varia de 65 a 140 dólares, dependendo da antecedência com que é adquirido.

Como: É preciso levar todos os itens necessários para sua sobrevivência pessoal no meio do deserto. O cupom de entrada diz em letras bem grandes: "Você está assumindo voluntariamente o risco de morte ou danos graves ao comparecer a este evento." Ao partir, é preciso levar absolutamente tudo embora, deixando o local no mesmo estado em que foi encontrado.

Quem: Mais de 20 mil pessoas participaram do Burning Man este ano. http://www.burningman.com/



Nossa correspondente especial, Lenara Verle, conta como foi sua primeira e inesquecível experiência no Burning Man:

De Portland, Oregon, até Black Rock City, Nevada, são nove horas de viagem, ou doze se você estiver dirigindo uma kombi de acampar ano 69. Adicione a isso mais umas doze horas se a kombi quebrar no meio do caminho, como foi o nosso caso. Mas cada uma das horas vale totalmente a pena. Durante o passeio a paisagem vai se transformando de uma floresta de coníferas a uma savana com arbustos aqui e acolá. Passamos por cidades cada vez menores e estradas cada vez mais estreitas, culminando em estrada nenhuma. Black Rock City é na verdade um pedaço de deserto no meio do nada, sem água, eletricidade, e quase nenhuma forma de vida durante 358 dias do ano. O chão não deixa nada a dever ao triângulo das secas, e é carinhosamente chamado de "playa" pelos participantes do evento. Sobre ele é erguida a estrutura de uma verdadeira cidade, com a quinta maior população do estado de Nevada durante os 7 dias de duração do Burning Man - um gigantesco acampamento em forma de lua crescente, com ruas e praças, e a imensa estátua de madeira e neon do "homem" ocupando o espaço central. Após passar o portão de entrada e receber meu "guia de sobrevivência no deserto", segui para o endereço onde meus amigos estariam acampados – 2:15, logo depois de Júpiter. Antes de perguntar "que raio de endereço é esse?", é preciso levar em conta que um dos objetivos do Burning Man é o de quebrar convenções: assim, as ruas radiais a partir do centro são numeradas como horas em um relógio, e os círculos que se espalham levam o nome dos planetas do sistema solar. Logo após a desorientação espacial inicial pensei: como faço agora para marcar o tempo, se as horas já estão sendo usadas para fins de localização? A resposta, óbvia após o primeiro dia é: quem precisa de relógio afinal de contas? Subitamente, um mundo novo se descortina, e coisas imprescindíveis como dinheiro, carro, roupas e banho diário tornam-se totalmente supérfluas. Em compensação, damos mais valor às coisas realmente importantes como água, protetor solar, bastões fluorescentes e um bom papo com pessoas que nunca vimos antes.

O ponto central do festival é a diversidade. É praticamente impossível encontrar uma definição para o evento. Um participante orgulhoso pode chamá-lo de "comunidade experimental temporária", e um repórter deslumbrado de "campo de nudismo misturado com circo de aberrações povoado por malucos e ravers". Cada um tem uma visão diferente, e você pode inventar a sua própria, usando o box abaixo ou a imaginação.
No Burning Man encontram-se mais coisas exóticas e diferentes por centímetro quadrado do que o cérebro humano pode absorver. O resultado é uma overdose dos sentidos, agravada pelas poucas horas de sono que fatalmente se seguem. Como dormir com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo? Cada um dos milhares de acampamentos temáticos merece uma visita de pelo menos um dia. Em um lugar você pode escrever seu pedido ao deus do fogo, em outro fotografar a sua vagina para a posteridade, ou controlar luzes piscantes em um arco na areia, passear de camelo, mandar mensagens para o espaço, dançar até amanhecer, andar de avião pelado, ser psicanalisado, entrar em um concurso de fantasias, dar e/ou receber massagens, tomar sorvete, levar choques elétricos, participar das mais variadas seitas, práticas alternativas, aulas, rituais e festas. Tudo isso sem nenhum tipo de transação monetária. A doação e o escambo imperam na playa, um oásis no meio do país mais consumista do planeta.Após o deslumbramento e ansiedade, vem a vontade de ser um verdadeiro "participante" do evento, e não um mero espectador. De sair em busca de novos amigos e de um lugar aconchegante no meio do sol escaldante e das tempestades de areia ocasionais. Convenientemente, bem no finzinho do lado "quieto" da cidade (menos barulhento seria uma descrição mais apropriada) se esconde a Bianca’s Smut Shack. Uma grande tenda coberta por lençóis coloridos, com dezenas de sofás macios e almofadas, uma pista de dança com DJs se revezando durante as 24 horas do dia e garçons voluntários oferecendo sanduíches de queijo grelhado recém-feitos acompanhados da frase "Bianca te ama".Bianca’s é o que pode se chamar de "lar" no meio do deserto. Seus organizadores, auto-intitulados "trolls", levantam fundos o ano inteiro para poder doar comida, bebida, divertimento e abrigo aos participantes do Burning Man durante uma intensa semana. O clima de doação é tão contagiante que quando vi estava pilotando o fogão no turno da madrugada até o sol nascer, e servindo drinques para os freqüentadores da maneira mais original possível: esguichando suas goelas com uma imensa pistola de água. Ninguém parecia se abalar, e porquê deveriam? A maioria deles vestia máscaras esdrúxulas, ou apenas uma camada de tinta brilhante e nada mais. No Burning Man, o surreal é a norma, não a exceção. Difícil mesmo é se readaptar ao mundo "normal" depois que tudo acaba. Muitos relatam terem suas vidas mudadas por "insights" súbitos no meio da playa deserta. Outros verificam uma felicidade generalizada por meses. Quase todos voltam nos anos seguintes, com mais idéias mirabolantes para acampamentos temáticos e instalações artísticas. Para eles, o Burning Man é sempre uma experiência nova e inesquecível.

O dia-a-dia no deserto
No Burning Man tambem há espaço para aquelas coisas tão triviais do nosso cotidiano:

Para um delicioso almoço, por exemplo, basta tirar da mochila um pacote de "Tasty Bites" - porções de comida tailandesa convenientemente acondicionadas em saquinhos metalizados, que podem ser preparados apenas deixando-os cozinhar por 15 minutos no chão do deserto.

Um café expresso pode ser barganhado em troca de um strip-tease, e você pode acender o cigarro no lança-chamas portátil do vizinho.

Para ir rapidamente de um lugar a outro da cidade, dá pra escolher entre sofás motorizados, riquixás com ou sem abanador acoplado, um bar sobre rodas, ou o gorila que carrega as pessoas nas costas. Até as dez da manhã meninas de topless ganham carona de avião sem pagar nada. Andar de camelo é mais difícil - o camelo tem que ir com a sua cara, ou então nada feito.

Se você sentir falta de algum outro item indispensável do seu cotidiano e não encontrá-lo no Burnign Man, crie seu próprio acampamento temático no ano seguinte e faça felizes outras pessoas com você.


Este site também é muito legal:
http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=119

Burning Man 2007

Montagem com fotos.

Kisses from the Playa - Burning Man 2007

Burning Man 2007

Disparidades da nossa justiça – 05/12/2007


LINHARES: 35 pais são presos por não pagar pensão.
Vários pais foram presos em Linhares por não pagar a pensão alimenticia dos filhos. Os pais foram levados para a delegacia da cidade que está superlotada. A polícia está atrás de outros 28. A decisão é da justiça.

BRASÍLIA: Conselho de Ética arquiva duas denúncias contra Renan Calheiros.
O presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha, determinou hoje o arquivamento da 4ª e da 5ª representações contra o senador Renan Calheiros, que renunciou ontem à Presidência da Casa.

* Alguém poderia ensinar Braile pra justiça, pelo amor de Deus?

Idade

A gente sabe que está ficando velha quando começamos a encontrar muitos cremes indicados pra nossa faixa etária. E pior, ainda queremos usar todos, rezando para que cumpram as promessas das propagandas.

TUNAI - FRISSON (DUO)

Eu adoro essa música. Achei umas versões mais incrementadas, mas acho que em alguns casos a simplicidade tem muito mais a dizer.
Não é uma delícia estar numa fase romântica? :o)

Singing in the Rain

É um pedaço de um filme, mas poderia ser o trecho de uma poesia.

Chuva

Uma das evidências mais fortes que deixamos a infância de lado é perder o gosto de pegar, andar, dançar, cantar na chuva. Aquela chuvinha gostosa que nos acompanhava na volta do colégio, no quintal de casa ou nas brincadeiras com os colegas da rua. Eu adorava levantar bem o rosto, entreabrir os olhos e tentar distinguir as gotinhas que iam cair diretamente sobre mim. Mesmo com a duração de um milésimo de segundo, aquele momento parecia poético, como se estivesse em câmera lenta. Era uma delícia ficar ensopada e nem ligar se a roupa de baixo ia marcar porque a única preocupação era ver de qual blusa ia sair mais água, quando torcida. Estranhamente a água do mar ficava mais quente e, por causa disso, era muito legal quando estava na praia e o sol dividia o céu com uma boa chuva de verão. A gente se molhava duplamente e de uma vez só.
Até uma tempestade que deixava a rua no escuro virava uma festa, quando não ia passar um programa bacana na TV, claro. Era só começar a sucessão de raios e trovões para separar algumas velas e esperar a luz ir embora. A partir daí, entrava em cena a imaginação que transformava as mãos em pássaros, coelhinhos, aranhas, cachorros e outros seres que, graças a Deus, não existem.
A chuva só não era bem-vinda quando ameaçava estragar passeios ao Parque Moscoso ou algum piquenique. Mas isso era fácil de resolver. As crianças envolvidas tinham a missão de desenhar um sol na calçada para o astro rei mandar as nuvens pro espaço. Se o passeio fosse no final de semana e o tempo estava cinzento, a gente desenhava todos os dias, por precaução. Havia também uma coisinha que eu amava fazer na chuva, e já não era mais criança: beijar. Nossa, beijar na chuva é TUDO. Acho que a saliva misturada com a chuva torna os movimentos da boca e língua mais sensuais, sei lá. Só beijando pra sentir. Mas preste atenção: tem que ser na chuva. Água do chuveiro não vale. Acaba de me ocorrer uma idéia. Se o beijo é bom, imagino então como seria um vucu-vucu enquanto São Pedro lava a casa. Ui! Aí, a gente cresce, fica mais racional, ponderado e chato. Diz que uma chuvinha é boa pra abaixar a poeira e, ao mesmo tempo, reza pra não inundar a cidade. Compra uma sombrinha pequena pra levar sempre dentro da bolsa, mesmo com um céu azul, pra não correr o risco de estragar o cabelo ou pegar um resfriado. Pelo menos o gosto pelo beijo encharcado eu ainda não perdi.