
É tão difícil começar a malhar. Tirando os esportes que pratiquei na infância e adolescência como natação, vôlei, basquete e muita queimada na rua e na hora do recreio, eu nunca fui muito chegada a fazer exercícios. Mas agora, 35 anos, sedentária, preguiçosa, lei da gravidade entrando em vigor e alguns modelitos derrapando nos malditos pneuzinhos, não tem mais como fugir da academia. Nem fugir, nem trapacear, como eu fazia na escola nas aulas de educação física.
Professor: Quantas abdominais?
Eu: 100! – e continuava baixinho, com 1 palmo de língua pra fora depois das 5 voltas no campo de futebol e trocentos polichinelos, – 51, 52...
É isso! Agora descobri da onde vem a minha implicância com exercícios de repetição. O trauma é antigo. Sabia que esse blog uma hora ia prestar pra alguma coisa.
Continuando o assunto, eu só entrei umas 3 vezes em academias e nunca esquentei lugar por mais de 3 meses. Mas agora vai ser diferente e eu vou botar essa bundinha para o alto e avante.
O primeiro passo foi escolher a atividade. Natação? Melhor não! Se eu tô me achando fora de forma, como vou colocar um maiô perto das marombeiras de plantão? Só se nadasse com roupa de mergulho. Aeróbica? Minha coordenação motora é péssima e não preciso perder peso, graças a Deus. GAP? Essa é ótima, mas bem puxada para quem fica cansada só de subir as escadas da agência. Pensei também naquela lá da bike que simula subidas, descidas e, no meu caso, quedas também. Se eu fizer a metade do que os professores mandam, eu tombo pro lado.
Acabei decidindo pela musculação, que tenho um pouco mais de intimidade. Intimidade assim, coisa de preliminar ainda. Estamos nos conhecendo melhor e, como todo início de relacionamento forçado, tem seus altos e baixos. Mas desta vez eu não vou pedir pra sair.
Depois da decisão, o momento crítico foi colocar a roupitcha, aquela coisa apertada e gritante: “olha como preciso malhar”. Olhei, olhei, virei pra lá, virei pra cá e a vontade mesmo foi de vestir uma burca. Chegando no centro de tortura, expliquei ao instrutor que eu quero ter o corpo da Juliana Paes, com os retoques do photoshop, claro. Fiz a avaliação física e ele montou a minha série inicial. Foi um choque. Além da malhação super-ultra-mega-hiper intensa, ia precisar de milhões de suplementos porque tenho a estrutura fina. Desisti imediatamente de ser a sósia corporal da Juli e preferi ser eu mesm. Ao menos não tenho aquela quantidade de celulite que a Playboy escondeu (inveja é uma merda). Só fazer uma recauchutagem já está de bom tamanho. E mantendo o tamanho 40, por favor.
Saí do burocrático e fui para o trabalho braçal. O cara ficou com pena de mim e passou uma série bem café com leite, mais do que o normal. Comecei pela esteira, 15 minutos, que passaram rapidamente porque eu estava distraída, lendo uma revista. A revista escorreu, caiu, eu pisei em cima, me atrapalhei e só não despenquei feito uma jaca porque sempre ando segurando na barra. Ótima estréia.
Depois fui para os aparelhos e o instrutor do meu lado, contando junto comigo, e falando: “Vai, mas devagar! Vai que o carnaval tá chegando! Vou ali e volto, e não enrola que eu tô de olho em você!”. Carrasco. E eu fazendo uma força do cão, sentindo o músculo queimar, a lágrima escorrer do canto do olho e louca para pular a contagem.
Quando a série dos aparelhos acabou, fui para os alteres (viu, já sei o nome), que são piores. Porque, pelo menos, no aparelho dá pra se apoiar. Mas os exercícios nos alteres deixam os braços livres e você não tem como disfarçar os momentos de tremedeira quando levanta um peso que ainda está se acostumando. Humilhante. Mas o pior mesmo foi olhar para o lado e ver uma mimosa (vaca malhada) levantando uns alteres com o triplo do tamanho do meu rosinha peso agulha, sem mexer nem a sobrancelha. Ridícula.
A minha série é pequenina e logo eu acabei. Antes de partir, o instrutor perguntou onde eu pensava que estava indo, que ainda tinha os exercícios abdominais. O famigerado abdominal. Ao ver o cochãozinho jogado no chão, eu pensei em tudo, menos em me dobrar ao meio. Ele avisou de novo que “ia ali e já voltava” e eu parei o exercício antes de completar. Fiquei jogada no chão, acabada. Não sabia se doía mais a barriga, o pescoço, as costas, ou a consciência. Ele, me vendo inerte, me perguntou aos berros, de onde estava, se eu tinha certeza de que tinha acabado. Praguejando, eu continuei e terminei a porcaria da série. E tenho feito direitinho desde a semana passada. Se eu senti muita dor logo no começo? Só quando eu respirava. Nada que um dorflex não desse jeito. Mas eu não vou pedir pra sair. Sei que se eu não me cuidar é ladeira abaixo. É agora ou nunca. Me aguardem.