DEPOIS DO THE END – A Fantástica Fábrica de Chocolate

- Não moça. Pela última vez, não existem chocolates Willy Wonka Zero.
- Nem com menos calorias?
- Não. São todos iguais.
- Calóricos e engordativos.
- Exatamente.
- Bem, então... nada feito – e a mocinha, espremida numa calça jeans e barriga de fora, saiu batendo a porta de vidro com sininhos.
O dono da lojinha passou a mão pela careca, tentando domar o topete que ele ainda acredita existir. Estava nervoso.
- Agora me fala, Deuclídes. Pra que essa tábua precisa de chocolate Zero? Você viu as costelas? Dá até pra fazer um reco-reco.
- A moda agora é Zero, seu Agenor. As pessoas comem, comem, comem e, pra aliviar a consciência, pedem um refri Zero, um doce Zero, uma palhaçada Zero.
- Eu já falei isso pro Wonka e sabe o que ele me respondeu?
Deuclídes sacudiu a cabeça.
- Que prefere ter um Rei Momo como garoto propaganda do que fazer doces Zero.
- Que isso, seu Agenor!
- Pois é. Disse que altera o sabor, mas me pareceu outra coisa. E sabe do que mais? Isso não pode continuar. Eu vou ligar pra reclamar.
Deuclídes arregalou os olhos enquanto seu Agenor sacudia o telefone como se o coitado fosse a goela do Wonka.
- Ele já tem dinheiro o suficiente para as três próximas encarnações. E o meu mal dá pra esta.
No segundo toque, para a surpresa de seu Agenor, uma mocinha atendeu.
- Boa tarde... – disse seu Agenor, inseguro, imaginando onde estaria o Ompa Loompa telefonista – é da Fantástica Fábrica de Chocolate?
- Sim, quem está falando?
- Aqui é Senhor Agenor.
- Em que posso estar ajudando, Sr. Agenor?
- Eu quero falar com o Wonka. Pode passar o ramal?
- Ah, mas isso eu não posso estar fazendo.
- Por quê?
- Porque o Sr. Wonka não está querendo atender qualquer um.
- Quem é você? – disse intrigado.
- Eu sou a esposa dos Ompa Loompa. Estou querendo dizer, de um deles.
O queixo de seu Agenor caiu.
- Os Ompa Loompa têm esposas? Têm irmãs, tias, mães? – disse embasbacado.
- Claro que têm mães. Está achando que eles brotam da terra? Ou melhor, do chocolate? – a moça começou a ficar irritada – Eu sempre estive sabendo que a gente nunca representou nada pra eles. Mas isso já está sendo demais.
- Não, Dona Ompa... – e parou, sem saber do que chamar a mulher.
- Está querendo saber saber? – perguntou aos berros. – Vou estar te passando pro todo poderoso. Tomara que você seja um desses repórteres fofoqueiros.
Seu Agenor tomou um susto tão grande que deixou o fone cair no chão.
- O que foi seu Agenor? O Sr. está pálido – perguntou Deuclídes.
- Deuclídes! Existem mulheres Ompa Loompa. Pega a extensão – e fez sinal de silêncio porque, no mesmo instante, um homem atendeu a ligação.
- Wonka falando.
- Sr. Wonka! Os Ompa Loompa têm esposas?
- Você é jornalista? – perguntou, apreensivo.
- Não, eu sou...
- Menos mal – cortou Wonka, aliviado. – Não sei até quando vou conseguir abafar esse assunto. Como soube?
- A Ompa, quer dizer, a mocinha que atendeu a ligação deixou escapar – disse seu Agenor, meio sem graça. – Como isso aconteceu?
- Você acha que os Ompa Loompa brotam da terra? Ou melhor, do chocolate? – disse Wonka, impaciente.
- É... não... hum... – disse sem saber o que dizer, seu Agenor.
- Sempre pensei que fossem clones... – disse Deuclídes, se intrometendo na conversa. – ou, sei lá, Gremlins do chocolate...
- Antes fossem, antes fossem. Mas eles têm mães, irmãs, tias e... – Wonka baixou o tom de voz. – sogras.
- O que?! – seu Agenor não conseguia acreditar.
- Sogras. Os Ompa Loompa têm sogras. E elas sabem um monte de musiquinhas. Uma para cada situação. Todas criadas na hora.
- Pobres Ompa Loompa – disse seu Agenor, com amargura.
- E o pior você não sabe – falou Wonka, com um fio de voz.
- O que pode ser pior do que uma sogra repentista? – assustou-se Deuclídes.
- As esposas.
- São iguais às mães? – seu Agenor apertou o fone na orelha.
- Elas são iguais a eles.
- Deus é mais! – gritou de pavor, Deuclídes, ao imaginar a versão Ompa Loompa de saias.
- E agora resolveram que não querem mais ser.
- Totalmente compreensível. Totalmente compreensível – afirmou seu Agenor.
- Você não entende?! – Wonka estava realmente apavorado. – Agora elas querem ser diferentes. Ter cabelos diferentes, roupas diferentes. Fazer tatuagem, botar piercing. Algumas querem até dirigir e usar salto alto. Várias estão na enfermaria com os tornozelos torcidos.
Seu Agenor começou a sentir pena do Wonka.
- Os Ompa Loompa não conseguem mais trabalhar em paz. Elas reclamam que eles nunca conversam. Querem atenção! São carentes e barraqueiras. Minha produção nunca foi tão baixa.
- E o Charlie? – quis saber Deuclídes.
- O que tem Charlie? – perguntou na defensiva.
- Ele não é seu braço direito? – continuou.
- O problema é que sou canhoto – disse desgostoso.
- Então, ele não está ajudando? – insistiu Deuclídes.
- O Charlie está num spa – respondeu a contra-gosto.
- Mas ele sempre foi tão magricela – disse seu Agenor.
- E nem parecia ser guloso – completou Deuclides.
- Ele não era de comer muito. Até o dia em que leu uma reportagem: "Chocolate substitui o sexo". Antigamente não tinha mulher na fábrica. E o Charlie em plena adolescência – disse, pesaroso.
- Ele deve estar uma bola – falou Deuclídes, com um risinho maldoso.
- Então tá, Sr. Wonka. Mais sorte pro senhor – disse seu Agenor, querendo acabar o papo. Estava começando a ficar deprimido.
- Pera aí. Quem tá falando? – perguntou Wonka.
- Aqui é seu Agenor, da lojinha da esquina.
- Ah sim, seu Agenor. Mas por que o senhor ligou?
- Eu gostaria de saber, Sr. Wonka, quando vai começar a fabricar doces Zero.
O silêncio do outro lado da linha foi tão grande, que seu Agenor pensou que a ligação tivesse caído.
- Sr. Wonka?
- Nunca, Seu Agenor! Eu NUNCA vou fabricar doces Zero. Primeiro porque as Ompa Loompa estão loucas pra que isso aconteça. Muitas estão engordando e pensam que vão ficar iguais ao Charlie. Até já espalhei fotos dele pela empresa. Algumas já foram embora.
Nesse momento, o sininho da porta tilintou e outra magrela de barriga de fora entrou na lojinha. Dava pra ler "Zero" piscando na testa.
- Segundo, - Wonka continuou – vai que o próprio Charle se anima a voltar e, no desespero, se engraça com alguma delas?
Seu Agenor estava paralisado. Aquele era um caso perdido. Não sabia se odiava mais as Ompa Loompa ou aquele maldito umbigo que implorava por baixa caloria. Ficou muito irritado com o Wonka, depois que ela pediu um chocolate Zero. Nem reparou que desligou o telefone na cara dele.
- Por que você não pára de fazer doce e leva um desses, heim? – quase implorou seu Agenor, com um sorriso.
- Moço, eu não faço doce – falou com voz fina, antes de sair batendo a porta de vidro com sininhos – e, se fizesse, seria um doce Zero.



Ps. Se você gostou do estilo, tem outro aqui: http://dezdedinhos.blogspot.com/2008/07/depois-do-end-et-guerra-dos-mundos.html

Proposta para perdoar traficantes no Natal

“O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária vai submeter a Tarso Genro e ao Lula a proposta que contém mudanças nas regras o indulto natalino de 2008, inclusive uma que prevê o perdão para traficantes que não pertençam a organizações criminosas.

O indulto de Natal é o perdão definitivo de penas concedido pelo Presidente da República a condenados, sob preenchimento de determinados requisitos. A medida é diferente da saída temporária, em que alguns detentos saem das penitenciárias nos períodos de festas e precisam retornar a prisão.

Após cumprirem um período da pena, eles seriam libertados dentro de uma perspectiva de desinternação progressiva. “A idéia é soltá-los do sistema penal e alocá-los dentro do Sistema Único de Saúde”, disse Shecaica – Presidente do CNPCP. Mulheres que tenham filhos com necessidades especiais e pessoas com doenças graves, como os tetraplégicos, possuem tratamento prioritário para concessão do indulto.”
Fonte: A Tribuna, 27/10/2008

Brasileiro é um povo estranho. É difícil conseguir prender os bandidos que devem ser presos e, quando conseguem, querem soltar antes do tempo. Livrar a cara do traficante que prefere atuar como freelancer é uma vergonha. É mostrar que o crime vale a pena, porque a pena é pequena. Claro que existe uma diferença entre os que agem sozinhos dos que integram o crime organizado, mas isso deveria ser decidido na hora do julgamento e não depois. Acha que esse tratamento não é um alívio para os que estão de fora, com medo de serem pegos?

Outro ponto é a saída temporária. Essa nossa justiça dá muita folga pra esses bandidos, viu. Onde já se viu condenado sair da prisão pra comer Chester, ou ovinhos da Páscoa em casa. Quer passar Natal com a família? Pára de roubar e vai arrumar o que fazer, vagabundo.

E daí que a detenta tem filho com necessidades especiais? Que pensasse nisso antes de entrar para o mundo do crime e deixasse o coitado órfão.

A pessoa tem alguma doença grave ou mais de 60 anos? Na hora de fazer o mal feito, isso não pesou, pesou?

Se comportar de maneira correta não deveria ser um favor, já que se comportou tão mal antes de ver o sol nascer quadrado.

Claro que existem bandidos e bandidos, e que eles deveriam ser tratados de formas diferentes, sempre pensando na reabilitação. Reabilitação. O que é muito diferente de fechar os olhos para o que já aconteceu e achar que o caminho certo é dar uma colher de chá antes da pena acabar. No meu entender, a impunidade é um dos principais motivadores àqueles que pensam em passar para o lado negro da força.

Sim, eu ODEIO bandidos. Odeio muito. Eles me tiram tão do sério que há anos atrás eu dei um soco num moleque do meu tamanho quando ele tentou me assaltar na saída do banco. Ele puxava minha bolsa de lá, eu puxava de cá. Ele puxava pra cá, eu puxava pra lá. E as pessoas passavam, olhando, acovardadas. Fui me emputecendo, emputecendo até que explodi e acertei ele do lado da orelha. Do jeitinho que meu primo me ensinou. Ao invés de acertar em linha reta, eu bati de lado, que fica mais forte. Ele tomou um susto, cambaleou e saiu correndo. E eu xingando até a última geração dele. Foi uma maluquice, mas na hora eu nem pensei.

Eu acharia ótimo se os verdadeiros culpados por crimes bárbaros tivessem uma pedra amarrada no pescoço e fossem atirados aos tubarões, para servir de exemplo. Incluindo aí, os malditos políticos corruptos que estão acabando com o nosso país e cooperando para aumento do número de meliantes. E nem adianda me olhar torto. Cadeia é para homens, e não para animais.

Macaquices


Estas fotos tem 1 mês. Mas estes vizinhos da agência continuam aparecendo até hoje. Agora, além dos tradicionais biscoitos, passei a trazer também bananas. A turma deve ter mais de 30 saguis. Na 2ª foto, repare nos que estão nas árvores. São lindos, mansos e muito educadinhos na hora de pegar a comida.

Varejo hardcore

Os clientes acham que só o comercial extremamente agressivo de varejo aumenta o consumo. No meu caso, eu estou sendo consumida por ele! Até o último pingo de criatividade e dignidade!! Tô com medo da luz se apagar e nunca mais acender!!! Tô com medo de enfiar exclamações em tudo quanto é texto!!!!!!! Tô com medo de escrever “preços no chão” para vender um Mitsubishi que custa quase 200 mil reais. Tô com medo de colocar “é só amanhã” para divulgar uma peça de teatro que ainda nem estreou. Tô com medo de olhar para o céu à noite e ver splashes no lugar de estrelas. O negócio tá feio. E a tendência é só piorar.
Um briefing institucional pelo amor de Deus! Um briefing institucional por caridade!!!

A ocasião faz o ladrão?

Há umas semanas, eu me diverti muito vendo A Grande Família. O episódio mostrava a atriz Juliana Alves, a Mulher Gerimun, trabalhando na casa da Nenê e Lineu. Com roupas de menos e abundância de mais, a moçoila rebolava enquanto varria e esbanjava sensualidade na hora lavar a louça. Ou seja, deixou a mulherada de cabelos em pé. O mais engraçado mesmo foi a reação dos homens. O Agostinho, contrariando todas as expectativas, foi quem mais detestou a contratação porque anteviu a confusão que uma mulher fruta dentro de casa poderia render. E rendeu, claro.

Depois fiquei pensando que mulher teria coragem de colocar uma empregada daquela dentro de casa, perto do marido e dos filhos. Não se trata de insegurança, falta de confiança no seu homem ou preocupação com a cria. Mas seguro morreu de velho. O mundo já anda de pernas para o ar. Ninguém mais respeita aliança no dedo da mão esquerda. Tá cheio de sirigaita por aí que só de saber que o cara é casado, fica toda ouriçada. A verdade é que há tentação espalhada por todos os lugares e tudo o que a gente menos precisa é ter uma maçã apetitosa bem debaixo do nosso nariz diariamente. Se a ocasião faz o ladrão, não tenho certeza. Mas eu que não vou deixar minha carteira aberta por aí. O que você pensa sobre isso?

As bonitas que me perdoem. Mas feiúra é fundamental. Lembram da Sienna Miller? Eu nunca contrataria uma empregada, ou babá com 1% de potencial. Vai que ele tem uma fantasia com secretárias do lar. Uma amiga me contou que a empregada dela usa um short minúsculo e blusa decotada. É baranga, mas tá mais exposta do que umbigo de pirigete. Se fosse comigo ela estaria trabalhando de burca, pra lagar de ser besta.

E você, homem, que está lendo isso e me achando insegura, desconfiada ou maldosa, o que acha da sua mulher contratar um jardineiro como um desses caras lindos aqui abaixo? Imagina um sujeito desses, com os braços de fora, suados, peles curtidas pelo sol desfilando pelo seu quintal e, talvez oferecendo uma rosa vermelha de pétalas enormes a Dona Encrenca? Mas você se garante. Não ia ligar, né? Uhum... sei...








Meninas, foco! O que vocês acham de colocar uma empregada "bem nutrida" pra trabalhar dentro de casa? E vocês, meninos?

Menino invade zôo e alimenta crocodilo com animais raros.

"Um garoto de 7 anos invadiu um zoológico na Austrália, matou diversos animais e alimentou outros vivos a um crocodilo durante uma conturbada série de matanças capturada pelas câmeras de segurança do zôo.

O ataque aconteceu semana passada. Durante 35 minutos, o menino matou brutalmente 13 animais no centro de répteis da cidade australiana de Alice Springs. Em um dos casos, ele bateu em um lagarto diversas vezes com uma pedra até o animal não resistir mais. Além disso, o garoto ainda alimentou um crocodilo com diversos animais vivos que jogava na jaula do réptil de 3 metros, chamado Terry.

As imagens do circuito interno de televisão do centro mostram o garoto sorrindo enquanto assistia o crocodilo atacar um lagarto de língua azul.

Apesar de ter sido levado à polícia, o menino não pode ser preso pois é menor de idade. Mas o diretor do centro, Rex Neindorf, quer processar os pais do garoto, que, segundo ele, deveriam estar controlando o filho naquele momento.

“Estou desolado pela idade do menino, pelos estragos que ele fez e por ninguém querer se responsabilizar”, disse Neindorf à imprensa local. Se fosse na minha época de criança, ele levaria um bom chute no traseiro, afirmou o diretor” inconformado.

Neindorf disse que 10 répteis, 1 tartaruga, 4 lagartos de língua azul, 2 dragões-barbudos, 2 diabos-espinhosos foram jogados para Terry, o crocodilo de 200 quilos.

Além disso, mais três lagartos foram encontrados mortos em seus viveiros.
“Será difícil substituí-los. Muitos eram raros e maduros”, lamenta o diretor.

O menino foi interrogado pela polícia, mas se manteve calado. Os policiais afirmaram que não têm a menor idéia do que pode ter motivado o ataque."


Ainda tem gente que acha que o ser humano nasce bom e se transforma depois. Eu discordo. Acredito que já nascemos com índoles que podem ser mais ou menos desenvolvidas de acordo com a criação. Mas esse menino é muito novo para fazer o que fez. Imagina quando for mais velho? Na boa? Uma criatura assim me causa medo. Por mim, poderia ter caído e enchido a pança do Terry no momento em que jogava alguma vítima indefesa. Porque mexer com o jacaré, o mosntrinho não mexeu, né?


O sonho de Ícaro

Deus não lhes deu asas físicas porque sabia que as da imaginação fariam com que eles alcançassem vôos cada vez mais altos. A sensação de liberdade que o parapente transmite é irresistível também aos apreciadores que permanecem em terra firme, hipnotizados pelas manobras embaladas pelo vento e pelo colorido que adorna o azul do céu como divertidas e inquietas estrelas diurnas.

Ver os pilotos planando sobre aquela paisagem deslumbrante antes do grande encontro que reuniu os feras do esporte perto das nuvens, me fez entender exatamente porque Ícaro sucumbiu à tentação de voar cada vez mais alto.

Castelo – o reino do parapente


Passei este último final de semana em Castelo, uma cidade do interior do ES, para ver de perto o final da Copa Mundial de Parapente, ou melhor, Paragliding World Cup. Às 10 da manhã de sábado, fui de carona com o Sardinha – "amigo" da minha amiga Juliana – até a rampa de decolagem. Fiquei extasiada. Debaixo de um sol escaldante, mais de 100 sacolões coloriam ainda mais o verde do gramado e mostravam que algo de vibrante estava para acontecer. E aconteceu.

Foi empolgante ver os pilotos reunidos para receber as instruções de vôo, acertar os GPS’s, vestir roupas apropriadas, esticar os parapentes no chão, prender o selete nas costas e, finalmente, fazer a corridinha para ganhar o céu de Castelo. As decolagens foram rápidas e alguns pilotos saíram quase juntos, o que deixou a rampa vazia em pouco tempo. O único probleminha foi um piloto metido a passarinho que, mesmo sem muita habilidade, quis aparecer mais do que os outros e acabou enroscado numa árvore de galhos finos. Foi o mais fotografado do dia. E só não despencou porque Deus não quis.

A prova durou umas 3 horas e o GOL – lugar combinado para a aterrissagem – ficava a uns 65 km da rampa. E lá fui eu, com a Juliana ao volante, resgatar alguns pilotos, inclusive o dono do carro, Sardinha.

Além de me divertir muito com o campeonato, gostei conhecer Castelo, com suas ruas largas e bem cuidadas e berço das ótimas pessoas que tive o prazer de conhecer, como o Anderson, a Paola, a Roberta, o Sidney (piloto carioca) e os pais e irmãos da Juliana, colega de trabalho e aspirante a amiga. Esta, por sinal, foi uma hostess perfeita e me acolheu com muito carinho e atenção. Obrigada por tudo, gente.

By Mila Neri: Sonoplastia, edição, efeitos especiais.

Curiosidade parapentista - Recorde em Distância Livre

Sardinha (Rafael Saladini), Frank Brown e Marcelo Prieto (Cecéu), conquistaram em 2007 o Recorde Mundial de Distância livre. Foram 31 dias investidos em Quixadá, Ceará/Brasil. 3 recordes importantes batidos, 2 sul-americanos e 1 mundial de distância livre. 4 vôos muito importantes (397 km, 414 km, 398 km e 461 km). Mais de 3.000km voados e mais de 8.000km rodados pelo resgate.

Eu fiquei passada quando o Sidney contou esse feito do nosso trio de brasileiros na hora do almoço. Nunca imaginei que alguém pudesse voar uma distância tão longa num parapente. Tô até pensando em combinar com o Frank, heptacampeão brasileiro, capixaba e gato, pra ver se ele me leva a SP em dezembro para o show da Madonna. Com certeza seria muito melhor do que ir pela GOL. Ele poderia até me deixar no Morumbi, sem fila, sem estresse. Pensando bem, melhor não. Do jeito que sou desastrada, é capaz de eu errar a área VIP e despencar em cima da Lôra.

Clube da Luluzinha

Meninas, há muito tempo eu não via uma concentração tão grande de homens interessantes. Homens, homens, sabem? Aquela coisa saudável, descontraída e o jeito atrevido de quem pratica esporte radical. E vieram em bandos de várias partes do mundo com seus sotaques deliciosos. Deu até vontade de aprender a voar também.

Trilha sonora às avessas

Ela não queria admitir. Depois de tanto tempo, o final de semana tinha sido meio morno sentimentalmente, apesar de quase terem colocado fogo nos lençóis. Mas ele não era só um pau para ela. Os abraços não eram longos. Não rolou conchinha. Não se davam as mãos em todos os lugares. Os banhos não eram juntos. E o primeiro deles aconteceu depois da primeira transa. Ele foi jogar fora a camisinha e logo ela ouviu o chuveiro. Foi uma ducha de água fria. Ela tentou enxergar o que estava dando errado e só descobriu quando começaram a última transa do reencontro. Ele não tinha estado todo ali, completamente entregue, como ela. Em alguns momentos parecia que a distância era proposital. Ela não queria um pedido de namoro. Só não queria ter que pedir que ele a segurasse por mais tempo e a apertasse em seus braços.

No momento em que se engoliam, ela foi surpreendida por este filminho que desfocou a boca carnuda masculina e os olhinhos pequenos. Ela se lembrou da música que ele comentou que adorava e cantou no carro. Era “Boa Sorte”, a última da Vanessa da Mata. O problema é que ela preferia “Se quiser eu vou te dar um amor, desses de cinema...”. O coração dela apertou e aconteceu algo que ela nunca pensou que fosse acontecer quando estivesse enroscada nele. Ela brochou.

Madonna Mia, eu sou VIP!!!


Conseguir o ingresso que eu tanto queria para o show da Diva foi uma saga.

Parte 1: Gabriela ficou até às 3 da madrugada de 2ª feira, brigando com o site para tentar 3 VIPs. Conseguiu comprar 1 pista pro Fernando e na nossa vez, o site deu problema e não veio a senha para a retirada dos ingressos.

Parte 2: Como não tivemos uma posição sobre a maldita senha, mesmo os valores tendo sido debitados, eu me desesperei e entrei em contato com o maior fã que a Madonna tem no mundo: Aguinaldo, que ia pra fila na 3º feira, às 17h e tinha combinado de pagar a um cara para guardar o lugar durante a madrugada. Mas aí tinha outro problema, a grana. Ou melhor, a falta dela. Não ia dar tempo de depositar e ele ir buscar no banco. Entrou em cena o Hugo. Passei um óleo de peroba na cara e mandei um e-mail perguntando se ele poderia me emprestar a pequena fortuna. Rapidamente, ele respondeu que CLARO! O Gui comprou ingressos para todos, mas os VIPs já tinham acabado também pro Morumbi. Tristeza geral, mas arquibancada garantida.

Parte 3: Ligaram para Gabriela e avisaram que a compra foi efetuada, mas não deram uma posição sobre a data. Fiquei em dúvida entre o Maracanã, na pista com alguns dos meus melhores amigos, e o Morumbi, na arquibancada lateral com meus 2 grandes amigos em SP e as melhores chances de curtir o show com menos aperto e mais visibilidade.

Parte 4: Gui me ligou pra avisar que tinha cadeira lateral pra vender. Um lugar melhor ainda de ver o show, com exceção da área VIP, claro. Isso me fez decidir pelo show em SP. Afinal, sabe Deus quando poderei ver a Madonna novamente.

Parte 5: Logo depois de comprarmos as cadeiras laterais, o Gui soube que iam voltar a vender VIPs nessa 6ª feira. Ficamos em dúvida sobre o que fazer. E se fosse mentira? E se ficássemos sem nada? Mas uma fonte pra lá de confiável (obrigada!) nos informou que ontem poderíamos tentar comprar nossos VIPs! Depois de muitos interurbanos, torpedos, e-mails e velas acesas, o Gui conseguiu os ingressos que tanto desejávamos! Comprou nossos VIP’s!!!

Quase morri de tanta felicidade, que só não foi completa porque a Gabi, o Fernando e o amigo Carlos não irão também. Agora tenho que ver as passagens aéreas. Aquela idéia de vender um rim nunca me pareceu tão tentadora.

VIP, VIP, UHA! VIP, VIP, UHA! :o)


Ensaio sobre a cegueira



Desta vez, o dilúvio veio em forma de um véu espesso, branco e leitoso, que desceu sobre os nossos olhos e nos mergulhou no mais profundo desespero. A onda de cegueira branca deixou claro que os instintos mais obscuros da natureza humana podem vir à tona diante das terríveis tragédias, que separam os fortes dos fracos. Os bons dos perversos. Os bravos dos covardes. Os generosos dos egoístas. Ter o brilho de um dia constantemente nublado sobre os olhos nos mostra que poucas vezes enxergamos o que realmente importa. E que essa cegueira sempre esteve presente.

Saramago, depois de ver o filme.



Não sou de comentar sobre os filmes que assisto porque sempre os vejo com o coração e algumas pessoas podem não entender meu conceito de bom e ruim. Me sinto mais à vontade de expor minhas opiniões nas conversas ou e-mails trocados com meus amigos. Mas acabei de ver este vídeo e não me segurei: o Saramago emocionado e feliz, ao lado do Fernando Meirelles, também emocionado, ansioso e feliz. Agora tô aqui, com os olhos cheios d’água. Eita sensibilidade danada.

Reparou naquilo?

Não existem homens melhores para trabalhar do que os que trabalham comigo. Quando nós, mulheres, aparecemos com um cabelo diferente, eles reparam. Quando estamos mais arrumadinhas, eles reparam. Qualquer coisa que saia do normal, eles reparam. E elogiam. Eu até já trouxe umas roupas pra cá, só pra saber a opinião deles. São os melhores termômetros que existem. Eles são sinceros. Eles têm bom gosto. E eles não são gays.

Maternidade: dá licença?

O presidente Lula aprovou a lei que prorroga a licença maternidade opcional em 2 meses. Agora, algumas mães poderão tomar conta em tempo integral de seus bebês por 6 meses, que serão muito longos para os respectivos chefes e muito curtos para se afastar de casa e deixar o filho por conta da babá ou da tia da escolinha. Mesmo não sendo mãe, eu imagino como isso deve ser delicado. E imagino mesmo porque moro em cima de uma creche e já presenciei muitas despedidas regadas a lágrimas. É de cortar o coração.

O fato é que o mercado de trabalho está cada vez mais exigente, inovador e competitivo, e esse benefício do governo pode emperrar diversas portas que vêm sendo abertas por nós, mulheres, com muito esforço no decorrer das últimas décadas. Porque mesmo mostrando um nível de escolaridade e capacitação mais elevado do que os nossos colegas de cuecas, ainda ganhamos menos e somos preteridas para assumir determinados cargos em diversos setores. Imagine ficarmos afastadas durante metade do ano com o pau quebrando, reuniões sendo feitas, mudanças na economia, clientes importantes saindo e entrando, a corda passando de pescoço em pescoço e o empregador ainda ter despesas com essa ausência. Claro que isso se aplica a mulherada que precisa mostrar serviço para se manter no emprego.

Já que os médicos afirmaram que o tempo perfeito para amamentação é de 6 meses, por que não tirar as férias para passar o 5º mês em casa e combinar do pai planejar as férias para passar o 6º mês trocando as fraldas e dando o leite retirado pela mãe? Eu não sou feminista e isso não é discurso de quem gosta de queimar sutiã, mas eu fico injuriada quando só a mãe assume a responsabilidade de cuidar do filho. E se teve a criança sozinha, tenho certeza de que é, ou virou, uma mulher mais forte e sabe dar ainda mais valor ao emprego que tem. Ela vai reconhecer a importância de manter o trabalho hoje para construir o futuro da família que acabou de aumentar.

E tem um outro ponto. A Patrícia Saboya, senadora responsável pelo projeto, justificou que o impacto nos cofres públicos dessa nova medida, será recompensado pela redução de doenças na infância graças a uma melhor alimentação. Esse raciocínio só não vale para os filhos das empregadas domésticas e pelas funcionárias de empresas de micro, pequeno e médio porte, já que não serão contemplados com o benefício. Ou seja, no caso das domésticas, que ganham em média 1 salário mínimo e estão entre as que mais precisam do SUS, a criança vai continuar “gastando” os recursos do país. Essa lei não deveria ser ao contrário, então? Privilegiar a classe mais pobre, que é carente de saúde, e vive passando perrengue nos corredores dos hospitais? Para variar, outra lei que pode causar mais confusão do que solução.

Me dá o prazer dessa dança, vai...



Homem que sabe dançar é tudo. O Anderson sempre anima a mulherada toda vez que a Banda Black Set se apresenta. Bonito, malhado na medida certa e com cara de bom moço, ele é a prova viva de que um homem pode ter um gingado sensual e ser muito, muito hetero. E você sabe o que dizem de um homem que dança bem, né? Ui!

Esse vídeo vai virar a sua cabeça. A pessoa fraca aqui acabou de comprar uma câmera e pensou que filminho era igual a foto: que tinha um comando para virar para todos os lados. Tsc, tsc, tsc.

Diga o seu signo, que o zodíaco dirá quem tu és.


Eu sou leonina e acho o horóscopo um assunto fascinante. Não sou do tipo que acredita nas previsões diárias dos jornais, apesar de sempre dar uma olhadinha, sem compromisso. O que me atrai e me seduz é ver como os perfis dos signos quase sempre combinam com as personalidades dos seus nativos. Serão fatos, coincidências, ou será que, ao acreditar nisso, as pessoas absorvem inconscientemente algumas características dos seus signos? Em alguns casos, podem se comportar como manda o figurino do seu astro e usá-lo para justificar certas atitudes? Afinal, sou MEIO mandona porque sou leonina, é mais forte do que eu quando deixo escapar um rugido mais intimidador na hora em que menos se espera. Faz sentido jogar a culpa no Grande Gato? "Eu sou metódica mesmo, mas isso é coisa de virginiana"; "eu mudo sempre de idéia, mas quem de gêmeos não muda?"; "sou um pouco desligado, mas é normal num pisciano". Esses exemplos foram dados porque, junto com aquário, são os signos que eu mais conheço.

A parte chata é quando você deseja ter aquela atitude e sentimento tão nobres e corajosos quanto os astros dizem que deveria, e eles não aparecem. E os astros não mentem jamais. Pelo menos não deveriam. Começam os questionamentos interiores: "eu sou uma mulher de leão! Como pude agir daquele jeito?". Vai ver o ascendente esteja influenciando, e você pode ter o azar dele ser uma péssima influência. E nem pense em mandá-lo pra China porque eles têm um horóscopo próprio e pode haver um conflito sério entre os signos. Quem sabe a numerologia dá uma forcinha ao zodíaco, se incorporar o W, K e Y ao nome, como fizeram com o alfabeto? Ok, talvez trocar o C pelo K também dê o mesmo resultado. Por falar em trocar... ahá! Já sei quem o possível culpado: Plutão. Sim, Plutão, aquele dissimulado, que por anos enganou toda a humanidade se fazendo passar por planeta. Um disfarce assim não poderia ficar impune. Aliás, como fica isso para os nativos de escorpião?

Agora que já fiz dividi algumas dúvidas, vou falar no que acredito de verdade. Para mim, as pessoas realmente possuem a maioria dos traços específicos dos seus signos e absorvem alguns que desejariam ter naturalmente, mas que nem sempre estão presentes de maneira espontânea. Em alguns casos, de tanto achar que são capazes disso ou daquilo por causa do signo, elas incorporam a característica à sua personalidade e conseguem se impor à situação como gostariam, como se interpretasse um papel melhorado de si mesma. E de tanto fazer o chamado interno, essa personagem virá à tona facilmente quando você precisar e enviar um SOS silencioso. Até o dia em que vocês se tornarão apenas uma criatura.

Causo astrológico

Eu tenho grandes amigas e amigos leoninos. Foi com duas delas que passei um feriadão em Arraial D'Ajuda há muito tempo. Os namorados não foram. Foi o perfeito Clube da Luluzinha. Em uma das noites, fomos bater perna em Porto e paramos numa barraquinha de um nativo sorridente que vendia bijous. Além das lindas pulseiras, colares e brincos com ótimos preços, o cara ainda era muito engraçado e simpático. Ficamos quase uma hora conversando com ele, rindo, contando de Vitória e ouvindo histórias engraçadas sobre a terra da lambada. Depois de negociar o preço dos mimos que escolhemos, ele virou pra gente e falou:

- Vocês três são leoninas, não são?
- Como você sabe? – perguntamos em coro, com os olhos arregalados.
- Tá na cara. Vocês são um pouco diferentes umas das outras, mas tá na cara que são todas leoninas.

Não lembro muito bem, mas parece que ele estudava os astros e outros assuntos do gênero. Foi bastante para ficarmos mais 1 hora encostadas por lá. Vai dizer que foi coincidência?

Inquilinos silenciosos

6ª feira, encontrei Janete e D. Fulana, que moram aqui na minha rua. A D. Fulana colocou a casa dela para alugar há meses e ainda não conseguiu arrumar um inquilino. Ela falava sobre isso quando Janete chegou.

D. Fulana: É... tá cada dia mais difícil... nem sei o que fazer...
Eu: Calma, é difícil mesmo.
Janete: Pois é, já é complicado e você dificulta ainda mais!!!
Eu: Por quê?
D. Fulana (emburrada): Porque eu e meu velho somos de idade e moramos na casa de cima, né? Não queremos muito barulho, então, não quero saber de churrasco, festa, nem de criança.
Janete: E a outra imposição?
D. Fulana (vermelha): E se for casal, só pode se for casado no papel. No papel! Dá licença que tenho que ir – saindo apressada.
Janete (sussurando): E, pelo jeito, se trepar não pode gemer.

Caímos na gargalhada. Cada uma que me aparece.

Cartão postal

Hoje o dia estava perfeito. O céu azul adornado por poucas nuvens e um mar tão incrivelmente lindo, que saquei minha câmera e tirei uma foto. Mas só uma, a que me fez ver a paisagem se transformar em cartão postal. Quando voltei à agência, perguntei se tinham reparado na cor e na tranquilidade do mar, mas todos acharam que estava tudo na mesma. Será que eles não conseguiram enxergar, ou será que eu estou vendo tudo mais colorido e vibrante esses últimos dias? Ahhh... em alguns momentos vida é tão mais bela.

* caminho da agência para casa.

Show da Madonna - Charge



Acabei de ver esse vídeo enviado pela Rê e adorei. Só não gostei do fundo de verdade. Ó céus, será que eu conseguirei ir?

Políticos Despertadores

Eu detesto esta época do ano. Candidatos sorridentes, horário político na TV, bandeiradas nas ruas, comícios, mentiras, panfletos enfiados pelas janelas dos carros e as MALDITAS TOPICS que estão me acordando às 8 horas da madrugada no final de semana. Isso é hora de zanzar pra lá e pra cá com jingles do tipo “Nem todo político é honesto, mas JosuÉÉÉÉÉ”? E logo no finde, quando eu gosto de dormir tarde e de acordar mais tarde ainda. Se conseguem perturbar agora, imagine depois. Nesses, eu já sei que não vou votar.

Nossos atletas nas Olimpíadas

Eu fico para morrer com a nossa mídia cobrindo as Olimpíadas de Pequim. O Brasil até agora só ganhou 1 ouro e 5 bronzes e os repórteres parecem achar tudo lindo e maravilhoso. Claro que os atletas que conseguiram suas medalhas merecem mais do que parabéns. São os melhores e, pelas entrevistas que vi, não contaram com grandes incentivos por parte do governo. Eu acho irreal um país grande e diversificado como o nosso ter tão poucos vencedores num evento que reúne a elite do esporte mundial.

Enquanto nos EUA e na própria China, o esporte tem um lugar de destaque na educação dos seus jovens, o Brasil os larga ao Deus dará. O primeiro adversário que os atletas pobres têm que enfrentar é a falta de recursos para praticar a modalidade sonhada. Esse é o concorrente mais implacável que pode existir, principalmente no começo dos treinamentos. Quantos corredores já desabafaram que tiveram que correr descalços atrás de patrocínios para conseguir calçar um tênis descente? Quantos outros vão e voltam a pé da academia porque não têm grana da passagem? Há ainda os que saem do país porque o nosso Gigante Pela Própria Natureza não tem um berço esplendido que oferece um treinamento de campeão. Porque não basta ser bom de muque para virar um boxeador consagrado. Tem que treinar. Tem que se dedicar. Tem que ter uma dieta balanceada. Tem que ter paz para viver do esporte com dignidade.

E os atletas que foram e só conseguiram ganhar tapinhas nas costas? Alguns eu respeito e sou muito solidária aos que demonstraram toda a sua frustração por não corresponderem às expectativas da nação, e as próprias, obviamente. Eu quase caí da poltrona quando o Diego Hypólito se desequilibrou no ÚLTIMO salto. Ele, o Tiago Camilo, o João Derli e outros, que não lembro os nomes, me deixaram comovida com suas lágrimas por não conseguirem a premiação que tanto correram atrás. Confesso que chorei junto com todos eles e não acho que tenha faltado competência ou que amarelaram. São humanos e, portanto, suscetíveis a erros.

Mas e o discurso da Joana Maranhão, a nadadora que ficou numa das últimas posições e estava toda feliz e saltitante?

"Tem campeão olímpico que não está tão feliz como estou hoje. Precisava mostrar para mim mesma que era capaz de fazer novamente um tempo tão bom quanto esse", (ela conseguiu igualar um tempo anterior. O problema é que existem muitas outras com marcas superiores. E sim, eu sei dos problemas enfrentados pela Joana, mas não alivio esse comentário ridículo).

É, com certeza o Phelps não deve estar mais contente do que ela. Que absurdo esse comentário. Se a nadadora não consegue acompanhar as feras do esporte, paciência, mas dizer que está felicíssima por ter chegado até ali é ser muito medíocre. Até ali aonde? Em Pequim? Ela foi a passeio? Ahhh, pelo amor de Deus. É se contentar com nada. A Daiane dos Santos é outra que tem talento de sobra, mas sentimento de menos quando perde. “É, não deu, né? Fazer o que? O negócio é continuar treinando e blá, blá, blá”. Ou melhor: foda-se. Esse comportamento é típico de muitos brasileiros que pregam que o importante é competir. Porcaria nenhuma. Tudo bem que não quero ninguém cortando os pulsos porque fracassou, mas daí se conformar tão facilmente, não dá. O importante é entrar para ganhar com garra e alegriae, só focado nisso – e apoio técnico e psicológico – vamos formar atletas vencedores.

***

Claro que a educação vem em 1º lugar, mas eu acho que o esporte e a cultura são os meios mais eficientes para atrair e colocar nossas crianças, adolescentes e jovens no caminho certo, além de descobrir talentos. Por que o projeto em abrir as escolas todos os finais de semana para atividades envolvendo competições, teatro, intercâmbio, leitura e outros eventos que afastam os jovens da rua e da bandidagem não vira logo lei? Acho que a saída é o governo, as igrejas, as empresas privadas e as famílias juntarem forças para uma iniciativa assim sair do papel.

Nadia Comaneci



Já que estou falando sobre olimpíadas, não poderia deixar de dividir este vídeo sobre a única ginasta nota 10 da história. Muita gente fala que se fosse hoje em dia, ela não ia conseguir porque o grau de exigencia aumentou muito. Mas o que importa de verdade é que ela marcou a história dos jogos olímpicos e isso, juíz algum vai tirar dela. Aplausos.

Presente que é um poema

Acabei de ganhar um presentinho de aniversário muito fofo de um cara incrível. Um amigo meio desnaturado, mas que tem todo o meu coração e admiração. Obrigada, L.

"A gente olha os olhos dela
E não se espanta com aquele espanto
De olhos vivos de vida.

A gente a abraça e sente
Um calor de cobertor quentinho.
E uma vontade que dá
De ficar ali pra sempre,
Num abraço infinito.

A gente ri porque o sorriso
É parte dela, é o vírus dela
Que contagia a gente.

Pra ela,
A gente conta tudinho
E fica leve das coisas ruins
E satisfeito das boas.

A gente conta porque ouvir
É ciência dela, é remédio dela,
Que faz bem pra gente.

E quando ela escreve?
É uma conversa com a gente,
É em casa que a gente se sente.

Pererê, parará,
É bate papo, não é chato,
Parece que é só pra gente,
Mas é pra todo o mundo.

Ela é a Anna
É a Anna Querida.
É muito bom ser amigo
Da Annokas Christina."

Show da Ana Carolina

Não sei o que foi melhor no show de sábado. Ver a Ana Carolina ao vivo, pela 1ª vez. Vê-la da 1ª mesa, com todo conforto. Ganhar os ingressos e ainda levar amigos. Sou pobre, mas sou bem relacionada.

Ana Carolina - Ela mexe o pandeiro

E vai rolar a festa

Comemorar aniversário entre pessoas queridas é uma delícia. Ainda mais se tiver um show especial da banda formada por amigos que tocaram especialmente para essa comemoração, a re.verb. Mas eu não fui a única a soprar velinhas. A Paula e o Berger (que não soprou, literalmente) também eram aniversariantes e fizemos a maior festança no Teachers Pub. Infelizmente algumas pessoas não puderam ir. E as que compareceram, muito obrigada pela presença e pelo carinho. Foi tudo!

Anna’versariante do dia

É hoje! É hoje! Adoro fazer aniversário. AMO! É bom ganhar parabéns e chamegos de pessoas queridas. Hoje vou fazer um programinha light com minha família. Já amanhã... ah, amanhã... ;o)

O convitinho foi feito pelo meu amigo e chefe, Alexandre. Os amigos gostaram e eu também.

Convites

É tão gostoso preparar convites para comemorações. Criei este, com arte do meu grande amigo Thiago, para meu aniversário de 31 anos. A festança foi ótEma.
Ps. Mas não me chame de Anninha, please.

Um pouco do meu trabalho

Acabei de fazer uma limpeza nos meus arquivos antigos e encontrei um texto gostoso que fiz para o catálogo de um ex-cliente, Cobra D’Água, que é uma marca de susfwear vendida em todo o país. O MKT tinha definido que não queria nada focado na estação outono-inverno. Queria algo atemporal para o conceito da sua coleção, que era o rock, nome que nós, capixabas, usamos para dizer que vamos para a balada. Daí a criação concebeu o Estação Brasil, dividido em 5 linhas e os textos viajando entre as roupas, página por página, o que explica o porquê de alguns serem mais curtos do que os outros.

Linha Masculina D’dágua
Comigo não tem tempo ruim. Não tem tempo frio nem quente que me desanime de botar o pé na estrada e sair para o rock o ano todo. Minha onda é mergulhar nas praias, no rio 40º, no rio que parece mar, dropar de costa norte a sul, mas sem dar as costas para o resto do país. O meu rock tem o clima do Brasil.

Linha Masculina Street
O meu rock é a energia do frevo, o eletrônico, o forró arretado, a micareta. É a mistura do tutu, moqueca, tucupi e vatapá. Mistura de climas, de terras, de festas. Da serra ao mar, do serrado à chapada, rockear é o verbo, sem destino é o mais correto. Para levantar o astral, mochila nas costas e montanha acima. Altos esquemas e um cobertor de orelha para me esquentar. A temperatura vai subir.

Linha Feminina D’água
Para quebrar o gelo, troco o cobertor pelos Lençóis, mas sempre com aquele friozinho na espinha. Desço de rafting pelo velho Chico, conto as estrelas do céu e pego as do mar, relaxo no engarrafamento de jangadas, faço ski bunda em dunas brancas e danço a chuva das 2 horas antes do pôr-do-sol no Chuí. Estou aqui e ali, sou um e plural.

Linha Feminina Street
Peito aberto, lenha na fogueira e mando brasa na festa de São João, da Uva, do Vinho, da Cerveja. Rodo pelos Rodeios. Adoro ver a briga vermelho-azul dos bois, a briga do rio com o mar e ver a vida cor-de-rosa dos botos.

Linha Juvenil
Pé-de-moleque é bom, desde que ninguém pegue no meu. Rockear no shopping, no papo-furado, na hora do recreio e no shape irado do skate. Torço para dar sol, para o Guga ganhar e para o beach soccer bater um bolão. De tanto gostar do rock, fiquei cobra no assunto. Quem fica parado cria teia de aranha. O negócio é sair, agitar e marcar presença pelos lugares que passar.

Oh yeah, baby.

Hoje é o Dia do Orgasmo. Reza a lenda que se você ganhar um nesta data, vai gozar de um prazer descontrolado, luxurioso e intenso para te acompanhar nas próximas 24 horas, a partir da entrega do presente. O dia de hoje também é indicado para quem precisa relaxar, suar, queimar calorias, alongar e fazer tratamento de pele. Mas o bom mesmo é só pensar na diversão. E, sem (ou com) sacanagem: mesmo que você seja muito independente, essa comemoração será melhor a dois. Enjoy.

Bilhete de amor

Dona Linda é a avó mais linda e fofa do mundo, mesmo derrapando na hora de escrever Chris. O bilhetinho atencioso e o bolo de banana delicioso que ela preparou para eu trazer de lanche para a galera da agência desculparam tudo. Hummmmmm!!! :o)

Prazo de validade

Você já se sentiu velho demais para alguma coisa que desejasse muito fazer? Ou novo demais para outra? Ouvir, dançar ou cantar uma música. Ver um desenho animado, ou um clássico do cinema mudo. Soltar pipa. Conhecer a Disney. Tocar violão. Bateria? Flauta? Mudar de profissão. Ter um filho. Namorar alguém com idade muito diferente da sua. Emagrecer. Qualquer coisa. Pensa aí. Você vai lembrar. Eu já não me sentia assim há muito tempo e foi bem chato. Aconteceu no domingo passado, num churrascão onde fui de penetra com amigas de longa data. Todas casadas, mães de 2 filhos, no mínimo. Todas maravilhosas, engraçadas e alto astral. Elas se divertem muito com as minhas histórias. Eu me formei com a mais nova da família e temos muitos causos para contar. Tudo ia bem quando Beautiful Day cedeu lugar à Festa, de Ivete Sangalo. Lá pela metade da música, lembrei que ela se apresentará aqui, em agosto. Eu nunca fui a um show dela em Vitória.

Eu (animada): Acho que vou dormir na sua casa depois do show da Ivete.
Amiga 1 (solícita): Pode ir. O povo lá de casa vai também.
Eu (rindo): Pois é. É longe pra caramba e o táxi vai me custar um rim.
Amiga 1 (solícita): Vamos combinar de você ficar lá em casa, sim.
Amiga 2 (rindo): Anna, você vai parar com essa vida quando?
Eu (sustentando o sorriso): Por quê? Você quer que eu fique em casa fazendo sapatinho para os filhos das minhas amigas?

Não sei como ficou a minha cara porque sou muito transparente e dei a resposta tentando não perder a linha. Me senti péssima e mais velha do que a Dercy. Nesse exato momento, fui salva pela música que marcou meu carnaval de Salvador: “Eu fui atrás de um caminhão fazer meu carnaval e o carnaval é feito no coração...”

Relembrei o domingo de carnaval, a energia que senti no Farol da Barra, sob o céu azul e cercada por uma multidão colorida e alegre que estava lá para ver o Chiclete. A sensação chata logo passou, mas fiquei encafifada com esse assunto. Quando a gente tem que deixar de gostar de fazer alguma coisa que realmente adora? Qual o fator decisivo? A idade? Estar casada? Ter filhos? PEMMMM. Respostas erradas. Pelo menos para mim e para outras amigas solteiras, casadas e separadas, de idades tão variadas quanto os gostos musicais e culturais. O fator, que eu perguntei e eu mesma vou responder, é só um: a cabeça. E a minha nunca terá preconceitos de que existe idade para a diversão.

Eu me apaixonei pelo trio elétrico aos 16 anos e agora, que vou fazer 35, a folia ficou inadequada para mim? Pensei nisso um tempão. Eu deveria ficar deslocada no meio daquela multidão puxada pelo Chiclete com Banana em Salvador? Eu me senti em casa. Será muita animação e energia para uma balzaca? Deveria arrumar uma turma e voar para Olinda, vestir fantasia e seguir as marchinhas? Ou adultos fantasiados também são inapropriados? Quem sabe me isolar em algum lugar bonito e calmo, ler um livro cult e ver uma dezena de filmes cult durante todo o carnaval? Só pra dizer que sou cult? Cultérrima? Pois eu não vou fazer nada disso. E não é por estar solteiríssima, porque se estivesse casadíssima, pode ter certeza de que meu amor me faria companhia. E se eu tivesse filhos, eles ficariam em casa com a minha mãe, que nunca gostou de carnaval (viva a diferença!). Para quem acha que Salvador não é balada para casal, vou falar sobre a Marcela e o Jônio, que estão juntos há uns 12 anos, e também foram comigo. Algumas noites eles só chegaram em casa depois de mim. O casamento não invalida o espírito folião.

Logicamente certas preferências mudaram de uns anos para cá. Já que comecei falando sobre música baiana, confesso que gostava muito de axé, mas os únicos que ouço agora são o Chiclete e a Ivete, em momentos especiais. Por outro lado, me rendi ao blues e a ópera que, antes, achava uma gritaria sem fim. Carmen me conquistou. Filmes? Muito sangue anda me deixando nervosa. Dança? Continuo amando sacudir o esqueleto em boates e até em casa. Um ainda dia faço aulas de dança de salão. Livros? Gosto tanto do Harry Potter quanto o último que li: Quando Nietzsche Chorou. Cultura ou esbórnia? Em SP, cheguei a trocar uma noitada num club para ver O Fantasma da Ópera.

É claro que o tempo nos torna mais exigentes e seletivos, mas esse tempo se refere mais à experiência acumulada do que com o passar das primaveras. Quem não compreende isso, constrói um contador invisível que vai minando algumas possibilidades que seriam espetaculares, como mudar de profissão ou de cidade. O prazo de validade só acaba quando a vontade se esgota por conta própria e não por imposição. Chega de preconceito, gente. Eu nunca vou deixar de fazer as coisas que gosto por um motivo muito simples e definitivo: me sinto feliz.

DEPOIS DO THE END - ET & Guerra dos Mundos

A pequena Rachel estava no seu quarto lembrando dos maus bocados que tinha passado no mês anterior. Não conseguia acreditar que os ET's maus, tão feiosos e inteligentes, tinham morrido de morte morrida. "E ainda tem gente que torce o nariz para bactérias e outras coisinhas do gênero" – ela pensava. Depois desse episódio passava, no mínimo, três dias sem tomar banho, contando aí, sábados, domingos e feriados. Quando a mãe perguntou por que estava agindo como o Cascão, ela explicou:

- Mãe, se todos fossem assim, eles não teriam sobrevivido dois dias em contato com a gente - e decidiu parar de lavar as orelhas por tempo indeterminado.
- O que é isso!? Não criei filha minha pra virar menina bomba!

Depois que a mãe saiu reclamando que, se fosse assim, nenhum alienígena teria a ousadia de pisar em Paris, Rachel ouviu um barulho dentro do armário. Alarmada, pegou a folha de alface estragada que tinha escondido na gaveta para alguma emergência e, na ponta dos pés, se aproximou. Num movimento rápido, escancarou a porta e deu de cara com o ET do filme ET - O Extraterrestre. Rachel começou a berrar. Aquele gritinho insuportável que só uma garotinha do cinema consegue dar. O ET, com cara de "já vi esse filme antes" disse:

- De novo essa cena?

Rachel ficou tão apavorada que perdeu a voz.

- Pára com isso, você é tão cansativa.
- Que-quem é você?
- Como assim, quem sou eu? Tudo bem que fui embora há uns 25 anos, mas pensei que nunca fosse me esquecer. Eu nunca esqueci de você. Pelo menos não dos seus gritos.
- 25 anos? Mas parece que foi o mês passado!

ET esticou o longo pescoço e foi chegando mais perto dela. Mas antes que Rachel começasse a berrar novamente, perguntou:

- Cadê seu irmão? Ele sim, era meu chapa.
- Mudou pra casa do papai. Disse que essa esposa dele é demais. Meio pau mandando, mas bem jeitosinha.
- Mas isso é quase um incesto!
- No mínimo uma pouca vergonha.
- Esse filme é do Spielberg?
- É.
- É sobre ET' s?
- No caso de dúvida, tem um espelho logo ali.
- Você é a caçula?
- Por enquanto sim.
- E esse cabelo louro? É seu ou é pintado?
- Se continuar a ver ET's todo mês, vou precisar em breve.
- Você não é a Gertie, mais conhecida como Drew Barrymore?
- Meu nome é Rachel, mais conhecida como Dakota Fanning.
- Esse filme é mesmo do Spielberg?
- Um sucesso de bilheterias!
- Não tô entendendo... ET's, uma garotinha lourinha e histérica, direção do...
- Ahá! Agora eu reconheci você! Você é o ET, de ET, O Extraterrestre! É um ET bonzinho!

ET olhou com cara de tédio e deu um longo um bocejo.

- Como pude me esquecer do: "ET... fone... home..." - falou tremendo a voz.
- Esqueça isso, pirralha. Detesto lembrar da época que não sabia juntar três palavras.
- A ponta do seu dedo ainda fica luminosa?

Rachel corou quando ET esticou um dedo pra ela. E não foi o indicador.

- Por que o mau humor?

- O que você esperava? Depois de 25 anos, consigo um visto de turista para voltar à Terra, dar umas voltas de bike ao luar e tomar uns gorós no Dia das Bruxas e, depois de saculejar anos luz naquele disco voador caindo aos pedaços, eu chego aqui e encontro a bonita aí, com essa cara de interrogação e cheiro de quem não toma banho há uma semana.
- Ahh, cai fora. Você tá no filme errado. Na sua época eu nem era nascida, vovô.

ET começou a ficar sem jeito.

- Se eu fosse você, baixava a bola. Os ET's bonzinhos do cinema estão em decadência, sabia?
- Bonzinhos não, mas frouxos, sim. Onde já se viu. Depois te tanto trabalho, ter um fim daquele? Francamente!
- Você fala isso pra menosprezar seus conterrâneos, que chegaram aqui botando banca.
- Eu não tenho parentesco algum com essa espécie... tão... tão sensível - e saiu saltitando imitando passinhos de balé.
- Pode dizer o que quiser, mas MEU filme de ET's é muito melhor que o seu.
- Por quê? Vai dizer que seu irmão é mais legal que o irmão da Gertie?
- Não.
- Então...?
- Mas o meu pai, fofo, é o Tom Cruise.

ET abriu a boca pra protestar, mas diante dessa argumentação, achou melhor ficar calado. O Tom, decididamente, fazia um bocado de diferença.

Fantasias sexuais

Quem não tem as suas? De conhecer o outro, no sentido bíblico, na escada do prédio? Se inspirar na Cicarelli pro amasso na praia. Brincar de médico depois da adolescência. Usar o nó de marinheiro pra soltar os bichos. Arrancar a roupa, mas não tocar nas meias 7/8 e saltos depois da festa. Fazer “upa, upa” enquanto brinca de cavalinho nas costas do outro (se você tem problemas na coluna, evite). Afogar o ganso no pedalinho do lago. Enxergar com outros olhos um bolo recém saído do forno. Usar aquela cuequinha de elefante. Achar que dois é pouco, e que o bom mesmo é juntar três, quatro, cachorro, gato, galinha e papagaio. E por aí vai.

São tantas, tão variadas e inusitadas que fico imaginando de onde vieram. Como elas nasceram e sussurraram (baixinho, roucamente, no ouvido): “hummm... como nunca tinha pensado nisso antes... vai ser uma loucura... tô dentro”. Ou quando urraram: “o cinto, use o cinto!”.

Da minha eu sei bem. Foi aos 14, 15 anos, no cinema. Não, não estou falando dos lanterninhas. Minha fantasia saiu do armário no exato momento em que o Tom Cruise, Val Kilmer e os outros gatérrimos sugiram na telona andando em câmera lenta, usando macacão e Ray Ban. Ahhh... Top Gun. Tudo começou ali. Eu sou louca por uma farda. E a de piloto é a mais mais, claro. Não é segredo. Todo mundo que me conhece sabe disso. Mas pensando agora, acho que esse negócio já vinha comigo desde criança, quando ia visitar o exército no Dia do Soldado. Tinha um primo que servia e sempre me levava num roteiro diferente dos outros coleguinhas da escola. E eu ficava lá, achando o máximo os homens que defendiam nosso país. Aí veio o filme e pimba! Perverteu a visão inocente. Good!


Anos depois, vestida de Mulher Gato numa Festa à Fantasia e me perguntando aonde estavam os morcegões do pedaço, aconteceu: me deparei com SEIS pilotos num canto. Juro. SEIS caras usando macacões e óculos escuros. Fiquei estatelada. Foi quase uma overdose. Imediatamente, eu me peguei com Santo Antônio e logo um se aproximou.

- Oi. Se eu soubesse que ia conhecer você, teria vindo de Batman.
- Nenhuma outra fantasia* seria melhor do que essa – respondi, sem acreditar na minha sorte.

Depois disso, ouvi 'Take my breath Away' durante uma semana na agência. Eu chegava e o Thiago ligava o som.

O problema começou quando vim trabalhar na Praia da Costa. Na primeira semana, enquanto criava um roteiro, sentada no quintal, ouvi os gritos de guerra. A praia fica aqui pertinho e o batalhão sempre corre nessa área. Fui rápido pra uma fresta da parede. Eles já estavam perto. Eu já dava risadinhas nervosas quando os primeiros chegaram. Garotos, magrelinhos, com shorts verdes curtos e camisetas brancas largas. Nada cinematográfico. Um balde de água fria. Foi uma decepção tão grande que quase não consegui mais criar nada. Depois disso, eles já passaram muitas outras vezes. Agora eu até corro pra dentro, coloco os fones e aumento o som. Uma visão daquela pode acabar com qualquer fetiche.

* e nem era fantasia. Os caras eram mesmo pilotos da marinha!!! uhuuuu!!! Mais, eu não conto.
** Ando meio ocupada e por isso não tenho escrito. Para dar uma movimentada no blog, resolvi ressuscitar este post, que é bem antigo.

Pior do que mulher de malandro

Existe um tipo de mulher que sofre muito mais do que as namoradas dos piores cafajestes: as namoradas dos super-heróis. Acabei de ver Hulk. Pobres mocinhas. Deus que me livre. É angústia sem fim.
Para comemorar o Dia do Mídia, a OMNI organizou um inusitado passeio de escuna pela baía de Vitória. Foi a comemoração mais original e gostosa da época. E o que eu estava fazendo lá, já que era para os mídias? Bem... cof, cof... eu sou uma pessoa muito bem relacionada (valeu, Gabriela!). Mas então, como eu ia dizendo, a manhã estava linda, o céu azul, o mar calmo e tinha uma turma ansiosa por apreciar a cidade de um novo ângulo.

Saímos da Ilha do Boi – reduto dos bem nascidos –, que foi contornada, e deslizamos pelas águas profundas e acolhedoras que separam Vila Velha de Vitória. Passamos em frente ao Morro do Moreno, sob a 3ª Ponte, aos pés do Convento da Penha e fomos em direção ao Centro da capital. Navegamos em frente ao Penedo e paramos no Museu Ferroviário. Vi muitas embarcações no decorrer do percurso: grandes navios ancorados no porto, lanchas, caiaques, pescadores e até uma pessoa que estava mergulhando – com todos os apetrechos – em frente a uma cabana espremida entre o mar e algumas árvores.

Enquanto a escuna avançava, minha lembrança voltava anos para refazer o mesmo caminho quando eu era adolescente e ia ao Centro. Era lá que a cidade fervia e eu nunca ia de ônibus. Preferia sempre pegar a barca, que saía da Prainha, em Vila Velha, perto do Convento. Além de chegar mais rápido, o transporte marítimo ainda oferecia uma paisagem maravilhosa e inspiradora. Como era bom sentir o ventinho no rosto, o cheirinho de maresia, o balanço e o som que só o mar oferece.

Mas o inevitável aconteceu. Vitória cresceu muito, o Centro deixou de ser o centro das atenções e ficou decadente; os municípios foram interligados pelo sistema Transcol de ônibus; a 3ª Ponte foi terminada e o sistema aquaviário, totalmente menosprezado, afundou. Um absurdo, já que nossa capital é uma ilha de águas calmas e perfeitas para serem usadas como plataforma natural. O trânsito está cada vez mais estressante. Só para ter uma idéia, quem sai do Centro e vai a Paul de ônibus no horário de pico, pode demorar 1 hora. De carro, uns 40 minutos. De catraia, menos de 10 minutos. Se eu tivesse que fazer esse percurso, juro que compraria até um violão para fazer par com o tio do barquinho.

Graças a Deus eu moro e trabalho em Vila Velha e, como boa nativa, conheço várias rotas de fuga pra escapar das avenidas iluminadas pelas lanterninhas vermelhas enfileiradas que, na hora do rush, acendem e apagam mais do que luzes de Natal.

Mas isso pode mudar. Foi com grande alegria que soube do provável retorno das lanchas em grande estilo, com integração ao Transcol, paradas em quase toda a ilha e ligação com os municípios vizinhos. Espero muito em breve poder passar mais vezes sob a 3ª Ponte do que sobre ela.