Seleção precursora de campeões


Garrincha
Tcheco, inglês ou espanhol. Não importava a nacionalidade do marcador. Para Garrincha (1933-1983), todos eram apenas "joãos". Essa postura não indicava, em absoluto, um traço de arrogância no caráter de um dos maiores jogadores da história do futebol mundial: ele encarava com a mesma postura todos os seus rivais, fossem eles estrelas de suas seleções ou apenas anônimos "beques" de times de várzea de Pau Grande.

Se Pelé personificava a eficiência máxima num jogador de futebol, levando-se em conta o talento e preparo físico, Garrincha é o maior representante do "futebol moleque", em que um drible humilhante provocava entre os torcedores uma euforia até maior do que um gol. Enquanto Pelé é o 1º representante e símbolo do profissionalismo no futebol brasileiro, Garrincha é o retrato da "época romântica".

Ironicamente, a Seleção Brasileira nunca foi derrotada em partidas em que 2 atuaram juntos. Apesar das pernas tortas (a direita para fora e a esquerda para dentro, 6 centímetros maior do que a outra), em sua melhor fase não havia zagueiro capaz de marcá-lo. Nem mesmo Nilton Santos, conhecido como a "Enciclopédia do Futebol" – o homem que abriu as portas do Botafogo para o ponta-direita – conseguiu detê-lo.

Depois de ter sido dispensado nas peneiras de Fluminense, Vasco e São Cristóvão, já que era considerado "torto" pelos treinadores, Mané fez um teste no alvinegro, em 1953. Na 1ª jogada, meteu a bola entre as pernas de Nílton, que saiu de campo e pediu a contratação imediata do atacante. "Melhor jogar com ele do que contra ele", afirmou Nilton Santos na época.

No Botafogo e na Seleção, Garrincha viveu seus melhores momentos entre 1958 e 1962. Era a época em que o alvinegro carioca dividia com o Santos de Pelé a maioria das vagas na Seleção. Convocado para a Copa de 1958, Garrincha começou a competição na reserva do flamenguista Joel. Na 3ª partida, os próprios atletas pediram sua escalação: eles sabiam o estrago que Mané poderia provocar numa defesa cheia de "joãos" europeus.

Titular nos treinos durante toda a preparação, ele foi sacado contra a Áustria porque temia-se o meio-campo de 4 jogadores do rival. 1 disciplinado e aplicado Joel foi escalado para compor o meio com Dino, Didi e Zagalo.

No 2º jogo, novamente Garrincha estava fora. Desta vez por outro motivo. A notícia que o lateral-esquerdo inglês Slater era desleal e tinha lesionado já 2 rivais na temporada fez o técnico Vicente Feola tirá-lo de novo da equipe. Garrincha, porém, não entendeu a situação e chegou a pedir para ser dispensado. Mazzola confirma seu jeito de ser: "Garrincha era o mais direto de todos no grupo. Falava o que pensava e não se importava."
Tudo mudou de figura com a partida contra a URSS. Para enfrentar o chamado "futebol científico" dos soviéticos, de muito preparo físico e do ouro olímpico em 1956, entrariam Pelé e Garrincha.


Com fama de ter um "futebol de laboratório", os soviéticos diziam saber como parar o Brasil. Já que nos 3 primeiros minutos de jogo Garrincha já havia humilhado várias vezes a defesa adversária, mandado uma bola na trave e criando a jogada para o 1º gol de Vavá.

O botafoguense foi logo mostrando seus dribles acrobáticos: com 25 segundos de jogo já tinha aplicado alguns deles nos marcadores Kuznetzov, Krijveski e Voinov, e mandado uma bola na trave. O Brasil ganhou por 2 a 0, com 18 chances de gol e Garrincha como o melhor em campo. "Eu estava com fome de bola", resumiu o ponta. No dia seguinte, os jornais de todo mundo se perguntavam como aquele jogador não tinha disputado os 2 primeiros jogos, com títulos como "O melhor reserva do mundo".Para as quartas-de-final, diante do País de Gales, o pai de Garrincha foi convidado para acompanhar o jogo no gabinete do presidente Juscelino Kubitschek.

Frente a França, pelas semifinais, Garrincha driblou 3 para fazer o 1º gol brasileiro na vitória por 5 x 2. Nesse jogo, sua vítima foi o defensor Lerond. Na decisão, a anfitriã Suécia abriu o placar, mas, graças a 2 cruzamentos de Garrincha para Vavá, o Brasil virou e acabou vencedor com 5 a 2.

Mas a verdadeira Copa de Garrincha foi a de 1962, no Chile. A Seleção tinha perdido Pelé na 2ª partida e precisava vencer os favoritos espanhóis para continuar na briga. Garrincha, que tantos chamavam de irresponsável, assumiu o comando do time. Graças a ele, Amarildo marcou os gols da vitória contra a Espanha, que colocaram o Brasil nas quartas-de-final. Depois, só deu Mané.

Nas quartas-de-final, contra os ingleses, e na semifinal, contra os chilenos, ele fez de tudo: jogou pelo meio, marcou gols de cabeça, gol de falta e até de perna esquerda. Foi expulso, inclusive: aplicou um cômico chute no traseiro do lateral chileno Rojas, que o marcava a pontapés e agarrões. Após uma manobra dos dirigentes brasileiros, o ponta-direita foi liberado para jogar a finalíssima contra a Checoslováquia, com 39 graus de febre.

Mas sua presença foi o bastante para manter a defesa checa acuada e garantir a conquista do bi. Ao voltar da Copa, Garrincha ainda brilhou na campanha que deu ao Botafogo o título de bicampeão carioca, em 1962. Na final, contra o Flamengo, ele marcou 2 gols e deu 1, de bandeja, a Quarentinha, transformando-se no principal articulador do sonoro 3 x 0. Esse foi, inclusive, o último grande jogo de Garrincha.

Depois dessa partida, infelizmente, transformou-se apenas numa caricatura do craque de outrora. Em 1963, a carreira de Mané entrou em declínio. Problemas nos joelhos começaram a prejudicar os dribles geniais. Para manter o atleta em campo e embolsar gordas cotas de amistosos, os médicos do Botafogo aplicavam sucessivas infiltrações nos joelhos do ponta-direita.

Quando a equipe carioca já havia "sugado" tudo o que podia de Garrincha, negociou o atleta com o Corinthians, no início de 1966. Porém, ele fez poucos jogos pela equipe paulista.

Em 1966, despediu-se da Seleção Brasileira na fracassada campanha da Copa do Mundo na Inglaterra. Mesmo sem condições físicas ideais, foi imposto no time por João Havelange, então presidente da CBD (Confederação Brasileira de Desportos). Mas deixou sua marca com um belo gol de falta na partida de estréia, contra a Bulgária, em que o Brasil mesclou 2 gerações: a Seleção contava com Garrincha e com o futuro furacão da Copa de 70, Jairzinho.

Em 1968, foi dispensado pelo Atlético Junior, da Colômbia, depois de 1 única partida e contratado pelo Flamengo, onde não permaneceu 3 meses. Encerrou a carreira em 1972, depois de uns poucos jogos pelo Olaria. Além das contusões, um mal maior já tinha consumido o craque: o alcoolismo. Foi ele o responsável, 1983, pela morte prematura do craque que enlouqueceu estádios e entrou para a história como o maior ponta de todos os tempos do futebol mundial. E um de seus maiores fenômenos.

Pelé
Com 12 gols, 3 títulos e atuações memoráveis em 4 Copas seguidas, Pelé alcançou um patamar inatingível para seus compatriotas como o melhor jogador da história da seleção brasileira. O "reinado" do jogador de Três Corações começou em 1958, quando o garoto Édson Arantes do Nascimento tinha apenas 17 anos.

No Mundial da Suécia, a revelação do Santos assombrou o mundo com golaços e técnica incrível. 4 anos depois, Pelé ganhou sua 2ª Copa, no Chile, mas viu tudo de fora dos campos, pois saiu lesionado do time brasileiro ainda na 1ª fase.

Em 1966, na pior participação da seleção pós-58 (eliminada na 1ª fase), Pelé foi caçado por marcadores portugueses e novamente acabou a Copa lesionado.

Mas a redenção viria em 1970, quando Pelé liderou o que para muitos especialistas foi o melhor time da história do futebol. No Mundial do México, o ídolo voltou a protagonizar lances de rara beleza plástica e ganhou de forma brilhante o tricampeonato. Os estádios Jalisco e Azteca viram o "Rei" no auge da forma.

Entre os lances da Copa de 1970 que entraram para o folclore do futebol, destaca-se a jogada em que Pelé venceu o goleiro uruguaio Mazurkiewicz com um "drible da vaca", a cabeçada potente para a defesa incrível do inglês Gordon Banks e a tentativa de gol do meio do campo contra a Techoslováquia.

Maior artilheiro da história da seleção, com 95 gols em 115 jogos, Pelé tem currículo vencedor no futebol que transcende sua passagem pelo Brasil. No Santos, clube que defendeu por quase 20 anos, o jogador brilhou em uma época em que a televisão não registrava todos os passos de um ídolo, como hoje em dia.

O mundo não viu, por exemplo, o gol que o próprio Pelé considera como o mais belo de sua carreira. Numa vitória do Santos sobre o Juventus pelo Campeonato Paulista de 1959, o "Rei" se livrou de vários marcadores com toques por cima das cabeça e, sem deixar a bola cair, empurrou para as redes.

Pelo Santos, Pelé conquistou o Campeonato Paulista 10 vezes. O jogador também liderou a equipe em 5 títulos da Taça Brasil, 4 do Rio-São Paulo, 2 Libertadores e 2 Mundiais Interclubes.

Depois do reinado no Santos, Pelé ainda desbravou o futebol na 1ª incursão de profissionalismo do esporte mais popular do mundo nos Estados Unidos. O brasileiro vestiu a camisa do NY Cosmos, onde conquistou o último título de sua carreira, em 1977.

1 ano depois da brilhante conquista na Copa do México, Pelé deixou oficialmente a seleção em 1971, num empate contra a ex-Iugoslávia no Maracanã, diante de 138.575 torcedores. Na "volta olímpica" para se despedir de seus súditos, o maior jogador do país chorou ao escutar o coro popular: "fica, fica".

Pelé foi eleito recentemente pela Fifa o maior jogador do século 20, ao lado do ex-desafeto argentino Diego Maradona. A paz com o antigo rival foi selada no ano passado, quando a estrela brasileira concedeu entrevista no programa "La Noche del 10", apresentada pelo ídolo do Boca Juniors.

O ex-jogador da seleção brasileira também desempenhou o cargo de ministro dos Esportes, na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso. Hoje fora da vida pública, Pelé segue presente nos principais eventos do futebol mundial, como no sorteio da Copa, em que foi uma das principais atrações.

Zagallo
Ele não parava em campo, e por causa dessa mobilidade Zagallo sempre foi comparado a uma formiguinha. Ponta-esquerda habilidoso, destacava-se pela presença no meio-campo, onde jogando para o time, e nem sempre para a torcida, escreveu seu nome na história do futebol brasileiro.


Foi no Flamengo tricampeão carioca de 1953, 1954 e 1955 que Zagallo começou a desenvolver seu estilo: o ponta-esquerda tático, recuando para ajudar na marcação. Pudera: em um time que tinha Dequinha, Moacir e Dida, ataque não era problema. Cuidando da marcação, o ponta garantia a subida dos craques e, de quebra, um lugar importante no time. Os técnicos o adoravam. Na Copa de 1958, seu futebol disciplinado foi titular, enquanto Pepe, o "Canhão da Vila", teve de assistir ao Mundial no banco de reservas.

Isso porque Pepe se contundiu pouco antes do início da competição. Mas se a escalação de Zagallo foi uma decepção para os fãs do ponta santista, ela assegurou liberdade a Pelé e Didi no ataque.

No Mundial do Chile, lá estava ele de novo, criando e destruindo jogadas e marcando um gol. Quando a Copa terminou, os jornais estampavam as fotos de Zagalo chorando. Foi só coração em todas as partidas. Três anos depois, aos 34 anos, abandonou os gramados.

O nome de Zagallo já estava para sempre registrado na história do futebol brasileiro. Mas ele deixou os gramados para atuar como técnico, e a sua estrela continuou brilhando. Comandou o escrete tricampeão no México, em 1970, e teve participação importante na conquista do tetra, como auxiliar de Carlos Alberto Parreira.

Nilton Santos
Era atacante. Caprichava nos chutes, driblava, fazia gols. Foi parar na defesa por acaso porque, em 1948, quando chegou ao Botafogo-RJ, Zezé Moreira descobriu que ele também sabia marcar. Jogou - e bem - em várias posições da zaga e ajudou o alvinegro a sagrar-se campeão carioca de 1948, quebrando uma longa hegemonia do Vasco. Na Seleção Brasileira que conquistou o Campeonato Sul-Americano de 1949, virou lateral-esquerdo.

Mas Nílton gostava de atacar. E se isso hoje chega a ser uma exigência para um lateral vencer na vida, naquele tempo era considerado, no mínimo, um ato de irresponsabilidade. Não foram poucas as vezes em que ele topou com as desconfianças de um treinador por não se comportar como um mero marcador de pontas.

Por esse pecado, ficou na reserva da Seleção de Flávio Costa, que perdeu a Copa do Mundo no Maracanã, em 1950. Assistiu à tragédia brasileira do banco. Em 1954, porém, Nílton foi para a Suíça como titular. Nunca mais perdeu a posição, pelo menos em Mundiais. Esteve presente em todas as partidas das Copas da Suécia e do Chile, na campanha do bi.

É verdade que, em 1958, Vicente Feola ainda faria uma tentativa de substituí-lo por Oreco, um lateral mais pegador. Mas a classe e a visão de jogo do craque acabaram prevalecendo. Mesmo com os sustos que ele dava no técnico. Na estréia do Brasil contra a Áustria, a Seleção vencia por 1 x 0 quando Nílton Santos apanhou uma bola na esquerda, subiu ao ataque e, depois de tabelar com um atônito Mazzola, disparou para marcar o segundo gol do Brasil.

No Botafogo-RJ -único clube que defendeu-, jogando como quarto-zagueiro, formou ao lado de Didi, Garrincha, Amarildo e Zagallo a equipe bicampeã carioca de 1961 e 1962 e do Torneio Rio São Paulo de 1962 e 1964, uma das melhores do Brasil em todos os tempos. Considerado por muitos o melhor lateral que o mundo viu jogar, recebeu o apelido de Enciclopédia do Futebol. Abandonou a carreira em 1964, aos 39 anos, sem deixar dúvidas de que, de fato, conhecia todos os segredos da bola. De A a Z.

Gilmar
No início de 1951, o Corinthians anunciou com alarde a compra de um centro-médio do Jabaquara de Santos: Ciciá. De quebra, só para complementar o negócio, veio também um goleiro, Gilmar dos Santos Neves. Ciciá, como centenas de outros jogadores, passou. Gilmar, não.


Com a camisa do Corinthians, da seleção brasileira e depois do Santos, ele se transformaria em um dos melhores goleiros - para muitos, o melhor - que o país já teve. Consagrado como o dono absoluto da camisa 1 alvinegra, ele chegou a titular da seleção brasileira que, em 1958, conquistou o seu primeiro título mundial na Suécia. Titular absoluto nas duas primeiras conquistas mundias do Brasil, em 1958 e 1962, ele era símbolo de segurança lá atrás, enquanto gênios como Pelé, Garrincha e Vavá garantiam os gols lá na frente.

Djalma Santos
Queria mesmo era ser piloto de avião. Já o pai, soldado da antiga Força Pública paulista, preferia que ele seguisse a carreira militar. Até que um dia, vendo o filho jogar no Internacional (um clube de várzea do bairro paulistano da Parada Inglesa), convenceu-se de que o destino dele era outro. Djalma Santos havia nascido para ser jogador de futebol.

Djalma chegou a fazer testes no Ypiranga e no Corinthians. Mas os horários dos treinos eram incompatíveis com o de seu trabalho como sapateiro. Só ficou na Portuguesa porque o patrão concordou que ele trabalhasse à noite, para compensar as horas perdidas no clube.

Uma de suas jogadas características era a cobrança dos arremessos laterais com força, para dentro da área, onde havia sempre um companheiro em boa posição para o arremate.

Foi titular em apenas uma partida - a final, contra os donos da casa, vencida pelo Brasil por 5 x 2 -, substituindo De Sordi, que passara mal. O suficiente para ser considerado o melhor jogador da posição naquele Mundial. Na Copa seguinte, no Chile, em 1962 (quando já era jogador do Palmeiras), Djalma Santos se sagraria bicampeão mundial. Jogaria mais uma Copa, a da Inglaterra, em 1966, e disputaria 100 jogos.

Orlando
Aos 23 anos, Orlando apresentou na Suécia um estilo que mesclava firmeza e elegância – características que vinham desde as categorias de base. Orlando foi titular da seleção brasileira nos seis jogos da Copa de 1958 e disputou um total de 34 jogos. Sofreu apenas uma derrota com a camisa canarinho e nunca marcou um gol.


Em clubes, Orlando acumulou títulos por onde passou. Começou no Vasco em 1955 e, aos 20 anos, logo assumiu a posição de titular. Seu futebol é lembrado pelo vigor físico, que impunha respeito sem o uso de violência. Tinha uma ótima antecipação e uma marcação precisa.

Bellini (Capitão)
Naquele ano de 1958, não poderia haver honra maior para um brasileiro. Bellini foi o primeiro a segurar a taça Jules Rimet. A cena ficou eternizada na mente dos torcedores e marcou o início da dominação do futebol do Brasil no cenário mundial.


Bellini não tinha muita técnica. Era um típico zagueiro: raçudo, viril. Impunha-se mais pela presença e pelo jogo sério do que pela categoria, mas nunca precisou de violência para barrar atacantes. Por isso a torcida confiava nele. Com Bellini na área, não havia susto.

No 0 x 0 contra a Inglaterra, a partida mais difícil do Brasil naquela Copa, o atacante Mazzola perdeu um gol feito, entrou em pânico e começou a chorar. Bellini não teve dúvida: saiu lá de trás e, com um tabefe regenerador, repôs o companheiro no jogo.


Grande zagueiro e grande capitão, Bellini, no entanto, sempre foi mais lembrado pelo gesto que inventou ao receber a Jules Rimet. Com as duas mãos, ele ergueu o troféu acima da cabeça. Desde então, tem sido imitado pelos capitães de todas as seleções campeãs do mundo.

Didi
Didi (1929-2001) pode ser definido pelos dois apelidos que ganhou do escritor Nelson Rodrigues. Era o "Príncipe Etíope", pela rara elegância, beleza e frieza de seu jogo, e a "Mãe dos Pernas-de-Pau", porque com seus passes longos, precisos e geniais transformava atacantes comuns em goleadores implacáveis. Já para a imprensa internacional, Didi, jogador cerebral, cérebro das equipes, era "Mr. Football".

Foi durante as eliminatórias da Copa de Mundo de 1958, que o meia virou ídolo nacional. Faltavam 9 minutos para acabar o jogo contra o Peru, no Maracanã. Persistindo o 0 x 0, a vaga iria para sorteio. Didi cobrou uma falta para o Brasil. Quando o goleiro já via a bola ir passando por cima do travessão, ela caiu de repente, dentro do gol.

Era a "folha-seca", um chute cheio de efeito com a marca registrada de Didi. Depois, veio a consagração internacional. Titular absoluto e líder incontestável da seleção brasileira que venceu o mundial da Suécia, em meio a feras como Pelé, Garrincha e Zito, Didi foi apontado por muitos como o melhor jogador da Copa.

Foi o maestro da conquista do bi carioca em 1961 e 1962 e, mais uma vez, brilhou aos olhos do mundo na seleção nacional que voltou com o caneco do Chile, em 1962.

Zito
Na seleção brasileira, Zito estreou em 1956, pelas mãos do técnico Oswaldo Brandão. Seria bicampeão mundial, em 1958 e 1962, e também participaria da Copa do Mundo de 1966.


Em 1958, na Copa da Suécia, Zito foi convocado por para ser reserva do volante Dino Sani. Com a contusão de Dino, Zito assumiu a vaga de titular. A partir do jogo contra a URSS, o santista entrou no time e não saiu mais.

Seu único gol pela seleção foi na Copa de 1962, contra a antiga Tchecoslováquia. Depois de receber um cruzamento de Amarildo, Zito cabeceou direto para o gol. A partida foi vencida pelo Brasil por 3 a 1.

Zito se notabilizou por sua capacidade de organização e pelo exercício de comando dentro de campo. Quando preciso, dava duras broncas até em Pelé, mesmo quando o Rei do Futebol já era famoso.

Nunca foi um grande lançador, nem tinha um chute forte. Embora tenha entrado para a história como um extraordinário desarmador, Zito foi um craque completo, que também sabia criar jogadas.

Vavá
Vavá (1934-2002) ficou conhecido como um atacante raçudo que trombava com os zagueiros por pura fome de gol, mas, na verdade, ele veio do Sport Recife para o Vasco, em 1952, como um meia-armador de boa técnica. Foi Gentil Cardoso, então treinador da equipe carioca, que o transformou em centroavante.


Convocado para a Copa da Suécia, começou a competição na reserva de Mazzola. Por exigência dos titulares, entrou no 2º jogo e, apesar de só ter atuado em 4 das 6 partidas que o Brasil disputou, terminou o mundial com 5 gols. Fez mais: mostrou tanta fibra diante da violência dos zagueiros adversários que saiu consagrado como símbolo da bravura do Brasil campeão.

Em 1962, na campanha do bicampeonato no Chile, foi titular absoluto e teve, novamente, participação decisiva nas vitórias da seleção. Foi um dos artilheiros da competição, com 4 gols.

3 comentários:

Karlinha disse...

De onde veio este espírito futebolístico que baixou em você hein?rs!
Eu li tudo...mesmo entendendo pouco...sempre se aprende mais um pouquinho né!
Eu gosto de futebol...Ontem o jogo do Flu contra LDU foi mt emocionante!
Bjuuuuuuus!

Dedinhos Nervosos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dedinhos Nervosos disse...

Menina, tô postando aos poucos pq tá bem corrido aqui. Mas até amanhã, espero acabar a "Edição Especial de futebol" hahaah
Bjos!