Acabei de fazer uma limpeza nos meus arquivos antigos e encontrei um texto gostoso que fiz para o catálogo de um ex-cliente, Cobra D’Água, que é uma marca de susfwear vendida em todo o país. O MKT tinha definido que não queria nada focado na estação outono-inverno. Queria algo atemporal para o conceito da sua coleção, que era o rock, nome que nós, capixabas, usamos para dizer que vamos para a balada. Daí a criação concebeu o Estação Brasil, dividido em 5 linhas e os textos viajando entre as roupas, página por página, o que explica o porquê de alguns serem mais curtos do que os outros.
Linha Masculina D’dágua
Comigo não tem tempo ruim. Não tem tempo frio nem quente que me desanime de botar o pé na estrada e sair para o rock o ano todo. Minha onda é mergulhar nas praias, no rio 40º, no rio que parece mar, dropar de costa norte a sul, mas sem dar as costas para o resto do país. O meu rock tem o clima do Brasil.
Linha Masculina Street
O meu rock é a energia do frevo, o eletrônico, o forró arretado, a micareta. É a mistura do tutu, moqueca, tucupi e vatapá. Mistura de climas, de terras, de festas. Da serra ao mar, do serrado à chapada, rockear é o verbo, sem destino é o mais correto. Para levantar o astral, mochila nas costas e montanha acima. Altos esquemas e um cobertor de orelha para me esquentar. A temperatura vai subir.
Linha Feminina D’água
Para quebrar o gelo, troco o cobertor pelos Lençóis, mas sempre com aquele friozinho na espinha. Desço de rafting pelo velho Chico, conto as estrelas do céu e pego as do mar, relaxo no engarrafamento de jangadas, faço ski bunda em dunas brancas e danço a chuva das 2 horas antes do pôr-do-sol no Chuí. Estou aqui e ali, sou um e plural.
Linha Feminina Street
Peito aberto, lenha na fogueira e mando brasa na festa de São João, da Uva, do Vinho, da Cerveja. Rodo pelos Rodeios. Adoro ver a briga vermelho-azul dos bois, a briga do rio com o mar e ver a vida cor-de-rosa dos botos.
Linha Juvenil
Pé-de-moleque é bom, desde que ninguém pegue no meu. Rockear no shopping, no papo-furado, na hora do recreio e no shape irado do skate. Torço para dar sol, para o Guga ganhar e para o beach soccer bater um bolão. De tanto gostar do rock, fiquei cobra no assunto. Quem fica parado cria teia de aranha. O negócio é sair, agitar e marcar presença pelos lugares que passar.